Análise do Mapa Astral de Elizabeth I

O artigo que irá ler a seguir, foi escrito pela astróloga Rhea Silvia Willmer (da página Minerva Astrologia), com colaboração do astrólogo Oz Ozzy e consultoria histórica da página Tudor Brasil. Confiram:

Elizabeth I da Inglaterra, a Rainha Virgem – análise da carta natal

Nascimento: 7 de Setembro de 1533, às 15h em Greenwich, Inglaterra

Filha do Rei Henrique VIII e de Ana Bolena

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Apesar de não haver na Inglaterra uma lei que impedisse uma mulher de aceder ao trono durante a dinastia Tudor (como havia com a Lei Sálica na França), a ausência de um herdeiro do sexo masculino era indesejável. Aventando o nascimento de um herdeiro varão, Henrique VIII rompeu com Roma, divorciou-se de sua primeira consorte, Catarina de Aragão – que só havia dado uma filha saudável ao rei, Maria – e casou-se com a dama de companhia da então rainha, Ana Bolena.

A expectativa pelo nascimento de um herdeiro após a coroação de Ana Bolena era grande e mobilizou a corte. O rei convocou videntes e astrólogos para saber se finalmente teria um filho varão, e os astrólogos previram a chegada de um futuro monarca, no que estavam certos, afinal, Elizabeth I reinaria por 45 anos, mas erraram ao afirmar que este monarca seria do sexo masculino. Tal erro pode ser justificado pelo fato de que até então nenhuma mulher havia reinado oficialmente na Inglaterra, sendo coroada e ungida. Assim, o nascimento de uma menina na tarde do domingo, 7 de setembro de 1533, ocasionou certo desapontamento. Elizabeth nasceu sob o signo de Virgem, que mais tarde se transformaria em seu epíteto, no momento em que o signo de Capricórnio ascendia no horizonte e com a Lua exaltada, em Touro. Foi batizada como um verdadeiro monarca, apesar de ser menina, mas logo perderia os privilégios de princesa, após a condenação da sua mãe à morte por traição, quando Elizabeth tinha pouco mais de dois anos e meio de idade. Elizabeth, filha da segunda consorte de Henrique VIII da Inglaterra, perderia ainda duas madrastas antes de ficar órfã de pai, aos 13 anos de idade, experimentando sucessivas perdas ao longo dos seus primeiros anos de vida.

O ascendente em Capricórnio tem Saturno como regente, observamos que, no mapa de Elizabeth I, Saturno se encontra em oposição ao ascendente, em detrimento no signo de Câncer. A casa oposta ao ascendente é a casa VII, chamada também de descendente, e enquanto o ascendente representa o “eu”, a casa VII representa o “outro”, sendo portanto a casa que rege os casamentos e sociedades. O regente do ascendente encontra-se na casa VII, portanto, faz com que os relacionamentos tenham fundamental importância para o nativo. No entanto, ao observarmos que este regente é um Saturno mal posicionado, podemos inferir que a rainha jamais se casou devido aos traumas que os sucessivos casamentos de seu pai lhe causaram. É dito que, aos 8 anos de idade, pouco tempo após a morte de Catarina Howard, Elizabeth disse a Robert Dudley que jamais se casaria.
O regente do ascendente na casa do descendente é naturalmente uma posição difícil e conflituosa, pois normalmente a pessoa com este posicionamento faz do(s) relacionamento(s) o ponto central de sua vida, percebemos portanto que Elizabeth I deve ter sido uma mulher intimamente solitária. Observamos ainda que Saturno rege os dentes e que Elizabeth I sofreu com dores de dentes durante a segunda metade da sua vida; há relatos de que seus dentes foram bonitos na juventude, mas se deterioraram ao longo da sua vida, ficando enegrecidos. Além disso, Saturno rege o chumbo, metal utilizado pelos alquimistas, na forma de pó – os “espíritos de Saturno”, “pós de Saturno” ou “extratos de Saturno” – e também na maquiagem da época, o “ceruse veneziano”, um pó branco que dava à pele o tom empalidecido almejado pela nobreza, utilizado como uma espécie de base para a pele. Com o passar dos anos, o uso prolongado do ceruse venusiano provocava intoxicação e poderia levar à morte. O mal era conhecido pelo nome de “saturnismo” e pode ter sido um dos motivos que ocasionou a morte da Rainha Virgem, afinal, o gradual envenenamento por chumbo, causa sintomas tipicamente saturninos, como depressão, apodrecimento dos dentes, paralisia muscular, e queda de cabelos, apresentados pela rainha.

Podemos notar ainda que a Lua, exaltada em Touro, dispõe esse Saturno afligido (a Lua rege o signo de Câncer, signo onde Saturno se encontra, portanto é o dispositor de Saturno) e faz um trígono com o ascendente. Analisando o mapa por signos inteiros (sistema de casas astrológicas no qual cada uma das casas comporta um signo), a Lua está na casa 5, que é justamente a casa dos prazeres, da arte e da criação. Podemos notar que, apesar da solidão e da perda precoce da mãe, Elizabeth I foi uma pessoa que gostava de se divertir e desfrutar da arte, da música, e dos prazeres da corte. A casa 5 é também a casa do sexo e dos filhos, não é de surpreender, portanto, que houvesse especulações a respeito da vida sexual de Elizabeth I desde que esta era muito jovem – e que se mantêm até hoje. Teria Elizabeth sucumbido à sedução de Thomas Seymour, marido de sua ex-madrasta Catarina Parr? Seymour tinha mais de 30 anos e Elizabeth apenas 14 quando precisou deixar a casa de sua madrasta devido às especulações sobre o envolvimento amoroso entre os dois, acontecimento que Elizabeth veementemente negou. Especula-se também que Elizabeth I tenha tido um longo romance com seu amigo de infância, a quem ela tornou Conde de Leicester em 1564, Robert Dudley, que viveu durante a maior parte de sua carreira como mestre dos cavalos da rainha, que adorava cavalgar, mostrando grande aptidão para a cavalaria e cavalgando até uma idade avançada. A grande diferença de status, ou idade (no caso de seu padrasto, Thomas Seymour), são característicos da presença de Saturno na casa VII.

A Vênus, domiciliada em Libra, está no ponto mais alto do mapa de Elizabeth I, refletindo em sua imagem pública. Vênus é um planeta relacional e a Inglaterra esperava que a rainha se casasse. No entanto, apesar de gostar da atenção de jovens cortesãos e de chegar a iniciar negociações maritais diversas vezes, Elizabeth sempre rompia as relações com seus pretendentes que, – devido à sua posição – não foram poucos, incluindo Filipe II de Espanha, Erik XIV da Suécia e o Arquiduque Fernando e Carlos da Áustria. Apesar de parecer extremamente indecisa, é certo que a Rainha experimentava frustração e sofrimento pelo fato de não conseguir levar adiante os planos de casamento. Conta-se que, em uma das negociações de casamento com o Duque de Alençon, irmão do monarca francês, após um repentino rompimento, alguns de seus cortesãos foram surpreendidos pelas lágrimas da rainha.

Também em Libra está Mercúrio, planeta regente do Sol da Rainha, em Virgem. Mercúrio em Libra tende a ser diplomático, culto e refinado, o trígono com Marte em Gêmeos, signo também regido por Mercúrio, confere agudeza intelectual e facilidade com línguas estrangeiras, além de uma certa tendência à irritabilidade e ao nervosismo, pelos quais a Rainha também ficou conhecida. A Vênus rege este Mercúrio, bem como a casa X do mapa da Rainha, o que nos mostra que ela possuía boa imagem pública, ainda que não fosse uma unanimidade por ter sido considerada bastante dura, condenando muitos de seus súditos à morte, com a crueza própria do Marte em signo de Mercúrio (Gêmeos). Marte em Gêmeos na casa VI da natividade rege o Meio do Céu e está em júbilo, de modo que, apesar da doçura da Lua em Touro e da leveza da Vênus e de Mercúrio em Libra, Elizabeth I tinha grande disposição para o trabalho e para ignorar o próprio sofrimento físico. O trígono entre Marte e Mercúrio traz um saldo bastante positivo: suas ações, por mais cruéis que possam ter sido em determinados momentos – a rainha Elizabeth I foi bastante sanguinária, e responsável pelo massacre de católicos, especialmente irlandeses, em sucessivas batalhas – foram vistas como necessárias e compreendidas pela opinião pública como desejáveis em um bom governante.

Júpiter, domiciliado em Sagitário, está na casa XII de Elizabeth I, a casa XII é uma casa “oculta” no mapa natal, e diz respeito aos exílios, às internações e também à vocação religiosa. Júpiter em domicílio nesta casa pode trazer uma certa sorte quando tudo parece perdido, o que podemos verificar em alguns momentos emblemáticos da vida de Elizabeth I, desde a sua coroação, já que as possibilidades de se tornar rainha eram bem pequenas, uma vez que seu meio-irmão mais novo assumiu o trono, sendo sucedido por sua meio-irmã católica, Maria, filha de Catarina de Aragão. Podemos citar como eventos relativos a este posicionamento astrológico a impressionante recuperação da varíola, que a acometeu aos 29 anos de idade, quando Saturno fazia o seu retorno, fazendo com que a morte pairasse sobre a jovem rainha e ainda a derrota da primeira Armada Espanhola ou ”Armada Invencível”, um dos mais famosos eventos da história inglesa e sem dúvidas, uma vitoria bastante enaltecida durante o reinado de Elizabeth I.
Foi após a derrota hispânica, que a propaganda elizabetana, tomou força e reconhecimento. Contra todas as possibilidades, como um golpe de sorte, a Inglaterra derrotaria uma das maiores potências europeias da época, a Espanha, e alegorias e propagandas políticas são criadas mostrando Elizabeth I como a mulher que levou seu povo ao triunfo e à glória. Este foi um dos fatores utilizados pela propaganda e iconografia de reinado de Elizabeth, mostrando-a não como mulher, mas como um príncipe governante acima de seu gênero, de mortal a imortal e inesquecível, a mãe de seu povo, a Gloriosa Rainha Elizabeth I.

Elizabeth I possuía o Sol na casa IX, o que mostra que o genitor que tinha alguma aspiração filosófica, religiosa, ou que tinha uma moral reconhecida de alguma forma, porém, a quadratura com Júpiter (e oposição ao Netuno para quem considera os geracionais) aponta uma crise moral ou religiosa, ou seja, o rompimento do pai com Roma, aparece impresso no mapa natal de sua filha com Ana Bolena. Se considerarmos também os planetas geracionais, teremos alguns dados adicionais interessantes neste mapa: Urano está em Câncer, fazendo conjunção com Saturno, regente do ascendente de Elizabeth I, o que mostra a imprevisibilidade em sua vida. Desde o nascimento, quando era esperado um menino, até o fato de ter-se tornado rainha, apesar das possibilidades disto acontecer serem mínimas; a vida de Elizabeth é, como podemos observar, permeada de reviravoltas.

A Lua em um mapa natal remete à figura materna, a Lua de Elizabeth I está em Touro e só tem um aspecto, a quadratura com Plutão. A Lua rege a casa VII e Plutão a casa XI, há uma tendência aqui para que a figura materna tenha, de certa forma, afetado o histórico de relações dela, tanto no nível individual, como político. Duas mulheres representaram a figura materna para Elizabeth I, a primeira foi Kat Ashley, sua governanta e a quem desenvolveu um estreito vínculo desde muito cedo na vida, e Catarina Parr, sua última madrasta, protestante convicta, mulher de gênio forte, conhecida por suas calorosas discussões teológicas com o rei, e mais tarde, acusada de exercer influências protestantes tidas como traidoras na corte (como por exemplo, a negação da Eucaristia), era uma intelectual da época e foi a primeira rainha inglesa a escrever um livro em seu próprio nome. Plutão em Aquário na casa II e em trígono com a Vênus mostra ainda que seu pai era poderoso, mas a quadratura de Plutão com a Lua em Touro mostra que, apesar do pai ter sido visto como fonte de poder, também foi visto como fonte de destruição (afinal, mandou executar a mãe de Elizabeth) e de transformação, embora se sentisse distante do pai em diversos sentidos. A casa II é a casa ligada à materialidade, ao dinheiro e ao status da família onde nascemos, e observamos que as reviravoltas de Elizabeth neste sentido, também são notórias: Elizabeth nasce princesa, é retirada da linha de sucessão (vide Segundo Ato de Sucessão) e passa a ser considerada bastarda, e mais tarde é coroada, encontrando reconhecimento e respeito por grande parte de seus súditos.

É importante observar que, a casa oposta à casa II, a casa VIII, está em Leão, sendo disposta pelo Sol, em Virgem. Leão é o signo da realeza, enquanto o Sol representa o próprio rei, enquanto a casa VIII é a casa das heranças. E Elizabeth herda a coroa do rei, seu pai, após a morte de sua meia-irmã mais velha, Maria. Para os antigos astrólogos, a carta natal do rei era significativa da forma de como este conduzia seu reino e povo, portanto em mapas de reis não é raro que o significado do mapa seja bastante literal. O fato da rainha ser mulher, não surpreendeu apenas os astrólogos no momento de seu nascimento, mas fez com que se discutisse se uma carta natal de uma governante mulher deveria ser interpretada da mesma forma que o mapa natal de um homem. Acredita-se que o longo reinado de Elizabeth I, tenha contribuído para a análise de temas femininos na astrologia.

Por fim, observamos que o epíteto “Rainha Virgem” parece ter estreita relação com a simbologia do signo de Virgem: inteligente, culta, solitária, irritável e estéril, independente do fato de ter permanecido intocada, Elizabeth I rejeitou o casamento, não atendendo às expectativas sociais e culturais a respeito do que uma mulher deveria ser e jamais se submetendo a um homem. Virgem é o signo que representa o elemento estéril no espectro feminino, ou seja, o feminino que não está ligado à feminilidade sensual da Vênus nem à maternidade da Lua, Virgem está ligado à razão, à praticidade, à análise, à discriminação e à precisão. As deusas virgens – Minerva, Diana e Vesta – utilizadas por Elizabeth em algumas de suas alegorias, são impenetráveis aos homens e completas sem eles, por isso os rejeitam, não se casam e nunca são dominadas pelas divindades masculinas ou pelos mortais. Inteligentes, independentes e solitárias, idealmente jamais serão seduzidas, violadas ou humilhadas por homens ou deuses.

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