O Natal no Período Tudor

Todos estamos familiarizados em comemorar o natal, com árvores decoradas, biscoitos, Papai Noel e muito pisca-pisca. No entanto, o Natal na Inglaterra Tudor, era muito diferente de nossas comemorações atuais.

O Natal no século XVI, era um período em que as pessoas reuniam-se para festejar e se relacionar. Era uma tempo para enxergarem-se como socialmente iguais, visitarem seus vizinhos e amigos ou entreterem seus inquilinos.

As celebrações começavam no dia de Natal, quando canções de Cristo eram entoadas e os círios acesos. O monarca deveria obrigatoriamente participar da Missa na igreja e era esperado que trajasse roupas novas.

christmas-decorati_2068558bOs 12 dias de Natal, eram celebrados entre 25 dezembro e 06 janeiro. Era neste momento que todo o trabalho cessava, exceto a criação e cuidados de animais. O trabalho de fiação, mesmo sendo uma ocupação realizada por muitas mulheres no período, era deixado de lado e flores e guirlandas seriam colocadas nas rodas de fiar.

As pessoas visitavam amigos ao invés de trabalhar, e o natal era visto como uma celebração para toda a comunidade. O trabalho reiniciaria-se na primeira segunda-feira após a 12ª noite, conhecida como Segunda-Feira do Arado.

Véspera:
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As semanas que antecediam o natal, eram vistas como uma época de abstinência, sobriedade e jejum. O alimento era rigorosamente controlado, não havendo permissão para o consumo de queijos, ovos ou carnes – exceto peixe. Felizmente para os amantes de carne, a definição Tudor para o consumo de peixes era ampla: você poderia comer uma gaivota, uma vez que a dieta desta, consistia de peixe.

Seria apenas quando chegasse o dia de Natal – após as canções de Cristo serem entoadas e todos os presentes da missa, com seus círios acesos partissem para suas casas – é que poderia ser desfrutada “sua primeira refeição sem restrições, desde o domingo do Advento – que iniciaria-se quatro semanas antes”.

Natal:
Os doze dias de natal, eram todos celebrados no período Tudor, mas não de modo igual. As festas mais suntuosas seriam realizadas nos dias 25 de dezembro, 01 de janeiro e 06 de janeiro – especialmente nos anos de 1532 e 1533.
anne-and-katherine-danceA preparação para a festa da 12ª noite no Palácio de Greenwich, exigiu a construção de uma casa temporária de trabalho. Um total de 24 pratos fora servido, muito mais do que era necessário para os convidados, mas muito importante como símbolo de poder e status. Os restos de comida eram sempre usados para alimentar os pobres.

O Natal Tudor tinha um propósito definido e foi sempre um período de duas semanas de exibição de poder e política, enquanto o monarca ficaria cercado de todos os cortesãos, nobres e pessoas importantes.

Como a sociedade Tudor era estritamente organizada em outras épocas, o natal era visto como uma época de descanso, quando tudo poderia virar de cabeça para baixo. Certos setores da sociedade, até mesmo tinham permissão para agir com um incomum grau de liberdade. Por exemplo, havia um Senhor de desordem. Ele era como um rei do ridículo, que supervisionava os entretenimentos ou eventos mais desordeiros de folia e bebedeira.

2006AV1937_globe_theatre_painting_david_scottOutra tradição favorita no Natal Tudor, era a realização de peças teatrais. Existem registros do início do século XVI, que tanto nas Faculdades de Oxford quanto em Cambridge, eram contratadas trupes que viajavam levando seus entretenimentos de Natal. Há também registros de uma peça que fora realizada para o Cardeal Wolsey em Grays Inn, durante o Natal 1526.

Vamos conhecer um pouco mais das tradições natalinas Tudor à seguir:

Árvores de Natal:
A origem da nossa árvore de Natal, pode ter vindo de Martinho Lutero. Em 16th-century-christmas-300x240.jpguma viagem para casa, ele ficou impressionado com a beleza das estrelas brilhando através de uma árvore de abeto. Deste modo, ele cortou sua parte superior, levando-a para casa, onde colocaria pequenas velas nas extremidades de seus ramos, para assemelharem-se às estrelas.

Embora à partir disto, as árvores de Natal fizessem suas primeiras aparições na Alemanha do século XVI, os Tudor não adotaram este costume. Em vez disto, eles decoravam suas casas na véspera de Natal, com azevinho, hera, visco, loureiro e teixo. A decoração era uma parte essencial para festividades no período Tudor, nã0 apenas no natal.

Cânticos:
Canções natalinas tornaram-se populares durante o período Tudor e eram tudor-christmas-galleryvistas como uma forma de celebrar o Natal e espalhar a palavra da natividade. Winken of Worde Christmasse Carolles, publicada em 1521, é a mais antiga coletânea de natal publicada e incluía a canção Boars Head Carol que descrevia a antiga tradição de sacrificar um javali e apresentar sua cabeça em um banquete de natal.

No século XVII, tal tradição teria – momentaneamente – seu fim, uma vez que os puritanos proibiram todas as festividades natalinas, como sinais de vaidade e superficialidade pecaminosas.

Foi apenas no período vitoriano, que o conceito de resgate do antigo natal inglês seria realizado, consequentemente, sendo as canções natalinas novamente inseridas em suas tradições.

Beijando o Ramo:
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Um dos costumes mais duradouros na Inglaterra, foi o chamado KISSING BOUGH (beijando o ramo). Ele consistia em um aro ou esfera feita de salgueiro ou madeira escura. Uma pequena imagem do menino Jesus ou da sagrada família, seria colocada em seu centro. Como o visco era regularmente utilizado neste ritual, isto acabaria por evoluir para a tradição popular de ”Beijar embaixo visco”, que estende-se até os dias atuais, principalmente nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.

Comida:
Os banquetes moviam o período Tudor, onde havia festividade, haviam banquetes, bebidas e muita interação. Deste modo, no natal não seria diferente.
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Para começar a falar da comida natalina do período, primeiramente temos de citar a carne, que era a principal atração de todo bom banquete.

O peru foi introduzido pela primeira vez na Grã-Bretanha, em meados de 1523. Henrique VIII foi uma das primeiras pessoas a comê-lo como parte de seu banquete de natal. Depois disto, sua popularidade aumentaria rapidamente, podendo logo serem vistos caminhando em Londres à partir de Norfolk, Suffolk e Cambridgeshire.
O ganso também era consumido. Em 1588, Elizabeth I convidou a todos para comê-lo para em sua ceia natalina. Foi a primeira refeição consumida após a Armada Espanhola e a Rainha acreditava que seria uma homenagem aos marinheiros ingleses. Pavões também faziam parte do menu dos mais abastados. A tradição consistia em depenar a ave, preparar sua carne e colocar sua penugem de volta, a fim de decorar a mesa onde ela seria servida.

3150459196_630328051bJavali também era uma carne apreciada pelos ricos e talvez o mais importante prato dos banquetes natalinos. Sua cabeça seria colocada na mesa como forma de decoração. O cozimento deixava sua carne pálida, então para que ficasse mais realista, fuligem, graxa e cerveja eram colocadas no porco, que em seguida, era decorado com alecrim e louro.

Outras carnes, como carneiro, porco e vitela, também era apreciadas. O queijo e maçãs também eram alimentos que não poderiam faltar.

Um vegetal popular no menu de natal, foi a couve de Bruxelas, mencionada pela primeira vez, em receitas de meados de 1587.

banquete2O ‘Souse’, pés e orelhas de porco em conserva, também era um prato popular no natal.
Os pudins natalinos eram muito consumidos, cozidos com carne, aveia e especiarias. Os Tudor eram amantes de tortas de carne, que muitas vezes eram feitas em formato de berço ou bebês (esta prática foi proibida quando Oliver Cromwell chegou ao poder, uma vez que fora considerada blasfema).

Uma torta de natal Tudor, consistia de “um peru recheado com um ganso, recheado com um frango, recheado com uma perdiz, recheada com um pombo. Tudo isto era colocado em uma massa em forma de caixa e servido rodeado por lebre, pequenas aves de caça e aves silvestres.

11803_spiked_wassail_620Os Tudor também gostavam de ‘minst pyes’ – um protótipo das Mince Pies comidas atualmente – durante os 12 dias de Natal. No entanto, ao contrário das tortas tradicionais de natal, estas tinham um significado religioso e levavam 13 ingredientes que representam Cristo e seus apóstolos. Os ingredientes consistiam tipicamente em frutas secas, especiarias e carne de carneiro.

A bebida favorita no natal era o punch – feita em uma grande bacia de madeira, chamada tigela Wassail. Lambswool também era outra bebida apreciada, feita à partir de maçãs torradas, cerveja, noz-moscada, gengibre e açúcar – a espuma na parte superior da bebida deu-lhe este nome.

Christmas-Pie-Real-300x204Os Tudor também tinham seus brasões de armas feitos em saladas, que acompanhavam seus banquetes e refeições de família.
Pequenos pastéis fritos, recheados de tâmaras, especiarias e frutas secas, também eram muito consumidos.

Na décima Segunda Noite, ou dia De Reis, era comido o tradicional bolo de Reis. Este era um bolo de frutas, no qual um objeto, como uma moeda ou feijão seco, era escondido dentro. Se você tivesse a sorte de encontrar o item em seu pedaço, você tornaria-se o rei ou a rainha da noite e anfitrião ou anfitriã dos entretenimentos que seguiriam-se. Uma tradição semelhante continua na França até hoje, onde um anel de ouro é cozido em uma torta de amêndoas.

Modos à mesa:
Possuímos uma ideia equivocada sobre o modo dos Tudor à mesa. Eles não comiam coxas de frango com avidez e jogavam-as no chão, onde haveriam cães esfomeados brigando por seus restos.

A etiqueta na mesa, especialmente na alta sociedade, era bastante restrita e os cães – exceto os de pequeno porte, como Spaniels – eram mantidos em canis, onde eram também alimentados. Bons modos à mesa, era algo muito apreciado no período.

Acontecimentos:
Uma lei foi aprovada em 1550 pela igreja, onde dizia que Jesus era tão puro, que não precisaria de um banho, deste modo, proibindo todas as imagens do menino Jesus sendo banhado. Por este motivo, era considerado ilegal

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pintar uma imagem do menino Jesus, sendo banhado por seus pais.

No dia de Natal, o monarca participaria do tradicional ritual de cura, da “imposição das mãos” – ele consistia em transferir o poder de “cura” do rei, para os que sofriam de doenças subcutâneas.

Todos os esportes no dia de Natal foram proibidos por Henrique VIII em 1541 (com exceção do tiro com arco). Tênis, boliche e outros jogos não poderiam ser praticados, exceto pelos muito ricos. As justas permaneceram um esporte aristocrático popular durante o período de Natal.

Em 1551, Eduardo VI aprovou uma lei ordenando que todos que pudessem andar, deveriam ir a pé para a igreja no dia de Natal.

O Menino Bispo:
Esta tradição acontecia no dia 06 de dezembro, na festa de São Nicolau, ou 220px-Boy_bishop.jpgno dia de Santo Inocêncio, em 28 de dezembro. Ela envolvia um menino que seria selecionado do Coro para liderar a comunidade por um curto período de tempo. Isto seria para mostrar ao jovem, a honra e dignidade das ordens sagradas. Ele iria assumir todas as funções, exceto rezar à missa – embora fosse pregar um sermão e realizar visitas à Paróquia.
Tal tradição havia iniciado-se por volta do século X e mostrou-se tão popular, que muitas paróquias de Londres forneciam-lhes vestimentas elaboradas. A tradição continuaria até 1541, quando Henrique VIII proibira a prática completamente.

O menino Bispo reapareceria novamente durante os reinados de Maria I e Elizabeth I, e curiosamente, tal ritual ainda é praticado em algumas igrejas, incluindo as Catedrais de Hereford e Salisbury.

A Tora de Yule:
No sétimo dia de natal, acontecia a queima da Tora de Yule. Esta foi uma tradição muito popular na Inglaterra Tudor e Stuart.
Originalmente, jovens do sexo masculino iriam encontrar, cortar e arrastar um pesado tronco até a lareira de suas casas ou casas vizinhas. A tora seria então decorada por jovens damas, com fitas, pinhos, flores e viscos. Depois que fosse colocada na lareira, os jovens responsáveis por encontrarem a tora, seriam recompensados com uma boa cerveja.
Acredita-se que este ritual originou-se à partir do Pagan-Yule-Log-61início da invasão viking, onde este, fazia parte do solstício do inverno.
Acreditavam que o tronco representaria a proteção contra o mal. Devido seu tamanho e densidade, ele queimaria durante todos os doze dias de natal. Uma vez que fosse todo queimado, seria de bom presságio que restos carbonizados dele, fossem guardados para ajudar a acender o fogo do ano seguinte.

Os vikings eram conhecidos por fazerem grandes fogueiras para comemorar seu festival de luz. Um termo alternativo para o Natal, é a palavra “Yule”, que já existe há séculos.

O Senhor da Desordem:

O Senhor da Desordem, também conhecido como ‘Rei do Natal’, era uma pessoa eleita durante as festividades natalina. Ele era como um rei falso, que supervisionava os entretenimentos que geralmente causavam o caos. Estes incluíam folia, bebedeira, bagunça geral e inversão de papéis. lord of misrule.jpgNa Noite de Reis, seu reinado terminaria.
Apesar de ser uma tradição de Natal, eles não estavam confinados a este período e também foram usados durante as festividades de verão.

Os monarcas Tudor muitas vezes nomeavam o seu próprio Senhor da Desordem.
Henrique VII nomearia tanto um Senhor da Desordem, quanto um Abade da Irracionalidade. Em 1525, o monarca designou um para si e outro para a casa da princesa Maria e Eduardo VI. O Senhor da Desordem de Henrique, possuiu “todo um séquito, desde um astrônomo, até um Mestre de Cerimônias.”
A tradição foi desencorajada durante o reinado de Elizabeth I, pelo medo da desordem pública e do caos que a tradição gerava.

O senhor da desordem, pode ter sido a inspiração para um jogo conhecido no período como ”o blefe do homem cego”.

Wassailing – Compartilhar a Bebida:
Esta popular tradição de Natal, foi praticada em todos os níveis da Captura de Tela 2015-12-25 às 13.40.29sociedade e deriva da palavra anglo-saxã, que significa “à sua boa saúde”. Essencialmente, envolvia uma tigela de wassail – uma bebida comum, condimentada com especiarias.

Embora a maioria das descrições de realizações desta tradição sejam datadas após os Tudor, há um registro sobrevivente do reinado de Henrique VII. Era tudo muito formal; o mordomo e o tesoureiro estavam presentes, e em seguida, o primeiro entrava com a taça, gritando “Wassell, Wassell, Wassell”, no que a Corte responderia com uma canção.

Wassail_Bowl_With_Wassil_1_450w_9Acredita-se que provavelmente, a maioria dos wassailing eram mais divertidos e menos grandiosos. A tigela de madeira continha cerveja quente ou cidra, açúcar, especiarias e maçãs, com um pedaço de pão tostado ao fundo. A pessoa mais importante da casa, tomaria o primeiro gole e em seguida, passaria adiante. A crosta de pão (toast) no fundo da tigela, era reservada à pessoa mais importante na sala. Acreditam que a origem da palavra inglesa toast, que significa brinde, tenha derivado deste antigo ritual. Apesar de parecer estranho para nós, que todos bebessem em uma mesma taça, este era um ritual muito comum no período Tudor.

A Festa na Corte:
O Natal era um evento político muito importante na Corte Tudor. Todos os banquete1cortesãos eram obrigados a participar das festividades na Corte. As únicas desculpas aceitáveis para um não comparecimento neste período, eram doenças graves, guerras, cruzadas ou parto.

Na corte de Elizabeth I, todos os nobres do sexo masculino tinham de ficar no local durante os 12 dias de natal. Muitos nobres seriam deixados sozinhos neste período, caso resolvessem não participar, correndo o risco de perder o favor real de seus soberanos.

Presentes:
Os Tudors distribuíam presentes no Ano Novo. Era esperado que cada pessoa importante da Corte e reino, desse ao monarca um presente de Ano Novo e em seguida, recebesse outro em troca. Isto foi considerado tão Basle-Cup-178x300importante, que existia uma lista chamada de “bula de presente’, onde todos os presentes recebidos pelo monarca, eram contados e catalogados. A aceitação ou rejeição de um presente, era vital e muitas vezes tinha um significado oculto. Por exemplo, em 1532, Henrique VIII aceitou o presente de Ana Bolena, mas rejeitou o de Catarina de Aragão. Ana e Henrique se casaram no ano seguinte.

As mulheres da Corte de Henrique, especialmente as damas da Rainha, presenteavam o rei com camisas bordadas e outros artefatos artesanais pessoais, que demonstravam suas habilidades femininas em trabalhos manuais.

A pintura de Hans Holbein, do pequenino Príncipe Eduardo, fora dada a Henrique como um presente de Natal. O monarca gostou muito do que recebera.

Outro exemplo do significado por trás desta tradição Tudor de presentear, ocorreu quando Sir Philip Sidney enfureceu Elizabeth I ao sugerir que esta, não deveria casar-se. Como forma de mostrar sua submissão à Rainha, ele deu-lhe no Ano Novo, um cordão de jóias, rapidamente então, retornando aos favores reais.

edwardRobert Dudley, Conde de Leicester, foi um presenteador muito bem-sucedido. No primeiro ano de reinado de Elizabeth, ele deu-lhe meias de seda e também, possivelmente, o primeiro relógio de pulso do mundo. Epigramas eram frequentemente enviados como presentes de Ano Novo e continham um ou dois versos, como um poema curto, geralmente com um pensamento sarcástico ou satírico.

Por volta de 1582, Elizabeth I começou a receber presentes de Ano Novo, em cristal trabalhado, assim como garfos de ouro, prata e pedrarias (Garfos eram novidades no reino e na Corte.)

Curiosidades:
Catarina de Aragão deu à luz um filho no Dia de Ano Novo, em 1511. O bebê foi nomeado em homenagem a Henrique VIII. O monarca estava tão feliz, que estendeu as festividades de natal da Corte, a fim de incluírem um grande torneio e eventos em Westminster.

henry-viii-eatingEm 1520, Henrique VIII havia apaixonado-se por Ana Bolena, transformando-a em sua amante oficial. Ela era uma convidada muito importante em uma série de natais na Corte de Henrique, porém, fora conspicuamente ausentada das celebrações formais. Embora Ana tenha juntado-se ao monarca para as férias em Greenwich durante três anos, ela desempenhou um suposto papel de abstinência neste período.
Para salvar as aparências, a Rainha Catarina de Aragão, aparecia ao lado de Henrique nas celebrações de Natal até 1530.

Em 1531, embora ainda não fosse Rainha da Inglaterra, Ana Bolena estava alojada nos aposentos da Rainha em Greenwich, enquanto evitava as celebrações formais de Natal na Corte.
Em 1532 tudo mudou – ela era rainha em tudo, exceto no nome. As celebrações daquele ano foram tão pródigas, que cozinhas temporárias foram erguidas nos jardins do palácio. Era possível que sua filha, a rainha Elizabeth I, tenha sido concebida durante uma comemoração particular de natal.

Roupas:
Durante a celebração dos doze dias de Natal, os nobres e ricos cortesãos, vestiam-se ricamente a fim de desempenharem seus papéis na Corte. Nesta época do ano, eles poderiam usar seus mais suntuosos trajes. Os cortesãos mais pobres, tinham de tentar o seu melhor a fim de manter uma imagem de poder e glamour – no entanto, obviamente, ninguém atreveria-se a ofuscar o rei ou rainha.

No Natal, o monarca iria usar a coroa oficial de Estado, um elmo de ouro maciço e vestir arminho – a mais rica e nobre das peles. Henrique VIII e mais tarde, sua filha Elizabeth I, usariam tal ocasião a fim de ditar moda. Eles utilizavam seus trajes, afim de enfatizar poder, riqueza e status real.

Segunda-Feira do Arado:
A primeira segunda-feira após a décima segunda noite de natal, era conhecida como a Segunda-feira do arado. Antes da introdução da grande colheita de cereais de inverno no século XX, seria na segunda-feira do arado a época em que eles seriam inicialmente colhidos.

O arado era um item caro e apenas os moradores mais ricos dispunham de um. Outros agricultores menos afortunados, teriam de esperar sua vez roman6.jpgpara utilizar um comunitário. O arado comunitário poderia ser mantido na igreja e uma vela seria acesa diante dele na hora do sacramento ou orações.

A segunda-feira do arado também era comemorada pelos jovens da paróquia, que usariam o arado arrastando-o ao redor dela, arando o solo diante da porta das pessoas que se recusassem a pagar-lhes tributo. As festividades deste dia, devem ter tornado o triste retorno ao trabalho após o natal, algo mais suportável; no entanto, tal cerimônia não sobreviveria à Reforma.
As festividades deste dia, seriam proibidas durante o reinado de Eduardo VI, em 1548. As velas acesas ao arado, seriam proibidas ainda antes, em 1538, quando Henrique VIII proibiu a maioria das velas de orações na igrejas.

Conclusão:
Conforme visto, o objetivo do Natal Tudor, era que este funcionasse como Captura de Tela 2015-12-25 às 11.16.15uma espécie de válvula de escape para a forte e rigorosa pressão da sociedade do período. Era uma época em que tudo mudava – as coisas se transformaram – e muitas das tradições envolviam uma espécie de inversão de papéis. As pessoas que eram normalmente rigidamente controladas, recebiam certa liberdade e poder.

Atualmente as festividades natalinas parecem ter se tornado mais e mais comerciais, perdendo seu significado principal: estar perto de pessoas queridas. Um feliz Natal a todos!

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FONTES:
On the Tudor Trail: AQUI.
Tudor Talk and Catwalk: AQUI.

Sandra Byrd: AQUI.
Sandra Byrd: AQUI.
Historic UK: AQUI.

Canadian Content: AQUI.
History and Other Thoughts: AQUI.

 

 

 

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