Teria sido Ana Bolena enterrada em Salle Church?

Uma velha lenda de Norfolk, afirma que após a execução de Ana Bolena, seu corpo foi removido da Torre de Londres e enterrado sob uma lápide de mármore negro e liso em Salle Church, igreja perto de Blickling Hall.

A igreja contém brasões do século XV, dedicado a seus patrões, incluindo Geoffrey Bolena e sua esposa (1440), que foram os bisavós paternos de Ana.

Ao pesquisar sobre esta lenda, deparei-me com um artigo muito interessante, no site da própria Salle Church, que apresenta provas em apoio ao mito da lápide de Ana.

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Blickling Hall, Norfolk.

O autor Reepham Benefice, não fornece nenhum julgamento, em vez disto, permite que o leitor decida por si só, sobre a validade das provas e a probabilidade da veracidade desta lenda.

Benefice afirma, que a igreja Salle não irá realizar escavações a fim de confirmar ou negar tal história e da mesma forma, parece improvável que a permissão seja alguma vez concedida, para novamente examinar os restos contidos sob o piso da igreja St. Peter ad Vincula, na Torre de Londres. Deste modo, somos deixados sozinhos, a fim de lidarmos com estas histórias e lendas, à procura de mais evidências sobre este mistério.

O que vocês verão à seguir, é um resumo de provas fornecidas pela igreja:

1858, ‘Notas e Consultas’, escrito por B. B. Wiffen, página 119 –

É dito em ”Mrs. Strickland’s ‘Queen’s of England” (Volume 4, página

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Túmulo de Ana Bolena, em St Peter ad Vincula.

203), que é lenda na igreja Salle, em Norfolk, que os restos mortais de Ana Bolena, foram removidos da Torre e enterrados à meia-noite, com os rituais de um funeral cristão, na igreja Salle e que uma lápide de pedra negra sem nenhuma inscrição, supostamente indica o local onde ela fora enterrada. Sharon Turner, em ”History of the Reign of King Henry VIII” (volume 2, página 264), cita a seguinte passagem do registro de Crispin da execução de Ana Bolena, escrita 14 dias após sua morte:

”Suas damas imediatamente, pegaram sua cabeça e o corpo. Elas pareciam sem alma, estavam tão languidas e extremamente frágeis, mas temendo que sua senhora fosse indignamente tratada por homens desumanos, elas forçaram-se a fazer este trabalho; e embora quase mortas, finalmente retiraram seu cadáver envolto em um pano branco”.

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Salle Church.

A autora explica que Crispin, Lord de Minherve, foi um dignatário estrangeiro em Londres, no período do julgamento e execução de Ana Bolena. No entanto, Benefice diz que ‘Muitos historiadores tem considerado Crispin, como uma confiável e imparcial testemunha, especialmente por não ter possuído laços com o governo ou Corte Real, no período da execução de Ana. Ele ofereceu um ponto de vista imparcial e em ”primeira mão” do processo de acusação de Ana, através de seu julgamento e execução’.

1842, “Life of Anne Boleyn” (Volume 4), por Agnes Strickland, página 293 –

”No Condado nativo de Ana Bolena, Norfolk, uma curiosa tradição vêm

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Salle Church.

sendo passada de pai para filho por mais ou menos três séculos, que afirma que os restos dela, foram secretamente removidos da igreja da Torre, cobertos de negro e transportados em privado para a igreja de Salle, o antigo local de sepultamento dos Bolena; e lá, o corpo foi enterrado à meia-noite, com os ritos que foram negados à ela por seu marido Real, em seu primeiro funeral ímpio”.

1858, “The Queens of England” por Francis Lancelott, página 398 –

”Os restos da infeliz Ana Bolena, cobertos com um lençol, foram colocados por suas damas em um baú de olmo e imediatamente depois, enterrados ao lado de seus companheiros vítimas, na Capela da Torre, sem nenhum cântico ou oração; mas seus amigos retornaram à meia-noite e os desenterram, levando-os em segredo e os enterrando na igreja Salle, em Norfolk”.

Seria interessante descobrir quem a fonte de Lancelott foi, e quem eram os ‘amigos’ que retornaram para remover o corpo de Ana da Torre de Londres.

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Salle Church.

No artigo, o autor afirma que algumas fontes apontam para Thomas Wyatt, como sendo “a figura central na trama para remover Ana Bolena da Capela da Torre”, pois tinha os meios e conexões para executar tal plano.

Eu nunca encontrei qualquer evidência para sugerir que Thomas estivesse envolvido em tal conspiração. Se considerarmos que o próprio Thomas foi preso maio 1536 (embora nunca tenha sido formalmente acusado) e mantido na Torre, parece improvável que tenha sido capaz de orquestrar um plano de tal amplitude, de dentro de seu confinamento.

1848, “Bentley’s Miscellany” por Charles Dickens, página 238 –

”[Ana Bolena] teria em mente que seus restos mortais seriam tratados

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St Peter ad Vincula, Torre de Londres.

indignamente – que os ritos de sepultamento seriam-lhe negados e que seu túmulo ficaria onde nenhum memorial seria encontrado para ela; e portanto, apelou a Wyatt para salvá-la, se possível, para a tumba de seus pais. Seu desejo tinha agora, no entanto, uma perspectiva de cumprimento – um túmulo foi aberto na igreja Salle, que foi o antigo local de sepultamento da família de seu pai; e para lá, na segunda noite após a chegada de Wyatt, o Conde Bolena seguiu, acompanhado por seus convidados, ostensivamente com o propósito de ter missas da meia-noite rezadas pelo repouso da alma de sua filha; os restos de sua filha, no entanto, seguiram com ele. Eles ficaram sob os cuidados de Mary Wyatt, imediatamente após sua remoção da Torre, para sua casa, sendo cuidadosamente embalsamado e envolto em pano encerado. Neste estado, coberta com uma mortalha de veludo negro, ela foi colocada em uma das carruagens de seu pai, na qual Wyatt e suas irmãs entraram; o Conde seguiu em outra carruagem, sozinho.

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Thomas Wyatt.

Quais foram os pensamentos e reflexões do Conde, durante as duas horas em que esteve sozinho e não-observado, viajando de Aylsham e Cawston, para Salle, é difícil mensurar. Ele havia em um mês, perdido uma filha e um filho, pelas mãos dos carrascos – sendo aquele seu único filho varão e sua filha, a rainha da Inglaterra. 
Além disto, seus nomes haviam sido marcados com infâmia; e o principal motor de toda sua miséria, – o mais ativo agente para trabalhá-lo em todo este mal – para trazer seu filho e sua filha para o bloco, foi a própria esposa de seu filho, a infame Lady Rochford. Lá acabaram-se todos seus sonhos e ambições – toda sua influência e prosperidade. Seus filhos decapitados – seu nome desonrado -, ele mesmo, evitado. Ele estava agora sozinho, pode-se dizer, no mundo. Uma filha, no entanto, permanecia com ele, sua filha Maria; mas há dois anos antes, havia provocado a ira de seu pai, ao casar-se com Sir W. Stafford; e ele esteve, em consequência, totalmente distante dela. 

As mais amargas reflexões destas duas horas, talvez tenham preparado o Conde, para as cerimônias solenes que esperavam sua chegada em Salle Church. Ele chegou lá à meia-noite. Poucos servos fiéis, carregaram os restos mutilados de sua filha para o lado de sua tumba; mas devido a missão perigosa que fora arranjada, não poderiam haver muitas velas – de uma capela luminosa – todo um coro de sacerdotes, ou grandes cerimoniais. Um sacerdote estava lá e as poucas velas que foram acesas, não fizeram mais que apenas mostrar a escuridão na qual estavam envoltas.

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Porém, tudo o que poderia ser feito para a Rainha assassinada, foi feito – uma missa foi rezada para o descanso de sua alma -, De profundis (Salmo 130), foi cantada para os que estavam presentes – seus restos foram cuidadosamente baixados ao túmulo, onde eles agora descansam, e uma lápide de mármore negro, sem nenhuma inscrição ou iniciais, marca sozinha o local onde contém tudo o que forra mortal de Ana Bolena – uma vez, Rainha da Inglaterra.”

É importante lembrar, que este é um registro fictício da remoção do corpo de Ana Bolena da Torre de Londres, ‘tecido’ por Charles Dickens.

1852, “Lives of the Queens of England” Vol. IV, A. Strickland, página 213 –

tudor funservice“A misteriosa frase com a qual Thomas Wyatt encerra seu eloquente memorial da morte desta infeliz rainha, fornece-nos uma singular confirmação da tradição local de sua remoção e novo enterro:

“Deus providenciou para seu cadáver, um funeral sagrado, mesmo em um local, por assim dizer, consagrado à inocência” – Thomas Wyatt.

Tenho certeza de que isto não confirma nada, pois Wyatt poderia simplesmente estar referindo-se ao sepultamento de Ana, na Capela Real de St Peter ad Vincula, igreja paroquial da Torre de Londres e podemos assumir, local do ”funeral sagrado”.

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Charles Dickens.

Eu sinto que é importante acrescentar, que no livro ”A Dama na Torre”, Alison Weir alega que esta lenda foi desmascarada, quando alguns anos atrás, a lápide foi erguida sem visíveis restos encontrados abaixo dela (Pág. 323).

Este não é o fim do mistério, acredito eu, pois contatei a igreja Salle, e me disseram que uma equipe arqueológica, entrou em contato com a igreja cerca de 30 anos atrás, pedindo permissão para escavar o chão da nave, mas teve seu pedido negado.
Eu também fui informada, que o atual cuidador da igreja, afirmou que eles ”nunca darão a permissão para tão evasiva escavação dentro da igreja, independente de seu significado histórico”.

Então, parece que como muitos aspectos da vida – e morte – de Ana Bolena, nós novamente fomos deixados a fim de ponderar as possibilidades.

FONTES:
On the Tudor Trail: AQUI.

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