10 Reis e Rainhas da Inglaterra que tiveram seus corpos exumados

A recente localização do sepultamento dos restos mortais do último monarca yorkista e último da dinastia Plantageneta, Ricardo III, cativou a imaginação do público; ele saiu diretamente das páginas dos livros de história, para o mundo moderno. No entanto, Ricardo não foi o primeiro monarca a contemplar seus restos mortais exumados séculos após sua morte. Neste artigo listaremos outros reis e rainhas da Inglaterra, cujo os restos mortais também foram descobertos e exumados, seja de modo proposital, ou acidental.


1. Eduardo, o Confessor:
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Eduardo, o Confessor, foi o penúltimo monarca anglo-saxão da Inglaterra, reinando de 1042 a 1066. O maior projeto de construção de seu reinado foi a Abadia de Westminster, que foi erigida como uma igreja para sepultamentos reais, sendo concluída apenas após sua morte, em meados de 1090. A abadia tal como era no reinado de Eduardo, foi severamente modificada em 1245, por ordens de Henrique III, dando lugar a Abadia que conhecemos atualmente.

Segundo o historiador inglês, Frank Barlow, Eduardo, que viveu por volta de 61 anos, possuía uma saúde vigorosa até ser acometido por um fatal acidente vascular cerebral, em 5 de Janeiro de 1066. Ele foi enterrado na então incompleta Abadia de Westminster, um dia após sua morte, na quinta-feira, dia 6 de Janeiro; seu cortejo fúnebre pode ser visto na tapeçaria de Bayeux. No mesmo dia, seu sucessor, Haroldo II da Inglaterra, foi coroado. Mais tarde neste mesmo ano, Haroldo foi derrotado e morto pelos Normandos, liderados por William (Guilherme) o Conquistador, na Batalha de Hastings. Eduardo, o Confessor, foi canonizado quase um século mais tarde, em 1161, pelo Papa Alexandre III. Na idade média, Santo Eduardo foi  reverenciado como um dos santos nacionais da Inglaterra, mas seus restos mortais não descansaram em paz.

Henrique I e sua rainha metade saxã, Matilda da Escócia, sobrinha-neta de Eduardo, abriram seu túmulo em 1102. Foi relatado que o cadáver real encontrava-se em estado incorrupto, considerado como evidência de santidade. Dizem que o Bispo Gundulf, que estava presente na época, arrancou um fio de cabelo da longa barba branca de Eduardo, ato pelo qual ele recebeu uma severa repreensão do Abade de Westminster.

O caixão de Eduardo foi mais uma vez aberto por Henrique II, em 1163. Seu corpo foi encontrado envolto em pano de ouro com uma mitra de mesmo material bordada em seu peito. Seu cadáver foi retirado e o pano de ouro removido. Os restos foram então envoltos em um pano de seda, colocados em um caixão de madeira e realocados para um novo sepulcro no local, em uma cerimônia presidida por Thomas Becket, então arcebispo de Canterbury. Segundo o escritor inglês, Elredo de Rievaulx, em seu trabalho “Vida de São Eduardo, Rei e Confessor” de 1163, um anel, que mais tarde seria visto como um dos símbolos de sua santidade, foi o único objeto original retirado de seu cadáver. Henrique II mandou confeccionar ”três esplêndidas vestes sacerdotais”com o pano de ouro.

O caixão de Eduardo foi aberto mais uma vez em 1685, quando operários estavam retirando o andaime usado na cerimônia de coroação de James II. Uma viga caiu, colidindo com seu caixão. Um ricamente ornamentado e esmaltado crucifixo e corrente de ouro foram descobertos sob os ossos do ombro de Eduardo, e entregues para James II. Segundo relatos, os pertences foram roubados quando o monarca fugiu às pressas da Inglaterra, em 1688.

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2. Rei João:
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Rei João, mais conhecido como João Sem-Terra, foi filho de Henrique II da Inglaterra e sua esposa, Eleanor de Aquitânia. Ele foi rei da Inglaterra a partir de 1199, até sua morte em 1216. João perdeu o ducado da Normandia em suas guerras com a França, e uma revolta senhorial no final do seu reinado levou à criação da Magna Carta.

Ele estava em campanha para acabar com a rebelião dentro de seu reino em setembro 1216, quando contraiu disenteria na Anglia Oriental. Foi dito que neste momento ele perdeu uma parte significativa de sua comitiva de bagagem, incluindo as joias da coroa, enquanto atravessava o estuário de Wash, sendo sugadas pela areia movediça. Quando chegou até o castelo de Newark ele foi incapaz de seguir viagem, morrendo na noite de 18 de Outubro de 1216. Seu corpo foi escoltado ao sul por uma companhia de mercenários, e ele foi enterrado na catedral de Worcester.

O túmulo de João foi aberto em 1797, para um estudo de antiquário. Um manto de damasco carmesim originalmente cobria seu corpo, mas a maior parte do bordado havia se deteriorado. Os restos de uma espada e partes de uma bainha estavam ao seu lado. Ele media por volta de 1,65 de altura.


3. Eduardo I:

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Eduardo I, também conhecido como Eduardo Pernas-Longas (considerado um homem alto em sua época) e Martelo dos escoceses, foi rei da Inglaterra a partir de 1272 até 1307. Ele seguia rumo à guerra na Escócia, quando desenvolveu disenteria, vindo a falecer no dia 07 de julho de 1307. Seu corpo foi embalsamado e enterrado na Abadia de Westminster.

O túmulo de Eduardo foi aberto em 1774 pela Sociedade de Antiquários, com a permissão do decano de Westminster. Eles encontraram o corpo envolto em um grosso pano de linho, encerado e com a cabeça coberta com um tecido tafetá carmesim. O rei estava ricamente trajado com uma túnica de seda de damasco vermelho e com uma estola de um tecido grosso no peito, com filigramas de metal dourado e pedras semi-preciosas. Sobre essas roupas, ele usava um rico manto real de cetim vermelho. Da cintura para baixo ele estava coberto com um tecido de ouro. Em sua mão direita estava um cetro com uma cruz de cobre dourado. Em sua mão direita estava um bastão com provavelmente 1,52 de comprimento com uma pomba em esmalte branco. Em sua cabeça havia uma coroa de metal dourado. Quando a coroa foi retirada de seu crânio, ele pareceu deteriorado, mas seu rosto e mãos pareciam intactos.

Eles mediram o esqueleto, que tinha 1,88 de altura.

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Esboço de 1774, da exploração da tumba de Eduardo I da Inglaterra.

4. Ricardo II:

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Ricardo II ascendeu ao trono inglês aos dez anos de idade, em 1377, e reinou até 1399. O primeiro grande desafio de seu reinado foi a Revolta dos Camponeses em 1381, que obrigou o jovem monarca, com então 14 anos de idade, a desempenhar um importante papel em uma bem sucedida supressão. Ricardo foi então deposto por Henrique de Bolingbroke, que havia coroado-se como o rei Henrique IV da Inglaterra.

Ricardo morreu em cativeiro no Castelo de Pontefract, em fevereiro 1400; alguns pesquisadores acreditam que ele possa ter morrido de inanição, embora não se saiba a causa exata de sua morte. Seu corpo foi levado ao sul de Pontefract e exibido na antiga Catedral de St Paul antes de seu funeral na igreja de Kings Langley, em Hertfordshire. Em 1413, Henrique V – em um esforço para expiar o ato de assassinato de seu pai – transladou o corpo de Ricardo de Kings Langley para seu local de descanso final, na Abadia de Westminster, onde os restos mortais de sua esposa, Ana, já haviam sido sepultados.

O túmulo foi aberto em 1871, durante um trabalho de restauração do local. Os crânios do rei e da rainha eram visíveis, e nenhum sinal de violência foi encontrado em ambos. Os  esqueletos encontravam-se em estado quase perfeito, com parte da arcada dentária preservada. Duas coroas de cobre dourado que sabiam ter sido enterradas com os corpos (a partir de uma abertura anterior do túmulo, datada do início do século XIX) haviam desaparecido, mas um bastão, cetro, parte de um orbe, dois pares de luvas reais e fragmentos de seus sapatos de bico, ainda permaneciam no local.

Uma série de artefatos foi retirada do túmulo em 1871, sendo encontrada recentemente em uma caixa de cigarros na National Portrait Gallery de Londres. O conteúdo da caixa, que data de 31 de Agosto de 1871, incluía fragmentos de madeira (possivelmente do próprio caixão), alguns tecidos, e um pedaço de couro de uma das luvas reais.

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5. Catarina de Valois:

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Catarina de Valois, esposa do monarca Henrique V, foi rainha consorte da Inglaterra a partir de 1420, até a morte de seu marido, em 1422. Seu filho de 9 meses de idade, herdou a coroa como Henrique VI. A jovem rainha viúva iniciou então um relacionamento (que pode ter ocasionado em um matrimônio secreto) com o cortesão galês, Owen Tudor. Seu neto, Henrique (futuro Henrique VII da Inglaterra), viria a fundar a dinastia Tudor, que reinou na Inglaterra de 1485 até 1603.

Catarina morreu em Londres, no dia 03 de janeiro de 1437, logo após o parto, e foi enterrada na Abadia de Westminster.

Em 1667 o cadáver de Catarina foi exibido para os visitantes que estavam dispostos a pagar os encarregados da Abadia. O famoso cronista, Samuel Pepys, registrou o dia em que ele levou sua esposa e filhas para a Abadia de Westminster e pode beijar o cadáver:

“Eu agora levei-os para a Abadia de Westminster, e lá finalmente mostrei-lhes todas as tumbas, estando uma pessoa sozinha conosco esse dia para ver as tumbas, sendo terça-feira de carnaval; e aqui nós vimos, com uma permissão especial, o corpo da rainha Catarina de Valois; e eu tive a parte superior de seu corpo em minhas mãos, e beijei sua boca, refletindo sobre o fato de que eu beijei uma rainha, e que era meu aniversário, trinta e seis anos de idade, quando eu dei meu primeiro beijo em um rainha’’.

Veja a efígie funerária de Catarina de Valois, clicando aqui.

 


6. Eduardo IV:

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Eduardo IV foi rei de Inglaterra de 1461 até outubro de 1470, e novamente a partir de abril 1471, até sua morte, em 1483. A primeira metade de seu reinado foi marcada pelos conflitos associados à Guerra das Rosas.

Quando sua saúde começou a falhar seriamente em 1483, com seu filho de 12 anos de idade, como o próximo na linha sucessória, Eduardo nomeou seu irmão Ricardo, Duque de Gloucester, que em breve se tornaria Ricardo III, para atuar como Lord Protetor após sua morte.

Não sabe-se o que de fato causou a morte de Eduardo IV – alguns sugeriram pneumonia, febre tifóide, ou até mesmo veneno. O respeitado Dr. Clifford Brewer, membro do Royal College of Surgeons, em seu livro ‘’The Death of the Kings’’, aponta como a provável causa da morte, broncopneumonia, pleurisia, ou até derrame pleural. No entanto, sua morte também pode ter ocorrido devido ao seu estilo de vida pouco saudável e sedentário nos anos que antecederam sua morte. Ele faleceu no dia 09 de abril de 1483 e foi enterrado na Capela de St George.

Seu túmulo foi redescoberto em 1789, durante os trabalhos de restauração no local. Quando o caixão de chumbo foi aberto, alguns longos cabelos castanhos foram encontrados perto de seu crânio, com um cabelo mais curto de mesma coloração, na base do pescoço. Na parte inferior do caixão foi encontrado um líquido escuro, que imergia os pés do cadáver a uma profundidade de 3 polegadas. Um médico em Windsor analisou o líquido e concluiu que era resultado dos fluídos de decomposição do cadáver. Após a descoberta da tumba, muitas relíquias foram removidas, incluindo mechas de cabelo do rei e um frasco contendo um pouco do líquido do caixão.


7. Eduardo V (alegadamente):

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Eduardo V foi rei de Inglaterra a partir da morte de seu pai, Eduardo IV, em 09 de abril de 1483, até 26 de junho do mesmo ano. Ele nunca foi coroado, e seu reinado de 86 dias foi dominado pela influência de seu tio e Lord Protetor, Ricardo, Duque de Gloucester, que o sucedeu como Ricardo III da Inglaterra.

Ele e seu irmão mais novo, Ricardo, Duque de York, ficaram conhecidos como os “Príncipes na Torre”, que desapareceram após terem sido enviados à Torre de Londres. Embora em grande parte devido à anti-propaganda Tudor, muitos atribuam a morte dos jovens ao monarca Ricardo III, não sabe-se quem os matou ou como eles de fato morreram.

Em 1674 operários da remodelação da Torre de Londres, desenterraram uma caixa de madeira contendo dois pequenos esqueletos humanos. Os ossos foram encontrados enterrados a aproximadamente 3 metros sob a escada que leva à capela da Torre Branca. Uma denúncia anônima foi que eles foram encontrados com “pedaços de pano e veludo sobre eles”; o que segundo a lei suntuária, poderia indicar que os corpos eram de aristocratas. Quatro anos após a sua descoberta, os ossos foram colocados em uma urna e, sob as ordens do rei Charles II, enterrados na Abadia de Westminster, em um sarcófago desenhado por Sir Christopher Wren, com a inscrição em latim: “Estes irmãos foram confinados à Torre de Londres e foram sufocados com travesseiros, sendo privada e mesquinhamente enterrados por ordem de seu pérfido tio, Ricardo, o Usurpador”.

Os ossos foram removidos e examinados em 1933, pelo arquivista da Abadia de Westminster, Lawrence Tanner; um chefe anatomista, Professor William Wright, e o presidente da Associação Dental, George Northcroft. Ao medir certos ossos e dentes, eles concluíram que pertenciam à duas crianças em idades semelhantes a dos príncipes. Os ossos foram enterrados de modo descuidado, juntamente com ossos de frango e de outros animais, bem como junto de três pregos bastante enferrujados. Um esqueleto era maior do que o outro, mas grande parte das ossadas estavam faltando, incluindo parte do maxilar e todos os dentes do esqueleto maior; muitos dos ossos também haviam sido quebrados pelos operários originais. Nenhuma outra análise científica foi realizada sobre os restos, que permanecem na Abadia de Westminster.

A descoberta dos restos de Ricardo III, no terreno de um estacionamento em Leicester em 2012, e seu extenso teste de DNA, poderia resolver a questão sobre o parentesco destes restos mortais. No entanto, a Igreja da Inglaterra, apoiada pela rainha Elizabeth II, repetidamente recusa-se a permitir testes forenses nos ossos das crianças, alegando que isso poderia criar um precedente para testar teorias históricas que levariam a vários desentendimentos reais. Deste modo, a identidade destes ossos, permanece um mistério.


8. Ana Bolena:

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Ana Bolena foi a segunda esposa de Henrique VIII e rainha consorte da Inglaterra, de 1533 até 1536. O interesse do monarca inglês em desposá-la, seguido da falha de Catarina de Aragão em prover-lhe um herdeiro varão, foram um dos motivos que ocasionaram a ruptura da Inglaterra com a igreja de Roma.

Assim como sua antecessora, Ana Bolena não gerou um herdeiro varão e sim, uma menina, nomeada Elizabeth (futura Elizabeth I da Inglaterra).

Após uma série de interrogatórios entre cortesãos e pessoas próximas à rainha, iniciados entre Abril e Maio de 1536, Ana Bolena foi acusada de traição, incesto, e adultério. No início de Maio do mesmo ano, Mark Smeaton (músico da casa real de Ana), William Brereton, Goerge Bolena (irmão de Ana Bolena), Francis Weston e Henry Norris (cortesãos da câmara privada do Rei) foram presos acusados de traição e adultério com a rainha. No dia 17 de Maio, os homens acusados foram executados, e o casamento de Ana Bolena com o rei, foi considerado nulo. No dia 20 de Maio de 1536, Henrique ficou noivo da antiga de dama de companhia de Ana Bolena, Jane Seymour, a quem havia mostrado interesse na reta final de seu segundo matrimônio, vindo a desposá-la 10 dias depois.

Ana Bolena foi executada dois dias depois, na manhã do dia 19 de Maio de 1536. Ao subir no cadafalso, ela proferiu o seguinte discurso:

”Bom povo cristão, vim aqui para morrer, de acordo com a lei e segundo a lei julgou-me para morrer e portanto, nada direi sobre isto. Não vim aqui para acusar nenhum homem, nem para falar nada sobre isto, de que sou acusada e condenada a morrer; apenas rezo a Deus para que salve o Rei e que ele tenha um longo reinado sobre vós, pois nunca existira príncipe mais misericordioso; e para mim foi sempre um bom e gentil senhor e soberano. Se alguma pessoa interessar-se em minha causa, peço-lhes que julguem o melhor. E assim deixo este mundo e todos vocês e cordialmente peço que rezem por mim. Ó senhor, tenha misericórdia de mim, a Deus, eu entrego minha alma…A Jesus Cristo eu entrego minha alma; Senhor Jesus, receba minha alma.”

Historiadores apontam que Ana evitou criticar o monarca em seu último discurso, a fim de preservar sua filha Elizabeth e sua família das demais consequências de sua queda. Na noite antes de sua execução, ela jurou “a perigo da condenação de sua alma”, antes e após receber a Eucaristia, que era inocente de todas as acusações – um ato grave caso fosse mentira, uma vez que aquele era um período e contexto altamente religioso.

Segundo seu famoso biógrafo, Eric Ives, três quartos das acusações específicas de ligações adúlteras realizadas nos autos do período contra Ana, podem ser desacreditadas mesmo hoje, 500 anos depois.

Ana foi decapitada por uma espada manejada por um carrasco francês, vindo de Calais, conforme a vontade do monarca.

Segundo registros do período, o carrasco pegou sua espada escondida sob uma pilha de palha, tendo alertado de antemão ao garoto que estava ao seu lado o que fazer; deste modo, para que Ana Bolena não pudesse suspeitar, o carrasco voltou seus passos e gritou ”traga-me a espada”. Ana virou o rosto, seguindo o som de sua voz e o carrasco fez um sinal com a mão direita para que o garoto lhe desse a espada, e sem ser notado pela senhora, cortou sua cabeça rapidamente.

Após sua execução, seu corpo foi levado por suas damas de companhia, colocado dentro de uma caixa de arcos e enterrado sem nenhum tipo de cerimônia em St Peter ad Vincula, Catedral localizada no complexo da Torre de Londres. Ela foi enterrada em uma cova sem marcação dentro da capela.

Em 1876, descobriu-se que pavimento da capela havia afundado em dois lugares e teria de ser substituído.

Quando o pavimento foi levantado, os ossos de uma mulher foram encontrados a uma profundidade de cerca de dois pés, não na posição original, e sim, evidentemente por algum motivo, amontoados em um espaço menor.

Os ossos foram examinados pelo Dr. Mouat, que anunciou que eram uma mulher entre 25 e 30 anos de idade, de estrutura delicada, e que havia possuído proporções esbeltas e perfeitas; a testa e maxilar inferior eram pequenos e especialmente bem formados. Segundo ele, as vértebras eram particularmente pequenas, especialmente uma articulação (o atlas), que estava disposta ao lado do crânio. Ele disse também que a Rainha possuía um pescoço pequeno.

Segundo Mouat, os dados fornecidos pelo esqueleto eram todos consistentes com as descrições publicadas da Rainha, e os ossos do crânio podiam muito bem pertencer à pessoa retratada no suposto esboço de Ana Bolena feito por Hans Holbein, na coleção do Conde de Warwick. Um cuidadoso exame dos ossos dos dedos da mão, não mostrou qualquer evidência de um sexto dedo ou qualquer tipo de malformação.

Os Restos mortais de Catarina Howard, quinta esposa de Henrique VIII, executada por traição e também sepultada no local, não foram encontrados. A explicação dada foi que, devido ao fato de Catarina ser muito jovem na época de sua morte (tendo por volta de 19 anos), seus ossos ainda não estavam ”duros e consolidados” e deste modo, a cal utilizada nos enterros, fez com que eles rapidamente se deteriorassem e virassem pó.

Leia mais, aqui.


9. Eduardo VI:

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Eduardo VI, foi filho de Henrique VIII com sua terceira esposa, Jane Seymour. Ele foi coroado rei em 1547, aos nove anos de idade. Seu reinado foi marcado por problemas econômicos e agitação social que, em 1549, entrou em erupção com tumultos e rebeliões no reino.

A crença comum é que Eduardo era uma criança adoentada. No entanto, apesar de uma forte febre aos 4 anos de idade, os historiadores recentes acreditam que ele gozava de boa saúde, até os últimos anos de sua vida. Em fevereiro de 1553, com 15 anos de idade, Eduardo caiu doente com febre e tosse (provavelmente tuberculose), que piorou gradualmente. Ele morreu no Palácio de Greenwich, em 07 de julho de 1553 e foi enterrado na Lady Chapel de Henrique VII, na Abadia de Westminster.

Em 1871, havia preocupações de que alguns dos jazigos reais debaixo da abadia estivessem se deteriorando. Com a permissão da rainha Vitória, várias valas foram abertas e examinadas, entre elas, a de Eduardo, que foi descoberta por acaso. Como só havia um caixão em sua câmara, ele foi examinado. O caixão estava em más condições devido ao tempo e danos causados pela umidade. O revestimento de chumbo do compartimento, parece ter sido a única parte que mantinha o conjunto ligado. Sem perturbar os restos mortais reais, observou-se que eles estavam visíveis, assim como os restos de uma boina. Havia uma chapa com inscrições em latim na tampa do caixão, que afirmavam que os restos mortais eram de Eduardo VI.


10. Charles I:

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Charles I foi monarca da Inglaterra, Escócia e Irlanda a partir de 1625, até sua execução em 1649. Ele acreditava no direito divino dos reis e seu reinado foi marcado por suas disputas com o Parlamento da Inglaterra, que procurou refrear seus poderes. Esta última análise, levou à Guerra Civil Inglesa entre as forças royalistas de Charles e forças parlamentares lideradas por Oliver Cromwell. Charles foi derrotado e preso, em seguida, julgado e condenado por alta traição, em janeiro 1649.

A sentença de morte de Charles por decapitação, foi marcada para 30 de janeiro de 1649. Na fria manhã de sua execução, ele usava duas camisas para não tremer de frio, a fim de evitar que a multidão confundisse seus tremores com um sinal de medo. Ele caminhou sob a guarda do Palácio de St James até o Palácio de Whitehall, onde um andaime foi erguido em frente ao Banqueting House. De pé no cadafalso, ele fez seu último discurso (em grande parte inaudível para a multidão barulhenta), que concluiu:

“Partirei de uma Coroa corruptível para um incorruptível, onde nenhuma pertubação existirá…”

Sua cabeça decapitada, foi levantada por seu longo cabelo e exibida para a multidão. Após sua execução, seu corpo foi embalsamado, colocado em um caixão de chumbo e levado para o enterro na capela de St George, no castelo de Windsor (seu sepultamento na Abadia de Westminster, foi recusado pelo novo regime), onde foi colocado para descansar ao lado da caixão de Henrique VIII e sua consorte, Jane Seymour.

O caixão de Charles foi reaberto em 1813, na presença do então Príncipe Regente. Ele trazia a inscrição “1648 Rei Charles” (na Inglaterra até 1752, o ano novo era comemorado no dia 25 de março, assim, de acordo com o calendário Inglês do período, a execução do Rei ocorreu em 1648 e não 1649).

Quando uma abertura quadrada foi feita na tampa, eles descobriram um deteriorado caixão de madeira e o corpo cuidadosamente embrulhado em tecido, que havia sido embebido em uma resina oleosa. Quando o pano foi removido do rosto, a pele jazia sem coloração, mas os músculos da testa e têmporas estavam intactos. A cartilagem do nariz havia sumido, o olho esquerdo estava aberto e cheio, porém, deteriorou-se rapidamente sobre a exposição.

A barba pontuda Charles estava perfeitamente preservada. O formato de seu rosto era longo e oval, e muitos dos dentes estavam preservados, assim como sua orelha esquerda. A cabeça estava solta, e por isso foi retirada e analisada. A parte de trás de seu couro cabeludo possuía uma aparência incrivelmente fresca; os poros de sua pele estavam salientes, e os tendões e ligamentos do pescoço estavam firmes. O cabelo era espesso na parte de trás da cabeça, e verificou-se ser de uma coloração castanho escura brilhante; A barba era de um castanho avermelhado. O cabelo foi cortado, sugerindo que foi feito tanto para a conveniência do carrasco, quanto a fim de evitar que mechas fossem retiradas como relíquias. A quarta vértebra cervical havia sido cortada perfeitamente bem pelo machado do carrasco.

Leia mais: aqui.

 

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Da esquerda para a direita, caixões de Charles I, Henrique VIII e Jane Seymour.

FONTES:
Abroad in the Yard – The corpses of 10 Kings and Queens of England exhumed centuries after death – Acesso em 2016: AQUI.

BREWER, Clifford Brewer. The Death of Kings: A Medical History of the Kings and Queens of England: Abson Books London, 30 de Janeiro de 2000.

MORILLO, Stephen .The Haskins Society Journal 12; Studies in Medieval History 2002: Boydell Press, Boydell & Brewer, 2003.

BARLOW, Frank. Edward the Confessor (English Monarchs); Yale University Press: 28 de Junho de 2011. 



 

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