A Coroação de Maria Tudor, Rainha da França

Em um domingo, dia 05 de novembro de 1514, Maria Tudor, irmã de Henrique VIII e nova esposa do Rei Luís XII da França, foi coroada rainha da França pelo Bispo de Bayeux na igreja da Abadia de Saint-Denis (Basílica Saint-Denis), em Paris.

Louise de Sabóia registrou o acontecimento:-

“No quinto dia de Novembro de 1514, A rainha Maria foi coroada em Saint-Denis, das dez horas às onze horas da manhã, e no sexto dia por volta das quatro horas da tarde, ela fez sua entrada em Paris.”

Maria tornou-se rainha da França em 09 de outubro, quando ocorreu seu casamento com Luís XII, mas a coroação formal ocorrera quase um mês mais tarde.
Ela chegou à St. Denis em 03 de novembro, permanecendo no local durante as noite antes de sua coroação (bem como monarcas ingleses dormiam na Torre de Londres antes de suas coroações).

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O monarca francês e primeiro marido de Maria, Luís XII.

A procissão foi uma cerimônia cuidadosamente gerida e cheia de imagens, alegorias e símbolos de estabilidade, paz e fertilidade, destinando-se a impressionar o público e mostrar o poder, opulência e benefícios da presença monárquica no reino francês. Um Teatro de rua fora organizado por Pierre Gringoire, um popular poeta e dramaturgo francês.
Gringoire também forneceria-nos um completo relato da procissão da nova rainha francesa. Segundo o dramaturgo, o cortejo teve início no Porte Saint Denis, na ponte levadiça, onde havia “um andaime com uma rica tapeçaria pendurada, sobre a qual havia um navio de três copas, com mastros e velas completas; e em sua volta, estavam os quatro ventos principais, como se estivessem se fundindo. Dentro estavam Baco e Ceres respectivamente, segurando um ramo de videira coberto com uvas e uma espiga de milho. Um personagem chamado “Paris” segurava o leme. No mastro principal estava a “Honra”, segurando as armas de França e nos outros mastros, dois homens armados com lanças, significando que iriam proteger a honra do referido navio. No cordame estavam marinheiros entoando versos”.

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Abadia de Saint-Denis, Paris, França.

Outras paradas incluíram a Fonte du Ponceau (onde um lírio e uma rosa vermelha flutuavam na água, tendo à frente, três mulheres representando as três graças), em seguida, La Trinité (onde uma cerimônia mostrou a Rainha de Sabá apresentando-se diante de Salomão), e depois no Porte aux Peintres (que contou com um palanque de três níveis, com Deus no topo, um homem e uma mulher que representavam Louis e Maria no meio, e em sua base, cinco figuras femininas, representando a França, a Inglaterra, a amizade, a confederação e a Paz). Logo depois, seguiram pela Igreja dos Santos Inocentes; pela Chatelet, que era a sede de justiça real; e finalmente, para o Palácio Real.
Durante toda a procissão, a iconografia local relacionou Maria Tudor à Virgem Maria – obviamente a esperança dos franceses, era que a jovem rainha trouxesse um herdeiro varão ao velho monarca – e expressou enormes esperanças e aspirações para o rei e sua nova rainha.

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Maria Tudor Brandon e seu segundo esposo, Charles Brandon, Duque de Suffolk.

A coroação foi assistida por cavalheiros ingleses, incluindo Thomas Grey, 2 Marquês de Dorset e Charles Brandon, Duque de Suffolk, que tornaria-se o segundo marido de Maria.
Os dias de Maria como rainha consorte seriam breves. Quando Louis morreu em 1º de janeiro de 1515, Francis I tornou-se o Rei e sua esposa Claude (filha de Louis), sua rainha.
Quase que em seguida, Maria casou-se em segredo e sem permissão de seu irmão, com Charles Brandon, no dia 3 de março de 1515. Henrique VIII ficou furioso com tal impertinência, mas seu amor por sua irmã favorita e sua amizade para com Brandon, o levaram a perdoar o casal, sendo eles oficialmente casados no Palácio de Greenwich, em 13 maio 1515.
Durante todo o resto de sua breve vida, Maria foi sempre referida na Corte inglesa como a “rainha francesa”, em vez de a Duquesa de Suffolk, uma lembrança dos dias de seu casamento de curta duração com o reino de França.

Fontes:
Janet Wertman: AQUI.
Hall, Edward’s Chronicle.

 

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