Dissecando os Retratos de Elizabeth I – The Ditchley Portrait

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Como sabemos, a propaganda Tudor-elisabetana era muito forte, conseguindo perpetuar-se até mesmo após o reinado de sua amada ”Gloriana” e fim da dinastia Tudor. Com base nisto, faremos alguns artigos com análises de seus mais famosos retratos e as propagandas políticas por trás deles.

Elizabeth I – Retrato Ditchley;
Por Marcus Gheeraerts – O Jovem
Óleo sobre tela, 1592 aprox.
National Portrait Gallery – Londres/Inglaterra.

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Marcus Gheeraerts, O Jovem.

Este é o maior retrato de corpo inteiro sobrevivente de Elizabeth I. É também uma das primeiras obras de Marcus Gheeraerts – o Jovem. Seu pai, Marcus Gheeraerts o Velho, foi um pintor elisabetano famoso, conhecido por pintar o ‘Retrato Paz’ de Elizabeth, que também pode ser visto no NPG (National Portrait Gallery). O retrato Ditchley, possuí inúmeras cópias posteriores, a maioria delas, realizadas com as características faciais de Elizabeth I, bastante suavizadas.

Conhecido como o retrato Ditchley, esta famosa pintura marcando o final do reinado de Elizabeth I, foi encomendada por Sir Henry Lee, que havia sido o campeão da rainha, entre os anos 1559-1590.
Lee havia aposentado-se da Corte em 1590, após ter ofendido a rainha por viver livre e abertamente com sua amante.

O retrato Ditchley, foi entregue a Elizabeth, em um pomposo evento nos jardins da casa de Lee, em Ditchley (por esta razão, seu nome) arredores de Oxford, especialmente dedicado a monarca. Ele marcaria o perdão da Rainha para com seu súdito, que estava ”desgarrado” de sua presença.
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Sir Henry Lee de Ditchley.

O retrato – que muito agradou a rainha -, tornou-se um dos ícones políticos da arte elisabetana. Nele podemos ver Elizabeth I, majestosamente em pé sobre o globo, fixando seus pés em Oxfordshire. A sua frente, as nuvens abrem-se gloriosas, dando lugar à luz do sol, enquanto que fora de sua presença – às suas costas – o céu torna-se negro, com nuvens fechadas de tempestade.

O retrato celebra – assim como o soneto nele exposto – os poderes divinos da monarca. Uma esfera armilar de jóia, está pendura na orelha esquerda da rainha, significando seu poder sobre a própria natureza. A esfera tinha sido o emblema de Lee quando este lutou como campeão de Elizabeth.

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Deusa romana Fortuna.

Outra conotação, é especulada entre acadêmicos. Para eles, Elizabeth é representada no retrato, como a deusa romana Fortuna, que em vida terrena, foi alternadamente louvada e desprezada por sua mutabilidade, associada com imprevisibilidade do oceano e clima. Por tal imprevisibilidade, muitos também acreditam que ela adorna a esfera em sua orelha, conotando que seu favor, mudava como o vento.

Pode parecer incongruente que Lee tenha escolhido retratar Elizabeth como uma deusa famosa por sua inconstância. No entanto, o tema principal de seu baile de máscaras de 1592, foi “o triunfo da constância ao longo inconstância”.

O traje da rainha no retrato Ditchley, corresponde ao vestido contemporâneo teatral da deusa da Fortuna, com grandes golas tipo asas em seu vestido e as luvas, recordando a figura alada de Hans Sebald Beham em ‘Fortune” ou ”Infortunium”. Um detalhe importante, é que após a vencer a Armada Espanhola, Elizabeth foi frequentemente comparada a deusa da Fortuna.

elizabethqO vestido é a última moda do período, confeccionado em seda, adornado com um farthingale de roda. Este estilo continuaria brevemente após a morte de Elizabeth, em grande parte porque a esposa de James I, Ana da Dinamarca, usava alguns dos vestidos em que Elizabeth aparecia retratada em suas pinturas.
A rosa que aparece adornada em seu seio, perto de seu coração, conota pureza e religiosidade, como o símbolo medieval da virgem Maria, e foi usada como alusão a Rainha Virgem como a sucessora secular de Virgem Maria; além disto, possuía um simbolismo político referente a sua casa real, os Tudors – que no caso, era representada por uma rosa branca e vermelha, embora a rosa como um todo, fosse o símbolo para a dinastia Tudor.

Captura de Tela 2016-03-13 às 00.17.06A inscrição da pintura instiga o perdão da rainha para com seu fiel súdito. As três inscrições fragmentárias em latim, podem ser interpretadas como:

“Ela dá e não espera” -esquerda -;
”Ela pode, mas não se vinga” -direita-;

”Ao dar de volta, ela cresce” – canto inferior direito;

O soneto fragmentário à direita do retrato, composto por Lee, tem como tema o sol – símbolo da monarca.

É importante ressaltar, que o Retrato Ditchley, nunca foi considerado um retrato oficial de estado, sendo mantido na casa de Lee, até o século XX. Porém, sua alta propaganda, simbolismo e alegorias, fez dele um dos mais fortes retratos políticos da Rainha e um grande símbolo de seu perdão para com seus súditos. A calmaria, após a tempestade…

FONTES:
NPG: AQUI.
Gogmsite: AQUI.
Academia: AQUI.

 

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