Leia um poema escrito por Mary Stuart, Rainha dos Escoceses

O poema que irão ler a seguir foi escrito por Mary Stuart, rainha dos escoceses, durante seu cárcere no Castelo de Fotheringhay. O castelo inglês foi o último recinto onde Mary esteve como prisioneira e também onde foi executada, em 8 de Fevereiro de 1587, aos 44 anos de idade.

Cerca de 39 poemas foram atribuídos à Mary, alguns contidos em seu livro de oração, ou em documentos avulsos. Maria era fluente em escocês e francês desde tenra idade, mas optava por escrever na segunda língua, que era o idioma da corte, e por sua vez, considerado mais sofisticado.
Embora seja possível que alguns destes 39 poemas tenham sido forjados com sua assinatura, a rainha dos escoceses foi conhecida como uma mulher altamente erudita e com grande habilidade textual, em grande parte devido à sua educação humanista na França.

Os poemas da rainha escocesa são tocantes ao leitor, pois refletem aspectos chaves de sua vida, como por exemplo, a falta que sentia das pessoas que amava, ou as lamentações sobre os rumos que sua vida tomou. É possível detectar uma surpreendente expressão de seu íntimo e de sua dor. Confira:

Alas, o que sou? Que utilidade minha vida tem?
Sou apenas um corpo, cujo coração foi arrancado.
Uma sombra vã, um objeto de miséria
A quem nada mais foi deixado, apenas a morte em vida.
Ó meus inimigos, deixem sua inveja de lado;
Não tenho mais anseio por grandes conquistas;
Há muito tenho suportado o peso de minha dor
Para ver a sua raiva rapidamente satisfeita.
E vocês, meus amigos, que amaram-me tão verdadeiramente,
Lembrem-se, falta de saúde, de coração e de paz,
Não há nada de valor que eu possa fazer;
Apenas peço que a minha miséria possa cessar
E que, sendo punida em um mundo como este,
Eu possua minha parcela na eterna bem-aventurança.

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Idioma original:

Que suis-je hélas? Et de quoi sert ma vie?
Je ne suis fors qu’un corps privé de coeur,
Une ombre vaine, un objet de malheur
Qui n’a plus rien que de mourir en vie.
Plus ne me portez, O ennemis, d’envie
A qui n’a plus l’esprit à la grandeur.
J’ai consommé d’excessive douleur
Votre ire en bref de voir assouvie.
Et vous, amis, qui m’avez tenue chère,
Souvenez-vous que sans coeur et sans santé
Je ne saurais aucune bonne oeuvre faire,
Souhaitez donc fin de calamité
Et que, ici-bas étant assez punie,
J’aie ma part en la joie infinie.

 


FONTES:

Marie Stuart: AQUI.

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