Entendendo a Conspiração de Babington e a queda de Mary Stuart

Mary Stuart, a rainha dos escoceses, foi executada em 8 de Fevereiro de 1587, no castelo de Fotheringhay, na Inglaterra. Ela havia fugido para o reino inglês em meados de 1568, em uma tentativa de escapar dos Lordes escoceses que a acusavam de ter tramado a morte de seu segundo marido, Henry, lord Darnley.

Elizabeth tomou Mary sob sua proteção, embora lhe recusasse a ajuda necessária. Na realidade, para o resto de sua vida, Mary tornou-se uma prisioneira. Ela foi mantida por 19 anos, em diversos castelos na Inglaterra, quando por fim, a Conspiração de Babington, selou seu destino.

Mas o que foi a Conspiração de Babington, e qual foi o papel de Mary Stuart na trama?
Esta é uma dúvida muito comum entre nossos leitores, e por isso, resolvemos desenvolver este artigo.

Em uma explicação curta dos eventos, a Conspiração de Babington, de 1586, foi um plano realizado com a finalidade de assassinar Elizabeth I, a fim de colocar Mary Stuart no trono inglês. Ele foi encabeçado por dois homens, Anthony Babington (cujo o sobrenome resultou no nome da conspiração) e John Ballard, um clérigo jesuíta inglês.

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Entendendo os Eventos:

Antes de iniciarmos, é necessário salientar que, a Conspiração de Babington foi, primeiramente, uma armadilha arquitetada a fim de encurralar a rainha cativa, Mary Stuart. Ela marcaria todo o poder e destreza dos espiões de Elizabeth I nas tramas envolvendo o reino.

Tudo teve início quando Walsingham convocou o retorno do criptógrafo Thomas Pheelipes à Inglaterra, em meados de 1580. Ele até então, vivia na França. Assim que retornou ao reino, Pheelipes passou a morar no mesmo recinto que um homem de nome Gilbert Gifford. Gifford era um agente duplo, que virava a casaca entre as tramas católicas e protestantes do continente, e antes de trabalhar para Walsingham, havia servido Thomas Morgan, que por sua vez, era um dos agentes de Mary Stuart. Mary confiava em Morgan, e este, por sua vez, confiava em Gilbert, um infiltrado de Walsingham.

Isso fez com que o secretário do embaixador francês, aliado de Mary, também confiasse em Gilbert, quando este se ofereceu para ser o portador das correspondências de Mary.

Após meses de confinamento, Mary passou a receber cartas de Morgan, escondidas em garrafas de cerveja. Porém, Mary não sabia que o gentil entregador de suas cartas, estava a serviço da rainha. Em suma, Gilbert era o mensageiro, e seu companheiro de quarto, Pheelipes, era o responsável em interpretar as cartas, decifrá-las e enviá-las a Walsingham, para depois, serem novamente seladas e enviadas à embaixada francesa, seguindo caminho até Morgan.

Com todas as correspondências de Mary passando pelo crivo dos agentes de Elizabeth, tudo que Walsingham precisava, era de um estopim, um agent provocateur para disseminar o caos, e ele o teria.

Anthony Babington conheceu Morgan em Paris, em meados de 1580. Com o aval do ex-embaixador espanhol, um clérigo inglês de nome John Ballard, envolveu-se em uma trama para assassinar a rainha inglesa. Quando Ballard retornou à Inglaterra, seis anos depois, ele se encontrou com Babington, e o fez acreditar que estaria participando de um plano para libertar Mary de seu cárcere, tendo total ajuda da igreja católica. Com o lustroso discurso de Ballard, conhecido por seus dotes oratórios, Babington decidiu não apenas libertar Mary, como também coroá-la.

Pouco tempo depois, Mary recebeu uma carta de Morgan, na qual ele introduzia Babington em seu contato. Ele então envia uma carta para Mary, onde explica como ela será libertada e como Elizabeth I será deposta, tudo nos mínimos detalhes. Numericamente falando, a quantidade de homens envolvidos na trama (até então 14) já tornava o plano fadado ao fracasso.

E foi quando respondeu a carta de Babington, que Mary passou a ditar sua sentença de morte. As cartas não foram escritas por ela, e sim, por seus secretários, Claude Nau e Gilbert Curll. No entanto, sua simples resposta, já a condenava segundo o ato pela segurança da rainha.
Babington foi explícito na carta sobre sua intenção de matar Elizabeth, e, embora Mary não tenha feito menção direta ao fato, sua resposta sobre ”aquela que agora é a rainha’’, foi interpretada pelos agentes da coroa, como designando certo tipo de inclinação.

Babington recebeu sua correspondência em 29 de julho. Nela, Mary informava detalhadamente o modo como poderia escapar de seu cativeiro, afinal, esta era sua principal preocupação após anos de cárcere. No entanto, dez dias antes, Pheelipes já havia recebido a missiva original, enviando uma cópia a Walsingham; ele teve o cuidado de, alegremente enfeitá-la com o desenho de próprio punho, de uma forca. Estava claro que o destino da rainha dos escoceses estava selado.
Walsingham então, adulterou a cópia da carta, seguido de um pós-escrito falso, pedindo que Babington explicasse em detalhes o desenrolar da trama. Em suma, ele queria que Babington lhe desse nomes.

No final de Julho de 1586, Babington solicitou uma audiência na casa de Walsingham, onde oferecia serviços a fim de obter um passaporte para deixar o país; não sabemos qual foi o motivo para isso. O passaporte, é claro, não foi concedido.

Em 30 de julho Babington decodificou a carta de Mary do dia 17, e em 31 de julho, ele enviou uma carta por intermédio de Poleei, um agente disfarçado de Walsingham.

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Cópia sobrevivente da carta de Mary Stuart a Babington.

O padre Ballard foi preso no dia 4 de agosto. Babington não sabia que aquele era um complô sem infrutífero, e que seria inútil tentar barganhar sua liberdade. Não haviam potências católicas esperando por ele. Babington tentou fugir, mas foi capturado e interrogado exaustivamente por William Cecil, a partir do dia 18 de agosto.

Anthony Babington e seus partidários, foram torturados e condenados à morte. Em 6 de Outubro, Elizabeth escreveu à Mary, alertando que ela seria levada a julgamento a respeito de um complô que visava lhe assassinar.
Como um golpe do destino, a carta original de Mary, adulterada por Walsingham – uma prova que poderia ser realmente relevante para seu julgamento – foi destruída por Babington, quando este a recebeu, no dia 17 de julho. O único documento de posse do governo, era a cópia realizada por Pheelipes que, como peça de evidencia, não tinha qualquer validade. No entanto, foi esse documento falso, por fim, que selou sua morte.

Ela foi considerada culpada de traição e condenada à morte. Mary morreu alegando ser inocente das acusações feitas contra ela.

Apesar deste julgamento realizado pelos juízes da Rainha, Elizabeth não teve coragem de assinar a sentença de morte de sua prima. A própria ideia de executar um soberano coroado e ungido a aterrorizava e afetava profundamente sua saúde. Porém, no final, ela relutantemente acabou assinando o mandado. Seus ministros secretamente correram atrás de sua execução e nada foi dito à rainha, até que tudo tivesse acabado.

Quando alertada da execução de sua prima, a fúria de Elizabeth foi tremenda. Ela mandou prender William Davidson, seu secretário particular, e voltou-se contra os membros de seu conselho que haviam tomado parte na execução, inclusive William Cecil. A rainha ameaçou enforcar Davidson, alegando que jamais pretendeu que a execução ocorresse; segundo ela, esta seria apenas uma ameaça para que Mary não mais se envolvesse em conspirações contra ela. No entanto, ninguém realmente acreditou nas palavras da rainha, e desde então, muitos perderam a confiança nela. Pouco tempo depois, para o espanto de todos, sua raiva diminuiu e ela passou a reunir-se novamente com Cecil. Davidson deixou a prisão logo depois, embora nunca mais tenha obtido seu cargo de secretário.

Bibliografia:

Mary Stuart, Queen of Scots; FRASER, Antonia. Delta; Reprint edition (April 30, 2014).

Maria Stuart; ZWEIG, Stefan. Editora Guanabara (Rio de Janeiro, 1938).

Elizabeth I. Uma Biografia; HILTON, Lisa. Editora Zahar (12 de maio de 2016).

https://tudorbrasil.com/2014/10/22/elizabeth-i-parte-xiv-maria-rainha-da-escocia/

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