Uma jovem que amava com muita intensidade – Como Elizabeth II e Philip se Apaixonaram

Outros homens podem ter feito seus cortejos em jantares à luz de velas, mas não o príncipe Philip. Em vez disso, ele apareceu no Palácio de Buckingham, para refeições no antigo infantário com Elizabeth e Margaret.
Assim como não havia nada de muito elegante sobre Philip, que muitas vezes andava de lá para cá trajando camisas de mangas curtas (algo considerado pouco elegante para a época), não havia nada de extravagante em tais refeições: apenas peixe, juntamente de algum prato de doce, levado para dentro com boas doses de laranjada.
Após o jantar, eles praticariam jogos com bolas nos corredores (um bom número de lâmpadas sofreu com isso), correndo como crianças espirituosas.

Não foi o mais sofisticado dos namoros – particularmente porque Margaret era então uma adolescente cansativa, que necessitava de atenção e estava apta a ser comicamente formal. Philip não tolerou nenhum dos seus absurdos: quando ela demorou propositadamente para entrar em um dos elevadores do palácio, mantendo-o esperando, ele perdeu a paciência e deu-lhe um empurrão para dentro. Em suma, o romance entre Elizabeth e Philip, não estava sendo ajudado pela presença da jovem.

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Crawfie ao lado das princesas Elizabeth e Margaret.

Foi então que Crawfie, governanta das meninas (e autora deste relato), inventou uma desculpa para levar Margaret embora para outro cômodo. Será que o rei e a rainha aprovaram? Nunca saberemos. Mas, assim como para o resto da família real, estava claro para ela, que a jovem ”Lilibeth” (seu apelido de infância entre os familiares e pessoas próximas) estava apaixonada.

A primeira vez que a princesa conheceu Philip, ela contava com apenas 13 anos de idade. Ao lado de Crawfie e sua família, ela foi em uma visita particular a Dartmouth a bordo do iate do rei, Victoria e Albert.

Um domingo de manhã, todos foram para o Dartmouth Royal Naval College, onde Elizabeth e Margaret foram deixadas para brincar com algumas crianças que tinham um conjunto de trenzinhos de brinquedo.

Depois de um tempo, um garoto de cabelos claros – descrito por Crawfie como ”parecido com um Viking, com penetrantes olhos azuis” – entrou na sala.
Depois de dizer “Como você está” para Elizabeth, ele ajoelhou-se ao seu lado para brincar com os trens. Mas logo ficou entediado. – Vamos às quadras de tênis e saltamos as redes – sugeriu ele.
Nas quadras de tênis, ele se exibiu, e as meninas ficaram impressionadas. – Como ele é bom, Crawfie. Como consegue saltar alto! – Disse Elizabeth.

Na verdade, ela não tirou os o lhos dele. Quanto ao menino, ele era muito educado, mas não lhe prestou atenção especial – preferindo, em vez disso, provocar a pequena Margaret.
Mais tarde, todos voltaram para o iate para o almoço, quando os desavisados e a própria Crawfie, descobriram que o jovem de cabelos loiros, era o primo de Elizabeth – Príncipe Philip da Grécia.

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Quando ele se juntou a todos para o almoço e o chá no dia seguinte, foi notado seu apetite voraz – ele comeu vários pratos de camarão e banana split – sempre gostando de ser notado por todos.

Para a jovem Elizabeth, qualquer menino era uma criatura estranha. Ela sentou à mesa, vestida de cor-de-rosa em ambas as refeições, desfrutando imensamente da novidade de sua companhia. Mas, eventualmente, ele partiu para velejar. Muitos dos rapazes do Dartmouth College seguiram o iate para o mar em vários pequenos barcos – até que todos caíram, exceto uma figura solitária, remando o máximo que pôde. Era, naturalmente, Philip.

Elizabeth demorou-se olhando para ele através de seus binóculos. No final, o Rei disse: “O jovem tolo. Ele deve voltar – caso contrário, teremos que levantar e trazê-lo de volta.” A tripulação começou a gritar para ele através de um megafone, e por fim, Philip ouviu a mensagem. Todos olharam para ele, que naquela distância, era apenas uma pequena partícula.

A próxima vez que foi visto por Crawfie, foi durante a guerra, quando as princesas estavam atuando uma de suas pantomimas no Castelo de Windsor.
– Quem você acha que está vindo para nos ver trabalhar, Crawfie? Philip! – anunciou Elizabeth.

Naquela época, ele estava na Marinha há algum tempo, e não restava nada do menino um tanto presunçoso de outrora. Para Crawfie, ele parecia mais Viking do que nunca, apesar de intempérie e tenso. A pantomima saiu-se bem. Elizabeth nunca pareceu tão animada: havia um brilho sobre ela, que ninguém havia visto antes. Segundo Crawfie, olhando para trás, ”talvez fosse aquele o dia em que ela se apaixonou”.

A partir de então, começaram a se corresponder. Elizabeth tinha orgulho de escrever a um homem que estava lutando por seu país. Mesmo após o término da guerra, ela continuou com  suas correspondências a Philip, que ainda estava no exterior. Seus pais estavam cientes disto, mas nada foi dito.

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Um dia, Crawfie notou que ela possuía um foto dele em sua lareira, e disse: ”Isso é sábio? As pessoas vão começar a fazer todo tipo de fofocas sobre você.”
Elizabeth olhou para a fotografia e respondeu: ”Oh, querida, suponho que sim…” – e riu um tanto pesarosa.
Tempos depois, Crawfie notou que a foto havia desaparecido de seus aposentos. Em seu lugar, havia outra, do mesmo homem – com uma enorme e clara barba que havia conseguido quando estava no mar. Ao notar o interesse da governanta, Elizabeth responde:
– Aí está você, Crawfie. Eu desafio alguém a reconhecer quem é; ele está completamente incógnito nessa.
A barba o disfarçava, mas não o suficiente. Aqueles olhos azuis penetrantes eram bastante reconhecíveis – e, para o embaraço de Elizabeth, os rumores sobre a foto do jovem em sua lareira, logo apareceriam em um jornal.

Como muitas garotas nos anos de guerra, Elizabeth não teve uma adolescência adequada. Mesmo aos 19, ela tinha muito pouca vida social, embora tenha passado a ir ocasionalmente à algumas festas.
Como ela também estava embarcando em deveres reais bastante opressivos, sentiram que ela deveria ter algum tipo de conforto e alívio de tais tarefas cada vez mais habituais. Deste modo, sua Crawfie começou a dar-lhe aulas de madrigal, às quais vieram 30 ou 40 jovens, que foram recebidos com biscoitos e xerez.
Em contraste, sua irmã, Margaret, era bastante espevitada. Mais de uma vez, Crawfie viu um estribeiro colocar a mão no bolso, e encontrá-lo cheio de lime balls (tipo de doce inglês). Sem dúvidas, a última pessoa suspeita era a princesa de aparência recatada. Sapatos deixados à esquerda da porta ficavam inexplicavelmente cheios de bolotas do doce. Às vezes, Margaret tinha surtos de culpa após ter ido para a cama, e confessava-se com a governanta: “Oh, Crawfie, talvez eu não deveria ter feito isso. Desça e tire-os.”
Suas brincadeiras faziam Elizabeth rir – mas também a deixavam inquieta. Inúmeras vezes ela pediu a rainha: ”A faça parar, mamãe!”, quando Margaret estava sendo mais que divertida, tornando-se ultrajante.

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Mas logo houve uma distração para Elizabeth. O príncipe Philip estava de volta da guerra. Uma noite, ele jantou com as princesas. Depois disso, Elizabeth começou a ter mais problemas com sua aparência, preocupada com o que vestir, especialmente antes de jantar ao lado dele. Ela também começou a tomar seu gramófono mais do que o habitual, e sua melodia favorita era ‘People Will Say We’re In Love’, do musical Oklahoma! – que ela tinha assistido com Philip.
Depois que ele começou a levá-la para sair, Elizabeth costumava pedir para a banda nos restaurantes, que tocasse sua música favorita.
Eles eram cuidadosos: raramente dançavam juntos e muitas vezes saíam em companhia de outros jovens. Mesmo assim, os jornais começaram a especular sobre um romance real.

Um dia, Elizabeth, com então 19 anos, voltou chateada após visitar uma fábrica. Ela desabafou para sua governanta: – Crawfie, foi horrível – exclamou. “Eles gritaram para mim:” Onde está Philip?”
Não houve noivado, e nenhum sinal de que o rei e a rainha tinham alguma opinião sobre o assunto. Eles simplesmente ignoraram – para a consternação dos membros mais velhos da família.
Algumas pessoas até chegavam a dizer: ”Se não houver um noivado, o rapaz não deve estar por perto. Há muita conversa e especulação!”.
Margaret sabia como Elizabeth se sentia; Não havia segredos entre elas. Uma vez ela queixaria-se, muito suavemente: “Pobre Lil. Nada para si. Nem mesmo o seu caso de amor!”

No outono, o rei e a rainha convidaram Philip para permanecer em Balmoral. Seria a oportunidade para que os membros mais velhos da família pudessem conhecê-lo? Ou para ver se Elizabeth se cansaria dele? Nada foi dito. Mas Elizabeth estava ciente de que alguns conselheiros do rei não achavam que Philip era bom o suficiente para ela.

A família real era bastante exigente: o casal raramente tinha permissão para ficar sozinho em Balmoral. A visita de Philip prolongou-se por mais de um mês, e a opinião geral era que não tinha sido muito divertido para ele ou para Elizabeth.
O que provavelmente estava acontecendo, era que nem o Rei nem a Rainha podiam decidir o que era melhor para sua filha, e assim adiaram tomar qualquer decisão. Elizabeth tornou-se quieta, seu brilho de repente sombreou.

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Em setembro, o palácio emitiu uma declaração negando os rumores de um noivado. Também foi decretado que Elizabeth e sua irmã acompanhariam seus pais numa viagem à África do Sul, no início de 1947.
O príncipe Philip não estava no local. Portanto, foi uma princesa tranquila e submissa – com então 20 anos de idade – que se encarregou de recolher seus vestidos para a viagem de quatro meses. Embora Philip não estivesse em Londres na véspera de sua partida, sua lembrança a rodeou por todas as noites. Para muitos, a separação não mudaria nada: Elizabeth era uma jovem que amava com muita intensidade.

Elizabeth escrevia constantemente, da África do Sul, para Philip. E ao longo da viagem, ela colocou uma fotografia dele, em sua penteadeira.
Quando ela finalmente voltou, estava magra, retraída e pálida. Sua dama de companhia  disse que, quando seu navio entrou no porto, Elizabeth dançou um pouco de puro prazer.
Logo, o pequeno carro esporte de Philip voltou a ser visto constantemente na entrada lateral do palácio.
E finalmente chegou o dia em que Elizabeth recebeu um anel de compromisso e o noivado tornou-se por fim oficial.

O dia do casamento real logo chegou. Crawfie, foi cedo para o quarto de Elizabeth, e a encontrou de roupão, espiando para as multidões, excitadamente pelas janelas.
– Não acredito que esteja acontecendo, Crawfie – disse ela. – Tenho que continuar me beliscando.

Se Elizabeth estava nervosa, ela não demonstrou, enquanto lentamente deslizou com leves passadas pela nave da Abadia de Westminster, ao lado de seu pai. Seu véu era uma nuvem branca que caia sobre ela, e a luz dos altos vitrais e candelabros, refletiam vivamente nos bordados de jóias em seu vestido. Depois, não houve longos discursos: o rei foi breve e Philip tinha pouco a dizer. Enquanto isso, Margaret parecia pálida, cansada e um pouco triste, e disse para a governanta:

– Oh, Crawfie, não consigo imaginar a vida aqui sem ela – lamentou. – Vou ter que me comportar agora, não é? Não há nenhuma Lilibet por perto, para me manter no meu lugar com um puxão de irmã.

O rei e a rainha vieram falar com a governanta mais tarde:
– Bem, Crawfie – disse o rei. – Acho que ela está feliz, não é?
A governanta respondeu à Rainha, que sentia que também havia perdido uma filha. No que a rainha lhe respondeu:
– Tenho a certeza que sim, Crawfie. Eles crescem e nos deixam, e nós temos que fazer o melhor para eles.

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FONTES:
Esse texto foi traduzido do portal Daily Mail, com base nas crônicas escritas por Marion Crawford (Crawfie), governanta da família real, que ajudou na criação das princesas Elizabeth e Margaret. Ela lançou um livro em 1950, sobre suas experiências com a família real, que, por ser bastante discreta, cortou definitivamente relações com ela. No fim da vida, uma das posses mais preciosas da antiga governanta real, era uma caixa cheia de fotografias reais, cartas, pinturas e poemas das duas princesas.
Talvez como oferta de paz, Crawfie – que morreu em 1988 – deixou tudo para ‘Lilibet’ em seu testamento.

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