Scota: A “Mãe” da Escócia

 

Serendipidade: É a palavra que designa a capacidade de fazer descobertas felizes por acaso. Você não ama quando isto ocorre?

Estava eu na livraria, à procura de uma história cativante, quando descobri o livro “Saxões, vikings e celtas” por Bryan Sykes. O título parecia intrigante, então eu comprei. O livro ficou na estante, em casa, até que certo dia eu havia terminado o que estava lendo e ao buscar uma nova leitura, o título novamente chamou-me à atenção.

Que agradável surpresa foi este livro! Bryan Sykes é professor de Genética Humana da Universidade de Oxford, na Inglaterra e, desde abril de 2000 desenvolve em seu laboratório estudos sobre as raízes genéticas de povos britânicos e de várias partes do mundo. Ele teria descoberto que o DNA dos povos britânicos e outros povos europeus, poderia ser classificado em sete grupos básicos. Com base nisto, ele levantou a hipótese de que estes sete grupos teriam vindo a partir de sete mulheres ancestrais. Ele chamou essas mulheres de as “sete filhas de Eva” e, como ‘mães’ dos povos britânicos e europeus as concedeu os seguintes nomes: Helena, Tara, Jasmim, Xenia, Velda, Katherine e Ursula. Ele descobriu que 95% dos europeus poderiam ser rastreados até essas antigas matriarcas e determinados por mutações no DNA. Estas mulheres vieram de vários lugares, entre o período de 45.000 a 17.000 anos atrás. Em um desses rastreamentos, ele determinou que os ancestrais dos Irlandeses vieram da Península Ibérica, detalhe que despertou meu interesse.

Busto que supostamente atribui como representação de Scota
São várias as teorias sobre quem foi Scota, uma delas afirma que ela seria uma das filhas de Akhenaton, o “faraó” herege e sua esposa, Nefertiti. Na imagem, busto de Meritaten.

Sykes explicou que havia monges cristãos na Irlanda que queriam “tecer um elo” entre as mitologias pagãs e o cristianismo, a fim de convencer os nativos a se tornarem adoradores de Cristo. Os monges escreveram uma crônica chamada “Leabhar Gabhala”, que mapeou os padrões de migração dos antepassados dos Gaels na Irlanda. De acordo com o “Leabhar Gabhala”, esses ancestrais foram os filhos de Mils, que também era conhecido como Mile Easpain ou o “Soldado da Espanha.  Mils era um descendente direto de Fennius Farsa, um rei citiano que perdeu seu trono e fugiu para o Egito. Ele fez o seu caminho para a Espanha e seu sobrinho foi  para a Irlanda, mas acabou morto pelos mestres tribais anteriores do local. Então Mils foi para a Irlanda com sua esposa egípcia Scota e seus três filhos para vingar a morte de seu sobrinho. Ele e Scota foram mortos lá, mas seus filhos sobreviveram e acabaram por governar a  Irlanda.

Os Gaels (celtas) consideravam Scota sua mãe ancestral e se nomearam-se “Scots” em homenagem à ela. A crônica escrita pelos monges tornou-se  lenda e apresenta a informação de que Scota era a “filha de um Faraó”. Isso explica como ela poderia ter encontrado Mils, tornado-se sua esposa, mudado-se para Espanha e acabado na Irlanda. Seus descendentes gaélicos atravessaram o Mar da Irlanda rumo à Escócia e estabeleceram-se lá. Deste modo, você tem o início da civilização escocesa.

gravura medieval que representa a chegada de Scota
Gravura medieval que representa a chegada de Scota.

Então, ao fazer algumas leituras em outro livro sobre uma rainha escocesa medieval, o autor, Henry Cinza Graham mencionou Scota e explica que, como ela veio do Egito, trouxe consigo uma pedra chamada “Lia Fail” ou “A pedra do destino”. Parte do rito da coroação dos reis da Inglaterra, inclui o monarca sentar-se na cadeira da coroação, que possui uma pequena abertura abaixo do assento, que detém a Pedra de Scone, significando que o monarca governa a Escócia, bem como Inglaterra. Graham disse que a Pedra de Scone era nada menos que “Lia Fail”, a rocha que Scota trouxe consigo do Egito. De acordo com a lenda, os povos escoceses eram descendentes de uma princesa egípcia e eles possuem sua pedra como prova! Uma lenda fascinante de fato!

Claro, a Pedra do Scone está envolta em mistério, lenda e mitologia. Ela não estava realmente ligada à Scota até o início do século XIV, e, passou a estar no intuito de aumentar a importância dela para a história do povo escocês. O fator preponderante ao analisar o conteúdo dessas obras e estudos, refere-se ao fato de ter sido uma mulher a fundadora do povo escocês. Isso não pode ser negado. Temos o DNA para provar isso.

Referências:

“saxões, vikings e celtas: as raízes genéticas da Grã-Bretanha e da Irlanda” por Bryan Sykes.

Traduzido de: “Scota, The Mother of Scotland” de Susan Abernethy. Disponível em: < https://saintssistersandsluts.wordpress.com/2012/05/28/scota-the-mother-of-scotland/ > acesso em agosto de 2016.

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