Margaret Beaufort: A mulher por trás da Dinastia (Parte I)

Até pouco tempo atrás, Margaret Beaufort era uma figura pouco conhecida entre os estudiosos sobre a Dinastia Tudor, o que não deixa de ser algo irônico, pois sem seu pulso firme e determinação, a Dinastia muito provavelmente nunca teria existido. Margaret tornou-se mais conhecida após a estréia da série The White Queen, baseada no livro da romancista Philippa Gregory.

Margaret nasceu no Castelo de Bletsoe em Bedfordshire, filha de Margaret Beauchamp e John Beaufort – Duque de Somerset, no dia 31 de maio de 1443. Ela recebeu o nome de sua mãe. Seu pai, John Beaufort, Duque de Somerset era
o segundo filho de John Beaufort, 1º Conde de Somerset, e tornou-se após a morte de seu irmão mais velho em 1418, quando ele ainda era uma criança.

A família Beaufort gozava de um status um tanto incerto na Inglaterra. O primeiro Conde de Somerset era o filho mais velho de John of Gaunt, duque de Lancaster (o terceiro filho sobrevivente de Edward III) de Katherine Swynford. Katherine era filha de um cavaleiro que serviu a rainha de Eduardo III, Philippa de Hainault, na Inglaterra, e em sua juventude, serviu a Blanche, Duquesa de Lancaster, a primeira esposa de John of Gaunt. Katherine casou-se com um cavaleiro inglês, mas permaneceu com a família de John de Gaunt, e durante o segundo casamento dele com Constance de Castela, ela se tornou sua amante. O caso entre John de Gaunt e Katherine Swynford perdurou durante todo o segundo casamento, e era de conhecimento comum na Inglaterra de 1375. O casal teve quatro filhos, que receberam o sobrenome “Beaufort” devido a uma das posses continentais de John de Gaunt. Eles foram abertamente reconhecidos por John, mas, devido ao seu nascimento ilegítimo, não tinham direitos de herança. Isso mudou em 1396, quando John casou-se com sua amante. ‘. O casamento de John of Gaunt e Katherine Swynford chocou com a Inglaterra, mas por si só não legitimava seus filhos. Mas John de Gaunt, sendo o mais velho filho sobrevivente de Edward III e um dos homens mais poderosos da Europa, estava determinado a melhorar o status de seus filhos e obteve o consentimento do Papa para legitimar os Beauforts. Enquanto que com isso ele garantiu que, aos olhos da Igreja, o casamento subsequente eliminasse a mancha de bastardia dos quatro Beauforts, sob a lei inglesa, eles permaneceram ilegítimos.

Sendo assim, no momento do nascimento de Margaret Beaufort, os Beauforts foram reconhecidos como parentes mais próximos da Dinastia Lancaster, mas sua posição em relação à coroa era claramente incerta. O pai de Margaret morreu pouco menos de um ano após o nascimento de sua única filha, sob a sombra de uma acusação de suicídio. Dessa forma, Margaret Beaufort não tinha memória de seu pai, mas mesmo durante sua infância, a vida de Margaret Beaufort estava sujeita ao júbilo e às misérias da roda da fortuna, e ela chegou ao primeiro aniversário, tanto como a filha de um provável suicida desafortunado, quanto como uma das maiores herdeiras da Inglaterra. Antes de morrer, o pai de Margaret garantiu em um acordo com o rei de que, no caso de sua morte, sua esposa ficaria com a custódia de sua filha. Então, enquanto o irmão mais novo de Somerset, Edmund Beaufort, herdou o condado de Somerset e alguns estados envolvidos na linha masculina, Margaret ficou muito rica. Mas Somerset tivesse assegurado o acordo com o rei a respeito da guarda da Margaret, logo após sua morte, o Rei e seu conselho não estavam dispostos a conceder favores a família. No período medieval, quando uma criança pequena herdava terra ou fortuna, sua tutela e os direitos de seu casamento passaram imediatamente ao rei. Isso significava que o rei poderia se beneficiar das receitas dos estados feudais pertencentes a criança durante a menor idade do herdeiro, e que também poderia organizar seu casamento, algo que poderia ser muito lucrativo.

Inicialmente, Henry VI concedeu a tutela de Margaret Beaufort à William de la Pole, conde de Suffolk, embora Margaret tenha permanecido na casa de sua mãe, sendo criada sob seus cuidados.  Poucos detalhes sobrevivem sobre educação de Margaret Beaufort, podemos ter alguns vislumbres da educação recebida por ela. A educação das mulheres não era rotina na Inglaterra medieval, mas há um conjunto considerável de evidências que mostram que Margaret Beaufort foi bem-educada. Enquanto Margaret recebeu pouca escolaridade em latim, sua educação na língua francesa era fluente. Embora seja claro que a educação de Margaret era, segundo os padrões do tempo, extensa, uma atenção especial teria sido dada para instruí-la em sua vida futura como esposa de um nobre. Margaret era a filha de maior Status de Margaret Beauchamp e ela assegurou que sua menina fosse criada para estar ciente de seu lugar. Há algumas evidências de que Margaret teve um amável relacionamento com sua mãe, que se casou novamente em 1447, com Lionel St.John, Lorde Welles. Também é evidente que ela desenvolveu um forte vínculo fraternos com seus meio-irmãos. Margaret chegou a fazer um bordado mostrando a descendência da família St.John durante sua infância, e em sua vida posterior, ela sempre se interessou pela família. No entanto, quando ela tinha seis anos, seu guardião legal, o Duque de Suffolk, finalmente decidiu deixar claro seus planos para ela.

Ele tinha a intenção de casar seu filho mais velho, John de la Pole, com a rica herdeira. Na época do casamento, John de la Pole tinha oito anos e Margaret Beaufort, apenas seis, e o casal nunca chegou a coabitar como marido e mulher. Em vez disso, uma cerimônia foi realizada, e logo após, Margaret foi devolvida à guarda da mãe, enquanto Suffolk tentava salvar sua posição como o homem mais poderoso da Inglaterra. Margaret não teve escolha no casamento, e é possível que ela nunca tenha compreendido completamente a cerimônia que foi realizada, pois ela sempre se referiu ao seu segundo marido, Edmund Tudor, como sendo o primeiro. Mesmo que o casamento tenha ocorrido sem o entendimento de ambas as crianças, o matrimônio era, em todo caso, inabalável, embora Suffolk tenha tido a dificuldade de obter uma dispensa do Papa devido à relação de sangue entre Margaret e John.

Margaret tinha nove anos quando sua mãe recebeu uma convocação real para levá-la a Londres e aguardar o comando do rei. O Duque de Suffolk havia perdido seu prestígio e tinha sido assassinado. Após o assassinato do duque de Suffolk, Margaret permaneceu com sua mãe. O rei inicialmente não mostrou nenhum interesse em Margaret, embora, com a morte de Suffolk, sua guarda tivesse mais uma vez passado para a coroa. Mas isso mudou em fevereiro de 1453, quando a convocação Real chegou. Em 23 de abril de 1453, ela e sua mãe chegaram a Corte e aguardaram. Acontece que a convocação era para que o Rei pudesse transferir a guarda de Margaret a seus meio-irmãos, Edmund e Jasper Tudor. Ao conceder a guarda de Margaret aos seus meio-irmãos, também era certo que o Rei pretendia firmar um casamento entre um deles e Margaret. Em 1453, Edmund Tudor tinha cerca de vinte e dois anos, e como o irmão mais velho, foi ele quem decidiu se casar com Margaret em 1455, logo após o décimo segundo aniversário. Margaret mais tarde, disse a seu capelão, John Fisher, que ela tinha a opção de casar-se com John de la Pole (com quem ela já era casada) ou com Edmund Tudor. Ela, que na época mal tinha nove anos de idade, ficou duvidosa sobre o que era melhor fazer, e perguntou a um ancião gentil a quem ela amava e confiava, que decisão tomar, ao que ele a aconselhou a rezar, e esperar a resposta. Segundo ela, ela recebeu uma visão de que deveria aceitar Edmund Tudor. Foi muito conveniente que ela desejasse se divorciar de seu primeiro marido e se casar com o meio-irmão do rei, pois, na realidade, ela não tinha escolha nenhuma nesse assunto. Foi o próprio Henrique VI quem decidiu que Margaret deveria se casar com Edmund, e é provável que, no início de 1453, isso fosse motivado pelo sangue real de Margaret. A forte alegação de Margaret como herdeira Lancaster era bem conhecida, e Henrique provavelmente considerava Edmund como o melhor sucessor possível da coroa no caso dele morrer sem filhos.

O paradeiro de Margaret Beaufort não foi registrado durante o período de sua guarda com os irmãos Tudor, embora seja provável que ela tenha permanecido com sua mãe e continuando sua educação. As simpatias de Margaret durante os primeiros anos das Guerras das Rosas teriam, naturalmente, estado com o rei, que era seu próprio parente e seu tio, o Duque de Somerset. Os eventos, no entanto, não afetaram diretamente ela, pois seu valor como potencial reivindicadora real havia sido desvalorizado até certo ponto pelo nascimento do Príncipe Edward, mas ela ainda era uma herdeira rica, e assim, foi casada com Edmund Tudor em novembro de 1455.

Edmund Tudor é um personagem sombrio e pouco se sabe sobre sua vida. Em 1455, Edmund foi enviado para o País de Gales para atuar como representante de Henrique VI lá, foi nessa época que ele levou Margaret com ele como sua esposa. Embora, aos doze anos, Margaret fosse considerada tendo idade suficiente para se casar, ela era fisicamente pequena e subdesenvolvida e, para seus contemporâneos, não teria sido considerada pronta para consumar seu casamento. Legalmente, quando um homem se casava com uma herdeira no período medieval, ele recebia os direitos por seus negócios de estados assim que ele tivesse gerado uma criança nela. Isso quase certamente foi o que inflamou a decisão de Edmund de consumar seu casamento com Margaret, enquanto ela tinha apenas doze anos, o que gerou a indignação de seus contemporâneos.  Margaret logo ficou grávida, tradicionalmente enquanto o casal estava hospedado no Castelo de Caldicot, nas Marcas de Gales. A consumação precoce do casamento mostra um lado desagradável do personagem de Edmund Tudor, pois fica claro que ele era muito ambicioso, pois desconsiderou a saúde e o bem-estar de sua jovem esposa. Suas ações colocaram tanto a vida de Margaret e quanto a vida de seu filho em perigo. Os pensamentos de Margaret sobre a consumação precoce de seu casamento também podem ser vistos em sua oposição vocal ao casamento precoce de sua neta e homônima, a Princesa Margaret. Ela falou sobre a preocupação de que o marido da jovem Margaret “não esperasse, e que pudesse a ferir, pondo em risco sua saúde”. Margaret falava por experiência própria.

Por capricho do destino, Edmund Tudor não estava destinado a ver seu filho. Em 10 de agosto de 1456, ele foi capturado no castelo de Camarthen por Sir William Herbert, um aliado do duque de York, e preso. Ele morreu em Carmarthen em 1 de novembro de 1456, após a contrair praga. Margaret tinha apenas treze anos no momento da morte precoce do marido e estava grávida. Ela também estava ciente de que, em virtude de seu relacionamento com a dinastia Lancaster, ela era uma figura de importância na Guerras das Rosas e, temendo por sua própria vida e de seu filho, ela imediatamente procurou a proteção de seu cunhado, Jasper Tudor, enquanto aguardava o nascimento de sua criança.

A morte súbita de Edmund Tudor veio como um choque para Margaret, e ela mais tarde admitiu que estava aterrorizada de que ela e a criança também sucumbissem à praga. Com apenas treze anos de idade, ela se encontrou sozinha e desprotegida no País de Gales, e enquanto a disputa entre o Rei e o Duque de York se prolongava, e ela tomou o único curso prático, viajando imediatamente para seu cunhado, Jasper Tudor, no Castelo de Pembroke para buscar sua proteção.

De acordo com a tradição, Margaret foi alojada em uma câmara na ala exterior do castelo, e foi lá que, em 28 de janeiro de 1457, ela deu à luz ao seu primeiro e único filho. Henrique nasceu mais de três meses após a morte de seu pai, e o parto, que já era perigoso em circunstâncias normais, foi ainda mais perigoso dado a idade e a estrutura física da mãe. O parto foi longo e difícil, e esperava-se que tanto a mãe quanto a criança morressem em decorrência dele. A imaturidade física da mãe foi grande parte do problema, e como o Confessor de Margaret, John Fisher, escreveria mais tarde: “Parecia um milagre que alguém pudesse nascer de uma pessoa tão pequena. ” É comumente aceito que o processo do parto danificou o corpo de Margaret, já que não há registro de que ela tenha concebido outra criança, e esse fator geralmente é atribuído à sua juventude na época do nascimento de Henrique VII.

Mãe e filho continuaram a viver na residência de Jasper Tudor, e ele procurou influenciar as decisões da mãe sobre seu filho, e foi durante o batismo que Margaret demonstrou sua força de vontade pela primeira vez. O cronista galês do século XVI, Elis Gruffydd, alegou que Jasper desejava que o filho de Margaret fosse nomeado Owen, como uma homenagem para seu avô, Owen Tudor, que ainda estava vivo. Mas Margaret estava decidida que seu filho se chamasse Henrique, e assim aconteceu. Ao nomear seu filho em homenagem ao Rei, seu tio, – que provavelmente era também seu padrinho -, Margaret assegurou que seu bebê tivesse um protetor poderoso e uniu firmemente sua criança a sua Família Real.

Após isso, a jovem mãe passou a dedicar sua atenção inteiramente para seu filho, que, de acordo com seu biógrafo contemporâneo, Bernard André, era uma criança delicada. Henrique Tudor possuía uma forte semelhança física com sua mãe, sendo de uma construção pequena, um rosto longo, fino e com olhos penetrantes. Durante esses primeiros meses, mãe e filho raramente estavam separados, pois Margaret acreditava que sua presença daria força a sua criança. Embora Margaret estivesse constantemente ciente dos perigos da situação política na Inglaterra, em Pembroke, ela sentia-se protegida de tudo o que estava acontecendo, e passava todo seu tempo com seu filho.

Margaret ainda tinha apenas treze anos quando Henry nasceu, mas é provável que seu nascimento, juntamente com o choque da perda de seu marido, a fizeram crescer rapidamente. Jasper Tudor não se casou até o fim de sua vida, e Margaret, como a Dama maior status do Castelo de Pembroke, assumiu o papel de Senhora da casa. A maioria dos detalhes da história de Margaret vem da sua vida posterior, mas é provável que, mesmo durante a sua primeira viuvez, ela já tenha começado a se tornar uma das mulheres mais fortes de seu tempo.

Sendo ela uma viúva e uma rica herdeira, Margaret sabia que sua paz provavelmente não duraria e que havia o perigo constante de que o rei forçaria um novo marido a ela. Poucas semanas após o nascimento de Henrique, Margaret já havia decidido tomar medidas decisivas, e em março ou abril de 1457, ela havia arranjado seu terceiro casamento e prometeu que isso aconteceria quando o ano presumido de luto por Edmund Tudor tivesse chegado ao fim. Dessa vez, Margaret escolheu seu próprio marido, e embora o tenha feito com o conselho e o auxílio de seu cunhado, Jasper Tudor, foi um grande passo para ela. Ela sabia que, mesmo com o nascimento de Henrique, ela ainda era a herdeira de suas propriedades, e como uma viúva rica, ela ainda era uma proposta atraente. Qualquer homem com quem ela se casou teria um interesse vital em suas terras, e era apenas uma questão de tempo antes dela se casar pela terceira vez. Margaret estava muito consciente de que um marido provavelmente seria escolho para ela como aconteceu nas outras duas ocasiões anteriores, então, dessa vez, ela escolheu se adiantar e tomar as medidas decisivas.

Os pensamentos de Margaret quando ela começou a contemplar um terceiro casamento apenas semanas algumas semanas após o nascimento de seu filho, estavam voltados para encontrar um marido que protegesse os interesses do pequeno Henrique. Após o período de luto passar, ela e Jasper viajaram juntos de Pembroke para a mansão do duque de Buckingham de Greenfield, que ficava perto de Newport. Margaret e Jasper, obviamente, sentiram que o tempo era essencial na seleção de seu terceiro marido, e eles escolheram o segundo filho do Duque, Henry Stafford. Os termos foram acordados rapidamente, e uma dispensa para o casamento foi concedida em 6 de abril pelo Bispo de Coventry e Lichfield. Henry Stafford era cerca de vinte anos mais velho do que Margaret e tinha cerca de trinta e poucos anos quando a união foi organizada. Como um filho mais novo, ele tinha pouca renda, e um casamento com Margaret era excelente para ele. Ele e Margaret não se conheciam antes do casamento ser discutido, mas Margaret sabia que ele era, em muitos aspectos, uma escolha apropriada para ela. Seguindo a Lei medieval, para se casar, ela teve que desistir da guarda de seu filho e deixa-lo aos cuidados de seu parente mais próximo, no caso, Jasper Tudor.

Margaret finalmente se casou com Henry Stafford em 3 de janeiro de 1458, alguns meses antes de completar 15 anos de idade. As referências a Henry Stafford, como as relativas a tantas figuras importantes na vida de Margaret, são escassas, pois seu terceiro marido teve pouco impacto na situação política na Inglaterra. Mas as evidências existentes sugerem que o casamento foi surpreendentemente feliz. Margaret também se dava muito bem com seus sogros, e o Duque e a Duquesa frequentemente enviavam presentes para ela.

Logo após o casamento deles, Margaret e Henry Stafford instalaram casa em Bourne, no Lincolnshire, uma mansão que pertencia a Margaret. Esta era uma distância considerável de Pembroke, onde Margaret vivia com seu filho. O casamento durou consideravelmente mais do que seus dois primeiros casamentos, e parece que ambos ficaram satisfeitos. Os relatos indicam de que eles raramente estavam separados, mesmo que tenham feitos muitas viagens juntos. As contas domésticas de Staffors também mostram que eles tinham o costume de comemorar seu aniversário de casamento com uma festividade. Eles também costumavam visitar o pequeno Henrique em Pembroke.

Depois de alguns anos de casamento, Henrique passou a ter um significado ainda maior para Margaret e Henry Stafford, já ficou evidente que eles não teriam filhos juntos. Stafford enviava presentes para o enteado, e em seu testamento, ele legou alguns pertences para o filho de Margaret, o que sugere que ele gostava de seu enteado.

Mas os tempos felizes estavam chegando ao fim, pois os conflitos dinásticos ainda estavam no auge. Durante 1461, tanto como seu marido, Henry Stafford, quanto seu padrasto, Lord Welles, lutaram por Henrique VI em Towton. Se, como parece provável, o relacionamento de Margaret com seu terceiro marido era amoroso, ela deve ter ficado horrorizada ao vê-lo partir para a batalha, e pode ter sido um grande alívio quando ele voltou para ela, mesmo que como membro do exército perdedor.

A mãe de Margaret não teve tanta sorte, pois seu próprio marido, Lorde Welles, morreu no campo, deixando sua viúva para gerenciar suas propriedades em nome de seu jovem filho, John. Margaret mais tarde conseguiu um casamento vantajoso para o meio-irmão com a Cecily de York, filha de Edward IV.

Foi um alívio para Margaret quando, em 25 de junho de 1461, Eduardo IV, mostrou estar disposto a se conciliar com ex-adeptos de Lancaster, e concedeu a Henry Stafford um perdão por se opor a ele em Towton.  Embora o casal ainda estivesse incerto sobre o lugar que eles agora ocupavam no governo desse novo rei, eles estavam pelo menos conscientes de que Stafford não seria julgado como traidor por apoiar Henrique VI. Mas o filho de Margaret, de quatro anos de idade, tornou-se um prêmio valioso, e sua guarda foi oferecida por Eduardo IV para Sir William Herbert, enquanto que seu título de Conde de Richmond foi concedido ao irmão do Rei, George, Duque de Clarence.

Embora Margaret soubesse que havia perdido permanentemente os direitos em relação a seu filho, ela se alegrou por não ter sido pior, especialmente devido à proeminência e o apoio contínuo de Jasper Tudor para Margaret de Anjou e Henrique VI na Escócia. Margaret também não foi impedida de visitar Henrique, e ela e Henry Stafford mantinham contato com ele. Eles o visitaram em Raglan Castle, em setembro de 1467, onde Margaret passou uma feliz semana no castelo com seu marido e filho. O fato de o casal ter sido capaz de aceitar a hospitalidade de William Herbert sugere que Margaret aceitou a custódia de seu filho, mesmo que não estivesse inteiramente feliz com isso.

Apesar de Margaret ter visto muito pouco de seu filho durante a infância, ela sempre assegurou que eles estivessem em contato, e ele permaneceu sendo seu foco maior. Enquanto Margaret estava preocupada com o bem-estar de seu filho, ela também tinha que garantir o bem-estar de seu marido e dela mesma após a adesão de Eduardo IV. Eduardo IV tinha quase dezenove anos quando subiu ao trono, e ele estava determinado a ser um conciliador na tentativa de pôr fim ao conflito de uma vez por todas. Eduardo IV, era um governante perspicaz, mas também era um jovem, que se inclinava mais ao prazer do que à política. O pai de Eduardo, o duque de York, há muito esteve envolvido em uma disputa com o tio de Margaret, Edmund Beaufort, duque de Somerset e Eduardo IV estava determinado a impedir que isso continuasse na próxima geração, tentando ativamente fazer a paz com o primo de Margaret, Henry Beaufort, Duque de Somerset.

O rei mostrou seu favor para Margaret e seu marido em 1466, quando concedeu a eles a mansão de Woking em Surrey. Este foi um presente generoso e a mansão tornou-se uma das casas favoritas do casal. A mansão já pertencia a Henry Beaufort, duque de Somerset, e era uma residência convenientemente perto de Londres. Infelizmente, pouco resta do que foi, por um tempo, a residência favorita de Margaret, mas durante a vida, era um lugar palaciano. A grande casa foi construída em torno de um pátio. Estava cercado por um fosso, e também havia pomares, jardins e um parque com cervos. Margaret e Henry Stafford passaram grande parte do reinado de Eduardo IV na casa, e o casal trabalhou duro na gestão de suas propriedades. A casa contava com quase 50 servos, muitos dos quais eram cavalheiros. O casal era conhecido pela hospitalidade e, em um de seus aniversários de casamento eles comemoraram ali.

Margaret e Henry Stafford conseguiram manter um ótimo estado em Woking.
Eles tinham uma família extensa, como se adequava ao status de casal com
da nobreza. Em ocasiões especiais, eles frequentemente enviaram para Londres itens luxuosos, como lampreias frescas e salmão. A casa também consumia grandes quantidades de vinho branco, com compras registradas em suas contas. Margaret, como Senhora da casa, era em grande parte responsável por organizar os menus para ocasiões especiais, e muitos dos itens de luxo comprados refletiam seus próprios gostos pessoais. Ela e Henry Stafford também se vestiam para se adequar à sua classe. Por exemplo, suas contas mostram que veludo fino foi comprado para uma vestimenta para Henry Stafford usar. Margaret sempre gostava de aparecer bem vestida e os registros de pagamentos feitos na década de 1470 (após a morte de Henry Stafford) por sua roupa mostram seu interesse em tecidos ricos, o que, considerando o próprio interesse de Stafford em roupas finas, mostra o quanto eles eram complementares um ao outro.

Mas para Margaret, a vida cotidiana em Woking também girava em torno de sua religiosidade. Embora ela gostasse de se divertir na caça, de se vestir bem e de viajar com seu marido, sua piedade também era um traço fundamental de sua personalidade. Ali, Margaret passava tanto tempo rezando que machucava seus joelhos. Em uma época em que a piedade era esperada, particularmente dos nobres, Margaret levou sua devoção ao extremo, uma característica que se desenvolveu de forma ainda mais evidente em sua velhice. Parte do carinho de Margaret pela propriedade de Woking era o fato de que, longe de Londres, ela podia ignorar os problemas do mundo e se concentrar em sua piedade.

Margaret parece ter sido feliz em suas devoções religiosas, e ela conseguiu alcançar uma existência pacífica durante os primeiros anos do reinado de Eduardo IV. Ela também conseguiu usar sua piedade como meio de permanecer em contato com seu filho e, em 1465, assegurou a admissão de Henrique Tudor à Confraria da Ordem da Santíssima Trindade perto de Knaresborough, em Yorkshire, demonstrando que ela manteve um interesse ativo em seu desenvolvimento religioso.

Enquanto Margaret conseguiu um contentamento doméstico no início da década de 1460, ela ainda estava desconfortavelmente consciente das mudanças repentinas do destino. Mesmo assim, nessa época, o ela e o marido eram bem-vindos na Corte, e Stafford participou de uma reunião do conselho no Palácio de Mortlake em 1467. Eles também viajaram especificamente para Londres para que Henry Stafford pudesse participar do parlamento em pelo menos uma ocasião. Para Margaret, as visitas a Londres eram uma chance de socializar.

Margaret e Stafford também receberam uma visita do rei em Woking em dezembro de 1468, e eles o entretiveram em sua casa de caça em uma tenda de um rico tecido roxo. Margaret comprou materiais luxuosos para roupas que seriam usadas durante a visita, claramente destinados a impressionar o rei. Ela e o Rei também descobriram que eles tinham algo em comum, pois compartilhavam um genuíno amor por livros, com o rei coletando uma série de textos, obras religiosa e histórias, incluindo uma cópia da crônica de Jehan Froissart, detalhando a usurpação do trono de Henrique IV, o que acabou por levar à Guerra das Rosas. A visita foi um sucesso, mesmo os sentimentos de Eduardo IV em relação ao casal ainda fossem eram ambivalentes. Talvez seja justo dizer que Henry Stafford não estava em perigo, mas também não era confiável o suficiente para ser um membro de seu círculo íntimo do Rei.

Tudo isso mudou em 1469, quando, à medida que a própria sorte do rei diminuiu, as ações de Margaret fizeram com que ela e seu marido acabassem ficando contra ele, gerando descontentamento. Durante os primeiros anos do reinado de Eduardo IV, Margaret estabeleceu-se em uma vida doméstica e contente com seu marido, curtindo visitas ocasionais a seu filho na residência de Lorde William Herbert do castelo de Raglan. Tudo mudou em 1469, quando os problemas no próprio reinado de Eduardo IV estouraram e, pela primeira vez em oito anos, os Lancaster conseguiram uma oposição credível ao rei Yorkista.

Em agosto de 1469, Margaret resolveu agir e viajou com seu marido para Londres na esperança de negociar com o Duque de Clarence, que havia ganhado o título e as terras de Henrique de seu irmão, e era naquele momento um dos homens de autoridade na Inglaterra, mas essa ação de provou infrutífera, e além disso, o jogo político estava mudando outra vez, pois Warwick e Clarence não conseguiram manter o controle do reino, e acabaram fugindo para a França.
A tentativa injustificada de Margaret de negociar com Clarence foi ineficaz e serviu apenas para fazer com que o rei mais uma vez a colocasse sob suspeita.

Margaret e Henry Stafford passaram uns meses desconfortáveis ​​no outono e no inverno de 1469, enquanto esperavam para ver quais consequências suas ações trariam, mas mais uma vez o destino interviu, e Margaret ficou muito satisfeita ao saber que seu cunhado, Henrique VI, estava sendo recolocado no trono. Durante a breve restauração de Henrique VI no trono, Margaret mostrou claramente que suas lealdades permaneceram com a casa de Lancaster. Ela e seu filho foram umas das primeiras pessoas a serem recebidas pelo rei em sua cerimônia de restauração ao trono. Após a reunião bem-sucedida com o Rei, Margaret, Henry Stafford e Henrique Tudor viajaram para Woking. Henrique e sua mãe passaram uma semana juntos em sua residência, e parece que este eles usaram esses dias como uma oportunidade de conhecer um ao outro novamente.

Infelizmente, esse curto período de tranquilidade rapidamente estava chegando ao fim, e pouco tempo depois, ocorreu a derrota dos Lancasterianos na batalha de Tewkesbury, seguido pelas mortes do príncipe de Gales e do Rei Henrique VI, que fizeram com que a causa Lancasteriana parecesse impossível. Com o retorno do rei Yorkista Eduardo IV, Margaret se viu mais uma vez sob suspeita. Dessa vez, as perdas de Margaret foram catastróficas. Ela não só perdeu seu rei e sua causa, como também seu marido, que morreu em decorrência de ferimentos que recebeu durante a batalha, e seu filho e cunhado, cuja a segurança na Inglaterra era agora inexistente. O jovem filho de Margaret e seu tio foram obrigados a fugir para o exílio, e lá eles permaneceriam durante vários anos.

Mas Margaret Beaufort não era uma mulher de lamentações, e mesmo em meio a todas essas tragédias, ela escolheu agir. Em junho de 1472, apenas oito meses após a morte de seu terceiro marido, Margaret casou-se pela quarta vez com Thomas, Lorde Stanley. Nenhum dos casamentos anteriores de Margaret tinha começado por amor, e o último não foi exceção. Stanley era oito anos mais velho que Margaret, que tinha 28 no momento do casamento. Ele era viúvo, tendo sido anteriormente casado com Eleanor Neville, uma irmã do conde de Warwick. Ele era, portanto, um primo por casamento do Rei Eduardo IV. Stanley também tinha fortes ligações com a família da Rainha Elizabeth Woodville, pois seu filho mais velho, George, era casado com a sobrinha da rainha.

Lorde Stanley era um nobre proeminente na corte quando se casou com Margaret, e mesmo que Eduardo IV não confiasse muito na lealdade dele, Stanley era cauteloso o suficiente se manter acima de qualquer suspeita. A família Stanley era uma das principais famílias no Noroeste, e era de conhecimento comum que nenhum rei poderia governar a área sem o seu apoio. Em 1471, com as mortes de Henrique VI e seu filho, não havia rival credível para o trono, e parecia para todos que a dinastia York, representada pelo rei e seus filhos, eram o futuro da Inglaterra.

Para Margaret, portanto, Stanley oferecia um papel dentro do regime Yorkista e uma proteção para suas terras e posição. Também é provável que ela tenha esperado, em uma data posterior, usar sua influência para garantir a reabilitação de seu filho, pois ela nunca desistiu de tentar reaver seus títulos e posses para ele. No momento do casamento, Margaret era amplamente considerada estéril, e Stanley, que já tinha filhos, não tinha necessidade dinástica de uma esposa. Para ele, a vantagem do casamento com Margaret era seu nome de família, seu prestígio, sua descendência real e, também, sua riqueza.

O casal estava feliz em viver vidas em grande parte separadas, e isso sugere que não houve grande paixão em seu relacionamento. Mas é provável que Margaret tenha encontrado algum contentamento com Stanley durante os primeiros anos de seu casamento. À medida que o reinado de Eduardo IV progredia, Stanley recebia cada vez mais confiança real e tinha mais autoridade concedida pelo rei, e tanto ele como Margaret frequentavam a corte. Mas a grande motivação de Margaret em sua escolha de Stanley, foi justamente se aproximar da Corte, na esperança de que, ao se reconciliar com Eduardo IV, ela conseguisse garantir o retorno de seu filho à Inglaterra. Parecia para Margaret que a única maneira de garantir a vida do filho a longo prazo era obter um perdão de Eduardo IV, mas recuperar sua confiança era uma tarefa formidável. A rota mais rápida seria casar com alguém próximo do rei, pois, de acordo com a tradição da época, como uma mera mulher, se assumia que suas lealdades eram aquelas de seu marido ou, pelo menos, que ele poderia controlá-la. No entanto, o progresso para o perdão que Margaret tanto desejava revelou-se deveras lento.

Passaram-se vários anos, e Henrique Tudor já havia completado vinte e cinco anos antes que os decididos esforços de Margaret para apaziguar o Rei finalmente começassem a florescer. Aparentemente Eduardo IV estava disposto a oferecer um perdão para seu filho. Seu padrasto, Stanley, afirmou mais tarde que Eduardo IV havia se interessado genuinamente em organizar um casamento para Henrique com uma de suas filhas, mas não há evidências contemporâneas para isso. Pelo contrário, Eduardo ofereceu a ao Duque Francis da Bretanha 4.000 arqueiros em troca de Henrique e Jasper Tudor nesse mesmo ano. No geral, o consenso prega que Eduardo nunca esteve realmente disposto a perdoar Henrique. Parece que sua oferta de perdão para Margaret nada mais era do que uma isca para trair o jovem para a Inglaterra.

Mas com a morte de Eduardo IV e a ascensão de Ricardo III, todas essas ações sofreram uma reviravolta. Todos os anos de esforços de Margaret Beaufort para cultivar a amizade do Rei teriam que começar de novo. Mas depois das frustrações de anos anteriores, se uma possível e genuína oportunidade para ajudar seu filho surgisse, Margaret estava determinada aproveitá-la, fosse qual fosse.

De acordo com um relato posterior, Margaret se aproximou de Buckingham para questionar sobre um perdão por seu filho, lembrando-lhe que eles eram parentes. Ela esperava que sua amizade com Ricardo III o fizesse persuadir o rei a finalmente resolver o caso de Henrique e de seu retorno a Inglaterra de uma vez por todas, mas se esse relato é verdadeiro, mais uma vez as esperanças de Margaret foram em vão.

Ainda assim, Margaret desempenhou um papel de liderança na coroação do novo rei e de sua rainha. Vestida em seis metros de veludo escarlate bordado em pano de ouro, ela teve destaque no cortejo da rainha de Ricardo, Anne Neville, que foi coroada ao lado de seu marido. Uma grande festa foi produzida, com iguarias trazidas de todos os cantos da Inglaterra. Embora Ricardo tenha mantido a maioria dos ex-servos de Eduardo IV em suas posições, ainda havia certa tensão sobre o que aconteceria dali em diante. Pouco tempo depois, Margaret iria decidir que havia tensão o suficiente para transformar o impotente exilado Henrique Tudor em um líder, e assim reviver a moribunda causa dos Lancaster.

Após o desaparecimento dos príncipes da Torre, a Casa de York ficou vulnerável, com Ricardo III sendo o último homem adulto. Em Brecon, Buckingham, o antigo apoiador do Ricardo começou a traçar seus planos como um prisioneiro que ele tinha sob seus cuidados, um ex-Lancaster e um dos servos de Eduardo IV: John Morton, Bispo de Ely. Um homem de grande recurso e muito ousado, Morton entendeu imediatamente que Buckingham tinha pouco apoio, tanto dos Lancasters, quanto dos Yorks. Mas se Buckingham não pudesse fazer dele mesmo um rei, certamente ele poderia ser um Fazedor de Reis, dando um apoio poderoso à causa de Henrique Tudor. Buckingham fez contato com Margaret Beaufort, que respondeu imediatamente a sua abordagem. O meio-irmão de Margaret, John Welles foi declarado um rebelde contra Ricardo em meados de agosto e fugiu para a Bretanha, enquanto Margaret estava usando um médico galês para se comunicar secretamente com Elizabeth Woodville no santuário da Abadia de Westminster.

Enquanto os príncipes estavam vivos, Margaret esperava apenas conseguir os direitos de Henrique como Conde de Richmond de volta para ele. Mas se os príncipes estivessem mortos, então ela via que a chance de uma restauração “Lancaster” era possível e Margaret estava determinada a aproveitar esta oportunidade para seu filho. Era sua melhor chance de sobrevivência. Ela pretendia agora mudar o foco de suas comunicações e negociar com Elizabeth Woodville um casamento entre Henrique com a filha mais velha de Woodville, Elizabeth de York. Tal casamento fortaleceria fortemente sua posição.

Margaret então envolveu-se fortemente na Rebelião de 1483, que ocorreu logo após o anúncio do casamento de seu filho com Elizabeth, caso ele se tornasse Rei. No entanto, Henrique e Jasper não conseguiram voltar para a Inglaterra para juntar-se à Rebelião de Buckingham de 1483. Foi depois disto, que tio e sobrinho tentaram novamente deixar o continente e aportar no País de Gales em 1485, com um plano para derrubar Ricardo III. A crença de que um dia, o filho de Margaret tornar-se-ia Rei, culminou na Batalha de Bosworth, onde Henrique lutou por seu direito ao trono, em campo. O marido de Margaret, Lorde Stanley, seu irmão mais novo William, juntamente com o Conde de Northumberland, viraram suas casacas para o lado de Henrique, garantindo sua vitória no campo de batalha. Sem aliança de casamento de Margaret com Stanley – plano este que foi decisivo no final – ajudando a ganhar o dia para o jovem Tudor, tudo seria diferente.

Continua…

Bibliografia:

Gristwood, Sarah – “Blood Sisters: The Women Behind the Wars of the Roses”.
Norton, Elizabeth – “Margaret Beaufort: Mother of the Tudor Dynasty”.
de Lisle, Leanda – “Tudor: The Family Story”.
http://thefreelancehistorywriter.com/2014/01/10/lady-margaret-beaufort-the-kings-mother/

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