Os primeiros amores das irmãs Olga, Tatiana e Maria Romanov

Olga, Tatiana e Maria Nikolaevna, foram filhas do Imperador Nicolau II da Rússia. As jovens, nascidas nos anos de 1895, 1897 e 1899, foram mortas ao lado de seu pai e família, na casa Ipatiev, em Yekaterimburgo, no ano de 1918.

Embora tenham deixado o mundo de forma trágica e violenta, as jovens, assim como muitas garotas de sua idade, tiveram tempo para sonhar e viver seus primeiros romances. Neste artigo, saberemos um pouco mais sobre o assunto.

Tatiana Nikolaevna:

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Quando salvou um colega de fogo inimigo, ferindo-se na perna, o jovem Dmítri Malama, soldado por quem Tatiana Nikolaevna se apaixonou, mostrou um ato de grande heroísmo. Posteriormente, foi levado ao hospital de Tsárskoe Seló, onde encontrou a grã-duquesa Tatiana, que então atuava como enfermeira.

A segunda filha do tsar caíra de amores pelo jovem de “cabelos claros e bochechas rosadas”, e a partir daí, frequentemente, na menor das oportunidades, a grã-duquesa encontrava-se na cabeceira da cama de Malama, seja vendo álbuns de retratos, ou cantando músicas. Em outubro de 1914, o jovem deu à Tatiana um buldogue francês – que futuramente seria assassinado com ela – de nome Ortipo.

Várias vezes em seu diário, a jovem calorosamente referia-se a Malama. Quando ele deixou o hospital, ela ficou inconsolável, escrevendo no diário: “Ai de mim, é horrível!”. Tatiana continuou a servir no hospital, enquanto que ele voltou ao fronte. A imperatriz Alexandra era visivelmente simpática a ele, escrevendo tempos depois, quando Malama voltou a Tsárskoe Seló:

“Meu pequeno Malama, Anya e eu, conversamos uma hora noite passada, após o jantar. Não o víamos havia um ano e meio. Parece desabrochar mais como homem, mas ainda é um rapaz adorável. Devo admitir, teria dado um perfeito genro. Por que príncipes estrangeiros não são como ele?”

Após a Revolução de Outubro, Malama foi para o sul lutar no Exército Branco, contrarevolucionário, onde acabou se tornando um capitão. Ele acabou sendo morto em Tsarisyn, na província de Saratov, no ano de 1919, após um ataque fatal. Cabe perguntar, se ao final da guerra, Nicolau e Alexandra teriam admitido que o único modo de ver suas filhas casadas e felizes na Rússia, teria sido permitindo casamentos morganáticos com oficiais de alta patente.

Maria Nikolaevna:

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Maria Nikolaevna apaixonou-se por um oficial a serviço da equipagem de guardas, chamado Nikolai Demenkov. A jovem encantou-se com ele, ficando devastada quando este foi para o front em 1916. O mesmo deixaria para ela uma camiseta de recordação, além de continuar mantendo contato. A própria grã-duquesa confidenciava ao pai com alegria sua afeição pelo “meu Demenkov”, e Anastásia e as próprias irmãs, adoravam se divertir, provocando Maria ao chamá-lo de “o gordo Demenkov”, em referência ao fato dele ser um tanto gorducho. Ela também escrevia em seu diário sobre as inúmeras caminhadas que fizeram no parque do palácio.

Tempos depois, Nikolai Demenkov recebeu notícias devastadoras: ele soube da morte de Maria e de toda a família Romanov. Não restou mais nada deles, nem dela, exceto um lenço, uma blusa, algumas cartas e dias felizes gravados para sempre em sua memória.

Tendo se recuperado de sua doença, Demenkov juntou-se às forças armadas do sul da Rússia. Em 1920, ele foi evacuado de Odessa, no navio “O Gregory”, para Constantinopla, depois se mudou para Paris, onde viveu com familiares. Em Paris, Demenkov trabalhou como garçom em muitos restaurantes russos, até a sua morte, aos 65 anos, em novembro de 1950. Até seus últimos dias, ele continuou a ajudar historiadores, e até mesmo entregou a camiseta costurada pela grã-duquesa Maria, a um museu na América. Mais tarde, a peça foi devolvida à Rússia, permanecendo mantida em um museu do país.

Aparentemente, Nikolai Demenkov nunca se casou ou iniciou uma família. Seu obituário dizia: “A morte de N.D Demenkov é lamentada, não só por seus ex-colegas, mas também por numerosos amigos parisienses que amavam e estimavam este homem maravilhoso.”

Olga Nikolaevna:

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Dmítri Shakh-Bagov, foi um ajudante do Regimento de Yerevan, de origem georgiana. Ele foi ferido em ação em maio de 1915, e posteriormente enviado para a enfermaria em Tsárskoe Seló. O novo paciente era um jovem tímido, que rapidamente tornou-se um dos ‘favoritos’ das grã-duquesas: “Ele é tão doce, um querido…” – Observaram as irmãs Romanov (especialmente Olga) em seus diários. Usualmente juntos, a jovem enfermeira e o paciente observavam álbuns de fotos e muitas vezes participavam de jogos de mesa. Ele a entretinha com conversa enquanto ela desenhava ou tricotava. Nos domingos e feriados, eles se viam na igreja: “Muito feliz por vê-lo … tão aconchegante … tão legal” – escreveria Olga Nikolaevna, com seu humor habitual, no outono de 1915.

Toda a família Romanov estava ciente do apego da grã-duquesa a Bagov, que muitas vezes foi convidado para o Palácio Alexandre para o chá, junto de outros oficiais. Ele estava familiarizado com todos os membros da família imperial, e uma vez que enviou um cartão de aniversário à grã-duquesa Maria, e conversou ocasionalmente no telefone com tsarevich Alexei. A imperatriz Alexandra repetidamente o mencionou em suas cartas ao czar, como se ele fosse um amigo comum da família.

A estadia de Mitya – seu apelido – na enfermaria terminou rapidamente; um mês depois, ele teve alta. “Nossos Yerivantzy estão ficando bem, rápido demais, e amanhã o mais doce deles está voltando para o regimento, o que é muito triste”, disse a grã-duquesa Olga a seu pai, Nicolau II. De acordo com testemunhas, a saída de seu paciente favorito, mexeu visivelmente com Olga Romanov. “Muito solitária sem meu queridinho Shakh-Bagov”, ela escreveu em seu diário, em junho de 1915. Quando chegou uma carta de Dmítri, “Olga Nikolaevna, em êxtase, jogou todas as suas coisas para cima”, recordou Valentina Chereboteva, “ela não cabe em si, está pulando feito louca.” Para o deleite da enfermeira, ele pediu permissão rapidamente para voltar a Tsárskoe Seló, e o fez em agosto.

Em junho de 1916, ele partiu para o Cáucaso com um ícone que ela lhe dera, deixando a grã-duquesa deprimida, e apegada a tudo que lembrasse Dmítri. Aparentemente, eles nunca se viram novamente. A última menção dele no diário de Olga Romanov, foi feita em seu aniversário (02/09/1917): “Hoje, Mitya completa 24 anos. Que Deus o salve.”


Referências:
Este artigo foi escrito por Daniel Vilela, da página ‘Romanov, a Última Dinastia da Rússia’. Conheçam:
PáginaGrupo do Facebook. 

Bibliografia:

RAPPAPORT; Helen. As Irmãs Romanov. Editora Objetiva (Primeira edição); (8 de janeiro de 2016).

Página LovelyOtma.

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