A Morte de Henrique VII

Na manhã de um sábado, no dia 21 de abril de 1509, o rei Henrique VII da Inglaterra morreu no Palácio de Richmond. Ele foi o primeiro monarca da Dinastia Tudor e como muitos dos membros de sua polêmica família, Henrique permanece sendo uma das figuras mais fascinantes da era moderna.

Como o historiador Chris Skidmore descreve em seu livro “The Rise of the Tudors”: –

“A realidade da ascensão de Henrique Tudor ao trono – suas escapadas da morte, seus fracassos, ansiedades e a constante incerteza de sua situação não era um conto muito bem-vindo. Mas o que continua a ser tão notável é o fato de que mesmo contra todas as probabilidades, Henrique conseguiu em Bosworth Field a vitória de uma batalha que ele não deveria ter vencido. ”

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Henrique VII após sua decisiva vitória na Batalha de Bosworth.

Após sua ascensão ao trono, Henrique criou um novo símbolo que hoje conhecemos como a “Rosa Tudor”, que nada mais era do que um dispositivo utilizado para exemplificar um conto alternativo que explicasse as raízes do conflito conhecido atualmente por nós como “A Guerras das Rosas”. A guerra foi um conflito muito mais complexo do que aquilo que é dito e envolveu muito mais interessados do que pode-se imaginar. As duas Casas principais, conhecidas como Lancaster e York, tinham muitos emblemas. As rosas branca e vermelha escolhidas por Henrique Tudor para representar ambas as casas, eram apenas alguns deles.
A escolha das rosas como símbolo foi tão eficaz que tornaria-se a representação não apenas da união de ambas as casas, o que ocorreu com o casamento de Henrique VII com Elizabeth de York, mas também passando a representar o direito de seus descendentes.
Em janeiro de 1559, cinquenta anos após sua morte, sua neta, Elizabeth I, fez sua procissão da Torre de Londres até a Abadia de Westminster na véspera da sua coroação, e em seu caminho ela encontrou cinco representações, uma das quais mostravam: –

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Imagem ilustrando a junção das rosas de Lancaster e York, na rosa Tudor.

dois personagens representando o Rei Henrique, 0 Sétimo e sua esposa Elizabeth, filha do rei Eduardo, o Quarto” sentados juntos e por cima de cada uma de suas cabeças, estava a rosa vermelha e branca “e das duas rosas surgiam dois ramos reunidos em um só, que foram dirigidos para cima até uma segunda fase na qual foi colocado um personagem representando o valente e nobre príncipe, o Rei Henrique [VIII]”.

Claramente, a Rosa Tudor era vista não apenas como uma validação para o direito dos seus descendentes ao trono, mas também como algo predestinado por Deus, algo que demostrasse ao povo que com eles, a Guerra das Rosas tinha chegado ao fim e a paz finalmente reinava na Inglaterra. Se isto era verdade ou não e se os nobres acreditavam ou não, é uma outra história, mas ninguém pode negar que foi uma representação eficaz e uma propaganda que convenceu as pessoas de que a guerra tinha chegado ao fim e que esta nova Dinastia lhes traria paz e prosperidade.

Em seu livro “The Perfect Prince”, a historiadora Ann Wroe declara que: –

O principal objetivo de Henrique, quando tornou-se rei em 1485, foi o de estabelecer uma continuidade e tranquilidade através da consolidação de seu reinado. No entanto, sua chegada inicialmente fez muito pouco para resolver os problemas, já que o início de seu governo foi marcado pela propagação da doença do suor que levou muitas pessoas a morte na época. Embora o surto tenha desaparecido tão rapidamente quanto chegou, as pessoas ficaram sem saber o que significava.
Durante as décadas seguintes, Henrique governou com notável cuidado e circunspecção. Sendo auto-suficiente como era e muito desconfiado dos motivos dos outros, ele reuniu o poder principalmente para si e para um círculo de pessoas íntimas que muitas vezes eram homens de sua confiança. Suas instituições favoreciam seu próprio conselho e ele manteve os tribunais especiais sob seu controle, incluindo o Tribunal da Câmara Estrela, do qual até mesmo os magnatas mais poderosos poderiam ser convocados sem medo de desafio.
As grandes casas da Inglaterra, enfraquecidas por décadas de batalhas e muitas agora lideradas por menores de idade, poderiam ser em grande parte controladas. Repetidamente, na esperança de que a lição seria lembrada, Henrique enfatizou que seus súditos deviam lealdade primeiro a ele, e não a qualquer senhor local. Eles também enfatizaram a importância de uma negociação honesta e de como uma restauração de confiança era necessária. Em 1493, foi aprovada uma lei contra desocupados e falsos mendigos e em anos posteriores, Henrique emitiu uma nova e forte cunhagem, incluindo uma moeda de libra-esterlina com seu o rosto de perfil e os pesos padronizados. Com todo este trabalho, a maior parte dos elementos de perturbação e incerteza foram retirados da vida Inglesa.
Embora fosse muitas vezes afável e possuísse um grande amor pela música e pelas artes, Henrique não possuía o toque comum de Eduardo IV e sua personalidade gananciosa o afastava do coração de seus súditos. Sua habilidade em manter a Inglaterra fora de guerras estrangeiras era reconhecida, mas a própria Inglaterra ainda não estava plenamente conformada com a nova Dinastia que Henrique representava. Os pretendentes o perseguiam, e embora muitos tenham sido desprezados como crianças tolas, acabaram por consumir grande parte de sua atenção e energia”

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Elizabeth de York, esposa de Henrique VII.

E ainda assim todo o trabalho duro e meticuloso de Henrique para manter a estabilidade em seu novo reino e firmar seu casamento e sua família, sofreu um enorme revés quando seu filho mais velho e querido herdeiro, Arthur, Príncipe de Gales e Senhor de Snowdonia morreu como resultado da praga no início de abril de 1502. O Rei e sua esposa ficaram totalmente devastados.
“A sombra projetada pela morte de Arthur foi longa e escura” conforme declara Dan Jones, mas não tão escura, acrescentam as historiadoras Amy Licence e Alison Weir, do que a morte de sua esposa, a rainha Elizabeth de York, um ano depois. Suas mortes foram demais para o Rei, que começou a isolar-se cada vez mais do convívio público, saindo apenas para ocasiões de Estado.

Apesar de sua atitude mesquinha após a morte de seu filho e esposa, ele manteve correspondência com sua filha mais velha, cuja afeição torna-se evidente quando ele a consola em uma de suas primeiras cartas, relatando sua saudade de casa. Quando a condição de Henrique piorou, sua mãe (Margaret Beaufort, Condessa de Richmond) que também estava enferma, ordenou que seu filho fosse transferido para Richmond em março.

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Ilustração de Henrique VII em seu leito de morte.

Em seu leito de morte, Henrique tinha feito disposições de 10.000 libras para ajudar a jornada de sua alma na vida após a morte, e a outra metade para presentes e instituições de caridade religiosas.

As últimas agonias do rei começaram na sexta-feira à noite, dia 20 de abril de 1509. De acordo com Leanda de Lisle “O Rei moribundo soluçava enquanto refletia sobre as vidas que ele tinha arruinado.” Margaret trouxe seu confessor, John Fisher, para ouvir sua confissão e dar ao monarca seus últimos ritos. Deste modo, na manhã de 21 de abril, Henrique VII morreu.

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Margaret Beaufort.

Margaret imediatamente começou a realizar os preparativos para a coroação de seu neto, mantendo a morte do Rei em segredo por três dias. Ela organizou uma reunião com seus conselheiros e executores de seu testamento em Greenwich, para discutir, entre muitas coisas, o enterro de seu filho e o período de curta regência durante a menoridade de seu neto, agora Henrique VIII, que completaria dezoito anos em junho daquele mesmo ano. Margaret queria ter certeza de que ele ascenderia de forma segura em seu trono antes de assumir as rédeas do governo.
A reunião aconteceu na Ordem da Jarreteira. Henrique VII estava presente e, mesmo ansioso para iniciar seu novo reinado, ele reconheceu a experiência de sua avó, e respeitou a sua autoridade. Mais tarde naquela noite, a morte de Henrique VII foi anunciada e de acordo com os cronistas contemporâneos, ninguém lamentou muito.

O corpo de Henrique permaneceu em Richmond por duas semanas, até que finalmente foi colocado para descansar na Abadia de Westminster, no interior da Capela de Nossa Senhora, que ele tinha encomendado e construído para ele, sua esposa e seus descendentes. Ele foi enterrado ao lado da rainha Elizabeth de York, no dia 11 de maio de 1509. Acima deles, foi posta uma efígie de ouro maciço, representando o casal.

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Efígie tumular de Henrique VII e Elizabeth de York na Abadia de Westminster.

Hoje, quinhentos e sete anos após sua morte, Henrique VII permanece sendo uma figura controversa, no entanto, a realidade é que o monarca passou mais tempo atrás de uma mesa, supervisionando o desenvolvimento do seu país e o bem-estar de sua família, do que tentando tornar-se um soberano popular. Nós geralmente nos lembramos dos monarcas que antes eram jovens, enérgicos e bonitos e que apesar de causarem tantos problemas depois, ainda se vestiam esplendidamente e gastavam seu dinheiro em grandes frivolidades. E é por isto, que nós tendemos a ignorar os monarcas mais sérios e menos romantizados. A história da vida de Henrique, porém, é tão interessante quanto a de todos os outros monarcas que o antecederam ou o sucederam.

Fontes:

Tudor and Other Histories: AQUI.
Tudor and Other Histories: AQUI.

 

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1 comentário Adicione o seu

  1. Muchas gracias por compartir! Me gusto como lo expandieron.
    Thanks for sharing. I love how you expanded more on it.
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