A invasão Tudor na Espanha: A Humilhação da Armada inglesa de Elizabeth I

  “Deus soprou e eles foram dispersos.”              

A derrota da Armada Espanhola tem sido considerada como parte crucial da história nacional inglesa. Em 1588, o país ficou à uma polegada de ser dominado e conquistado por uma enorme força naval que havia sido enviada pelo rei Filipe II da Espanha. Embora a Inglaterra devesse sua salvação mais ao tempestuoso e inclemente clima do que a marinha real, a destruição da armada rapidamente atingiu o status legendário.

A iluminação dos faróis costeiros, as fogueiras em Gravelines, as ágeis manobras dos navios ingleses contra os numerosos galeões espanhóis e o jogo de lawn bowls de Sir Francis Drake em Plymouth, contribuíram para um renovado sentimento de confiança nacional e a maior beneficiária foi a Rainha Elizabeth I.

A própria Elizabeth havia feito um dos discursos mais notórios da história inglesa durante a crise, quando proclamou aos seus soldados em Tilbury:

“Eu sei que tenho o corpo de uma frágil e fraca mulher; Mas tenho o coração e o estômago de um rei, e de um Rei da Inglaterra também”

Tais desafiadoras palavras em um momento difícil, reforçaram o status mítico de Elizabeth como ”Gloriana”, uma heroína lutadora que levantou-se contra o mais poderoso país da Europa e saiu triunfante. A Inglaterra lembrou-se deste evento desde então, mas o que foi quase “completamente esquecido” é que no ano seguinte os ingleses lançaram sua própria contra-armada e sofreram uma derrota chocante que foi tão desastrosa quanto a outrora sofrida pelos espanhóis.

Este é o sombrio e confuso conto da ”Armada Inglesa”.

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No rescaldo da Armada Espanhola, Elizabeth e seus conselheiros viram uma rara oportunidade de destruir os restos da frota de Filipe antes que esta pudesse ser reconstruída. Para conseguir isso, os ingleses criariam o caos no recém-adquirido quintal da Espanha: Portugal. Em 1580, a Espanha invadiu o pequeno vizinho ibérico e expulsou o seu breve governante, António, que fugiu para a Inglaterra.

Consequentemente, houve uma pequena, mas relativamente significativa comunidade portuguesa exilada na Inglaterra e com a derrota da Armada, António e seus seguidores sonharam em recuperar a sua pátria. Os ingleses trabalharam para levantar fundos e uma força armada a fim de  navegar para a Ibéria com três objetivos. O principal objetivo delineado por Elizabeth e seu Conselho Privado, era destruir a frota espanhola que estava sendo reformada em Santander e San Sebastian, mas também existiam objetivos não oficiais.

Os ingleses iriam interceptar a “frota de prata” espanhola vinda das Américas e também ganhar as Ilhas dos Açores, que eram oficialmente portuguesas, mas ocupadas pela Espanha. Se o tesouro e as ilhas pudessem ser capturados, isto privaria Filipe da riqueza e da base estratégica que financiava suas campanhas européias. O terceiro e mais irreal objetivo era restaurar António ao trono português (apesar deste ser praticamente um pretendente ao mesmo) com um exército inglês em Portugal incentivando uma revolução popular.

Na primavera de 1589, a frota inglesa reuniu-se em Plymouth e uma grande força de soldados voluntários não treinados reuniu-se para juntar-se à expedição enquanto os suprimentos eram guardados em armazéns locais. No entanto, a expedição permaneceu no porto por semanas, enquanto esperava a chegada de soldados profissionais ingleses, holandeses e alemães dos Países Baixos, mas os ventos eram desfavoráveis para uma rápida travessia.

Enquanto esperavam impacientemente, os voluntários invadiram os armazéns e roubaram comida e bebida. Quando os profissionais finalmente chegaram, a expedição estava pronta para navegar, mas com provisões reduzidas. A frota consistia de seis galeões reais, 60 ingleses mercadores armados, 60 flyboats holandeses e 20 pináculos. Eles continham 4.000 marinheiros, 1.500 oficiais e cavalheiros aventureiros junto com os soldados. Havia, possivelmente, mais de 23.000 homens confiantes na expedição que navegaram diretamente a Lisboa.

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Filipe II.

No entanto, a pilhagem dos suprimentos em Plymouth significou que os navios esgotaram suas rações antes mesmo de chegarem a Portugal. Deste modo, foi tomada a decisão de atacar La Coruña, na costa norte da Espanha, a fim  de tomar providências, mesmo que isso significasse ignorar Santander, onde muitas belonaves espanholas estavam sendo remodeladas.

Os homens de Drake saquearam La Coruña, mataram ou capturaram soldados espanhóis e conseguiram obter suprimentos, mas também encontraram um grande número de barris de vinho e prontamente caíram em um estupor em massa, bêbados, o que tornou-os incapazes de sitiar adequadamente a cidade.

Passaram-se semanas em que centenas de soldados ingleses morreram com pouco ganho material e, nesta época, os espanhóis tomaram o vento da expedição, reforçaram as defesas de Portugal e executaram quaisquer partidários de António. Eventualmente, a expedição moveu-se para o sul, na costa de Portugal e Robert-Devereux, Conde de Essex juntou-se à expedição.

Elizabeth proibira Essex de se juntar à expedição, mas ele arrogantemente fugiu em busca da glória. Ele lideraria o próximo erro inglês quando a frota aportasse em Peniche. Em um show de bravata, Essex saltou de seu navio em águas profundas, fazendo com que seus seguidores fizessem o mesmo, mas muitos deles se afogaram na tentativa. Uma vez em terra, os portugueses inicialmente acolheram António, mas logo se cansaram de ter de prover o exército e frota inglesa. Neste momento Drake e Norreys fatalmente decidiram dividir suas forças. Drake estava levando a frota mais abaixo da costa rumo a Cascais e, em seguida, do rio Tejo até Lisboa, enquanto Norreys iria marchar o exército interior.

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Robert Devereux, Conde de Essex.

A marcha para Lisboa percorreu uma distância de 40 milhas através de uma paisagem hostil e sem suprimentos e acabou mostrando-se um desastre. Um grande número de soldados morreu de inanição, exaustão, calor e sede. Essex começou a preocupar-se vislumbrando não conseguir obter a glória marcial que desejava, e por isso, escreveu a Elizabeth:

”Eu concebo uma esperança segura de fazer algo que me faça digno do nome de seu servo.”

Uma vez que o exército muito reduzido alcançou Lisboa, eles descobriram que Drake havia retomado seus costumes piratas e estava saqueando navios de tesouros na costa. Nenhum partidário de António saiu para apoiar o inglês, e Essex foi obrigado a emitir um blefe à guarnição espanhola:

Um contemporâneo descreveu como:

“… O nobre Essex, atirou sua lança e partiu-a contra os portões daquela cidade: Exigindo em alto e bom som, que se algum espanhol se escondesse no local, ousando aventurar-se em favor de suas amantes, eles seriam atacados. Mas estes senhores acreditaram ser mais seguro cortejar damas com discursos amorosos, ao invés de ter seus sonetos escritos em seus seios com a ponta de sua flecha inglesa.”

Essex também foi recebido com risos de dentro das paredes. Desanimado, o exército fez uma última marcha de quase 20 milhas para encontrar Drake e a frota, onde a expedição foi prontamente abandonada e a força empobrecida coxeou de volta a Plymouth em Junho de 1589.

A Armada Inglesa havia sido um completo fracasso. Chegando a custar de mais de £ 100.000, a frota inglesa havia perdido cerca de 40 navios, privando pelo menos 15.000 homens de suas vidas. Os únicos ganhos foram 150 canhões capturados e £ 30.000 de saque. Em contrapartida, os espanhóis perderam apenas cerca de 900 homens, mantiveram Portugal e reconstruíram a sua marinha. Esta força marítima renovada levou a uma invasão na Cornualha em 1595 e mais duas Armadas contra a Inglaterra em 1596 e 1597. Assim como em 1588, estas últimas armadas foram repelidas pelo tempestuoso clima inglês.

Tão logo após seu triunfo contra a Espanha os ingleses foram severamente castigados em 1589 e não é de admirar que todo empreendimento fosse convenientemente esquecido como uma humilhação nacional.

FONTES:
History Answers.co.uk: AQUI.

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