A Aliança Auld – Escócia e França

A mais famosa conexão da Escócia com a Europa continental foi a Aliança Auld, com a França. Datada de 1295/6, a Aliança Auld foi construída a partir de interesses franco-escoceses comuns, contra os agressivos planos de expansão da Inglaterra. Elaborada em Paris, por John Balliol da Escócia e Filipe IV de França, ela foi inicialmente uma aliança militar e diplomática, mas para a maioria da população, trouxe benefícios tangíveis através de trabalhos como mercenários nos exércitos da França e, claro, um fornecimento estável e a melhor escolha dos vinhos franceses.

Os escoceses e os franceses já mantinham negociações durante séculos. O rei David I no século XII, havia trazido famílias Normandas para a Escócia. Lã de ovelha escocesa também era enviada para Flandres e vinhos da França importados para Leith.

Como resultado, o rei da França, Filipe o Belo, concordou com a aliança e decidiu casar sua sobrinha, Jeanne de Valois, com Edward Balliol, filho do Rei John Balliol e herdeiro do trono dos escoceses. No entanto, o casamento não ocorreu.

A peça ”Henrique V’’ de William Shakespeare, retrata a batalha de Agincourt em 1415, como uma das maiores vitórias militares da Inglaterra. Para os franceses, ela foi um desastre que quase levou ao colapso de seu reino. Em sua hora mais sombria, o Dauphin virou-se para os escoceses, inimigos da Inglaterra, a fim de buscar melhores termos para tal situação.

Entre 1419 e 1424, 15.000 escoceses partiram do rio Clyde para lutar na França. Em 1421 na Batalha de Bauge, os escoceses dividiram uma derrota esmagadora contra os ingleses, que culminou com a morte do Duque de Clarence.

Honras e recompensas foram amontoadas pelos franceses para o exército escocês. O conde de Douglas recebeu o ducado real de Touraine e o exército escocês viveu bem da terra, para o grande desgosto do campesinato francês.

No entanto, sua vitória foi de curta duração; em Vernuil em 1424, um exército escocês de 4.000 homens foi aniquilado. Como mercenários eles não teriam esperado qualquer misericórdia, e aqueles que acabaram sendo capturados, foram mortos no local. Apesar de sua derrota, os escoceses haviam trazido à França um valioso tempo de rescaldo, que efetivamente os salvou de um dominação inglesa.

Muitos escoceses continuaram a servir na França. Eles auxiliaram Joana d’Arc, em seu famoso cerco de Orleans e muitos passaram a formar a Garde Ecossais, a feroz e leal guarda-costas dos reis franceses, que encontrava-se no cerne político daquele reino.

Muitos mercenários escoceses estabeleceram-se na França, embora continuassem a pensar em si como escoceses. Um deles foi Beraud Stuart de Aubigny: membro da terceira geração imigrante escocesa, Capitão da Garde Ecossais a partir 1493-1508, e herói das guerras italianas da França. Até hoje ele e outros heróis escoceses da Aliança Auld são celebrados em um evento anula na cidade natal de Beraud, Aubigny-sur-Neve.

O Vinho:
A Aliança Auld não foi simplesmente uma aliança militar; ela foi fundamentada em uma amizade de longa data, baseada no amor escocês pelo vinho francês.

A assinatura da Aliança Auld, em 1295, pode ter dado aos escoceses o apoio francês contra a Inglaterra e vice e versa, mas também deu aos comerciantes escoceses, o privilégio de selecionar em primeira mão, a escolha dos melhores vinhos de Bordeaux – um privilégio que foi avidamente protegido por centenas de anos, para o grande incômodo dos ingleses apreciadores de vinho, que receberam um produto inferior.

O vinho francês era desembarcado no Wine Quay de Leith e seguia rumo as cavernas dos mercadores, atrás da orla. O vinho que desembarcava era destinado principalmente à elite da sociedade escocesa, uma vez que a maioria dos plebeus bebia uísque ou cerveja; no entanto, parece ter sido popular entre todas as camadas sociais, durante as celebrações de Hogmanay.

O comércio, especialmente de vinho, tinha uma tendência de mover-se em face das mudanças e alianças políticas. Após a Reforma, a Aliança Auld não era mais viável entre a Escócia protestante e a França católica, mas o comércio de Claret continuou. As pessoas simplesmente continuaram a beber do vinho.

Um exemplo deste processo pode ser visto no destino pós-Reforma do St Anthony’s Fund: um fundo de caridade levantado através do comércio de vinho. O fundo simplesmente converteu-se ao protestantismo pelo rei James VI (filho de Mary Stuart) e passou para a antiga igreja paroquial de Leith.

Tão tarde quanto a década de 1670, os comerciantes escoceses ainda iam para Bordeaux a fim de obter a sua primeira escolha de vinho. Mesmo após 0 ”Tratado de União’’ na Inglaterra em 1707, os escoceses continuaram a contrabandear Claret para a Escócia, a fim de evitar impostos. Escoceses de todos os quadrantes, Jacobinos ou Hanoverianos, continuaram a beber Claret, de preferência o patriótico Porto.

FONTE:
BBC.UK: AQUI.
Education Scotland: AQUI.
Manchester: AQUI.

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