Britain’s Bloody Crown: A verdadeira Guerra dos Tronos

“Em termos de TV, a Idade Média é incrível. Na realidade, ela está em toda parte.”

Britain’s Bloody Crown, Dan Jones e a verdadeira Guerra dos Tronos.

A chuva caiu lateralmente contra as paredes do Castelo de Bamburgh por cerca de sete horas.

Estamos todos cansados, molhados, com frio, fome e ânimos exaltados. A fim de aliviar o clima, o cinegrafista finge atropelar o diretor com sua van. Era para ser uma piada, e ele quase conseguiu, mas agora estão todos em ponto de ebulição. Nossa câmera caríssima não está funcionando corretamente e quando o set de filmagens funciona, meu cérebro não. O esforço para lidar com as políticas medievais letais de Northumberland subitamente está tomando seu preço.

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Este foi o primeiro dia de filmagens de minha nova série medieval de TV, “Britain’s Bloody Crown”, e eu comecei a questionar-me se a real Idade Média não poderia ter sido mais confortável. O que diabos estamos fazendo a nós mesmos aqui?

A resposta é realmente muito simples. Na primavera passada fui convidado para adaptar para a TV o meu livro best-seller The Hollow Crown: The Wars Of The Roses And The Rise Of The Tudors, que conta a história de um dos conflitos mais devastadores da história britânica – uma série de guerras que rasgou a nação ao meio durante Idade Média.

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Recon- Rei Eduardo IV e sua esposa, Elizabeth Woodville

O objetivo era fazer quatro filmes que, embora fossem fieis à verdade, seriam uma mistura entre um documentário e um romanceado drama sexy e intensamente sangrento que vemos em séries de grande orçamento como Game Of Thrones – história de fantasia épica da HBO, que acontece em uma Idade Média alternativa, onde a Guerra das Rosas está misturada com magia, dragões e uma desconcertantemente grande quantidade de nudez frontal completa.

Assim como Game Of Thrones, eu gostaria de entregar um roteiro afiado e incisivo, intensamente focado nas relações humanas a fim de que esta, pudesse explicar toda a alta política envolvida.
Acima de tudo, eu queria que os episódios exprimissem minha crença de que a história, quando bem contada, supera qualquer obra de ficção.

Certamente, este é um dos melhores momentos para fazer isto. Em termos de TV, a Idade Média é incrível. Na verdade, ela está por toda parte.
George RR Martin, a mente original por trás Game of Thrones, inspirou-se no século XV inglês. A BBC teve um enorme sucesso com The White Queen, baseada em um romance histórico de Philippa Gregory, e mais recentemente, foi feita uma adaptação de Bernard Cornwell, de The Last Kingdom, que se passa no período anglo-saxão.
Ainda este ano, a BBC2 irá exibir quatro dramatizações das peças históricas de Shakespeare, tendo Benedict Cumberbatch interpretando seu próprio parente distante, Ricardo III.
Até mesmo o cantor pop Ed Sheeran entrou para o mundo das séries históricas, aparecendo em The Bastard Executioner, uma série situada no século XIV, no País de Gales.

No entanto, condensar a verdadeira história das Guerras das Rosas em quatro horas de TV, não é uma tarefa fácil.

O conflito de 30 anos, que durou de 1450 à 1480, teve dezenas de famílias nobres envolvidas – principalmente aliando-se com ramos rivais da dinastia Plantageneta, conhecidas como as casas de Lancaster e York – e numerosas mudanças abruptas no poder.

Isto significa que é notoriamente complexo explicar um período, sem dissolver-se em longas digressões sobre rixas aristocráticas através de muitas gerações, onde todos têm o mesmo nome (geralmente Henrique, Eduardo, Ricardo, Margaret ou Elizabeth) e todos mudam suas lealdades com mais frequência que suas roupas íntimas.

Meus produtores e eu decidimos fazer uma série/drama/documentário em episódios, mostrando os quatro maiores contos do período.

Durante as gravações, filmamos nos maiores edifícios da Grã-Bretanha – a Torre de Londres, a Abadia de Westminster e a Catedral de York. Geralmente gravamos ao amanhecer, quando tudo ainda está quieto e silencioso.

Nós também visitamos alguns locais mais pungentes – incluindo o campo desolado onde a Batalha de Towton ocorreu em uma nevasca em 1461 e onde 28.000 homens foram mortos em um único dia, tendo seu sangue correndo em riachos sobre todo o solo congelado.

Estas sequências documentais, misturadas com drama, filmadas em um estúdio em Bucareste – Romênia, combinam-se para trazer quatro dos episódios mais emocionantes da Idade Média para a vida.

Episódios:

  1. ‘THE MAD KING’2FEA460600000578-3388669-image-a-93_1452264864431

O primeiro episódio revela as origens da Guerras das Rosas – uma contenda entre o venenoso primo do rei, Ricardo, Duque de York, e a esposa do monarca, Margaret de Anjou, chamada por Shakespeare de a ”Loba da França”.

O episódio começa com um estrondo. Ou melhor, um sinistro bang-bang-bang – o som de um martelo batendo uma estaca de madeira na praia de Dover, antes de a cabeça decepada do líder conselheiro do rei, o Duque de Suffolk, ser mais ou menos empalada em cima dela.

Na batalha que se segue entre Ricardo e a rainha Margaret, nós os vemos competindo para substituir o trabalho do Duque de Suffolk – ambos conscientes de que ter o maior poder na Inglaterra do século XV, era aceitar a destruição quase certa. Esta noção pulsa constantemente por meio do episódio aumentando as tensões.

  1. ‘THE KINGMAKER MUST DIE’

Aqui nós traçamos a catastrófica desintegração das relações entre o rei Eduardo IV e o homem que o colocou no trono, Ricardo Neville, Conde de Warwick – mais conhecido como o Fazedor de Reis.
Como pode um homem declarar-se um verdadeiro rei, quando ele está em dívida com um de seus súditos? A resposta está no título do episódio.

Alerta de spoiler? Bem, talvez. Mas eu garanto que você vai desfrutar ao descobrir como e por que.

  1. ‘THE PRINCES MUST DIE’2FE3393600000578-3388669-image-a-37_1452182835383

É o capítulo mais controverso da série, abordando o infame desaparecimento dos Príncipes na Torre.
Os sobrinhos de Ricardo III (Ricardo e Eduardo V) foram removidos do poder e desapareceram enquanto estavam sob a proteção de seu tio, na Torre de Londres em 1483 – durante anos, os historiadores têm argumentado sobre a culpabilidade de Ricardo em suas presumidas mortes.

O episódio é cru e ocasionalmente doloroso, pois tentamos mostrar apenas como um homem como Ricardo – com toda sua devoção para a lealdade, bravura, talento e nobreza – veio a presidir um dos crimes mais hediondos da Idade Média. A resposta é mais sutil do que muitas vezes nós ouvimos.
Eu não aceito a caricatura de Shakespeare do corcunda monstruoso, embora nem eu p poupe da condenação que merece**

É um olhar interessante sob as armadilhas e agonias do poder na Idade Média (embora eu espere que os obstinados ricardianos não vão admitir que seu herói possa ter quaisquer falhas, muito menos em ordenar um assassinato).***

  1. ‘A MOTHER’S LOVE’

De muitas maneiras, estou muito orgulhoso do episódio final da série, que traça os últimos suspiros da Guerra das Rosas e ascensão surpreendente dos Tudors através de novos olhos.

Nosso herói, em verdade, é uma heroína.
Ela foi Margaret Beaufort, que deu à luz Henrique Tudor (interpretado por Gabriel Zaharia), quando tinha apenas 13 anos de idade, em um solitário castelo no oeste de Gales. Ela terminou sua vida tendo estabelecido a dinastia real que produziu Henrique VIII – nada mal para uma mãe solteira e adolescente.

Este é um conto de sobrevivência, coragem e amor materno, mas também um sério exame dos limites (ou não) do poder feminino há 500 anos atrás.

A experiência de criar estes episódios levou-me por todo o país e profundamente através do conturbado passado inglês. Esta é a Guerra das Rosas renascendo, da forma como eu sempre quis mostrar. Espero que você aproveite o passeio.

Conheça os atores principais:

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O ROMPEDOR DE PODER.
Warwick, o fazedor de Reis (James Oliver Wheatley)

Warwick, ou Ricardo Neville, foi um dos nobres mais ricos e poderosos de sua época, ganhando seu título de “Fazedor de reis” após mudar de lado na Guerras das Rosas e derrubar dois monarcas. Ele acabou morrendo pelas mãos de Eduardo IV na batalha de Barnet, em 1471.

O PRÍNCIPE PLAYBOY
Eduardo IV (Tom Durant-Pritchard)

O carismático Eduardo arrancou o trono de Henrique VI em 1461 e conseguiu estabelecer a paz nos últimos anos de seu reinado, até que sua morte em 1483, provocou outra briga pelo trono. Ele casou-se com uma plebéia (filha de mãe nobre), Elizabeth Woodville, para o grande desgosto de seu irmão Ricardo III.

O SUPER VILÃO
Ricardo III (Darren Bransford)

Na série, Ricardo é estereotipado como o perverso, suspeito e culpado tio por trás do desaparecimento dos filhos de seu irmão Eduardo, que se tornaram conhecidos como os Príncipes na Torre. Ele assumiu o trono após a morte de Eduardo, mas foi morto na Batalha de Bosworth dois anos mais tarde – os seus restos mortais foram encontrados em 2012.

E os outros personagens PRINCIPAIS

A MÃE TIGRESA
Margaret Beaufort (Andreea Sovan).

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A matriarca Tudor foi fundamental para a trama que levou seu filho Henrique VII ao trono em 1485. Ela deu à luz a Henry como uma viúva de 13 anos de idade e foi avó de Henrique VIII.

A FÊMEA ALFA
Margaret de Anjou (Alexandra Popescu)
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Às vezes liderando o exército Lancastriano durante a Guerra das Rosas, Margaret era a rainha da Inglaterra durante os anos de 1445-1461 e de 1470 a 1471. Ela regeu o reino no lugar do marido Henrique VI durante seus acessos de loucura, e sem dúvida, provocou a Guerra das Rosas ofendendo os Yorkistas.

O REI LOUCO
Henrique VI (Voicu Hetel).
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Henrique foi rei durante 1422-1461 e 1470 a 1471. Dizem que ele passou um ano ‘dormindo’ após receber más notícias sobre as terras inglesas na França. Seu estado mental era instável e gerou um governo fraco e guerras que eclodiram durante o seu reinado. Ele foi morto enquanto estava preso por seu sucessor Eduardo IV.


Esclarecimentos:
(**) 
Eu não aceito a caricatura de Shakespeare do corcunda monstruoso, embora nem eu o poupe da condenação que merece. (Nota da página: O desaparecimento dos príncipes na Torre, é um dos maiores mistérios não solucionados da história inglesa. Não pode-se acusar Ricardo III de tal, uma vez que não sabemos quem fora o verdadeiro culpado. O que o diretor fez em seu comentário, foi disseminar senso comum).

(***) É um olhar interessante sob as armadilhas e agonias do poder na Idade Média (embora eu espere que os obstinados ricardianos não vão admitir que seu herói possa ter quaisquer falhas, muito menos em ordenar um assassinato).
(Nota da página: Novamente, não pode-se atribuir culpa a Ricardo – isto é apenas liberdade poética -, uma vez que não sabemos quem foi o culpado. Existem diversos nomes na lista de culpados e atualmente, o dele tem sido o menos creditado. Ao fazer tal alegação, o diretor faz condenação histórica e juízo de caráter, coisa que nenhum historiador cauteloso faria).

FONTES:
Daily Mail: AQUI.

 

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