A vida de Elizabeth de York – Parte I

11880555_787019114745877_3775377369487504148_nO relacionamento de Elizabeth com sua família:
Elizabeth de York foi a primeira rainha consorte da Dinastia Tudor na Inglaterra. Ela foi filha, irmã, sobrinha, esposa e mãe dos monarcas ingleses – Eduardo IV, Eduardo V, Ricardo III, Henrique VII e Henrique VIII, respectivamente – além é claro, de ser avó de Eduardo VI, Maria I e Elizabeth I. Ela nasceu em Westminster, filha mais velha do Rei Eduardo IV e sua Rainha consorte Elizabeth Woodville.

Qualquer biógrafo de Elizabeth de York deve primeiro tentar chegar a um acordo diante de várias realidades irrefutáveis e angustiantes. Primeiro, fontes documentais sobre a vida desta rainha Tudor, são extremamente escassas. As poucas referências que fazem menção à Elizabeth de York, geralmente estão registradas em contas da vida na corte e eventos cerimoniais – a rotina cotidiana da rainha. Porém, vamos tentar resgatar um pouco da vida da Princesa Elizabeth – bem como seu relacionamento com seus parentes – na época em que seu pai era Rei e que sua família estava no auge do poder.

Alguns documentos do século XV, revelam Elizabeth como uma jovem surpreendentemente normal, algo digno de menção, uma vez que sua infância fora repleta de traumas e tragédias suficientes, para levar a maioria das pessoas a um colapso nervoso.

A princesa Elizabeth tinha três anos quando seu pai, Eduardo IV, foi deposto pela primeira vez pelo Conde de Warwick (seu primo) e George, Duque de Clarence (seu irmão). Durante tal episódio, o avô de Elizabeth, Richard Woodville – Conde Rivers, e seu tio Sir John Woodville, foram executados sob acusação de traição, porém, sem um julgamento. Sua avó, Jacquetta -Duquesa de Bedford, foi acusada de bruxaria, o que não era uma acusação trivial, considerando que estas mesmas acusações foram usadas 28 anos antes, contra Eleanor Cobham – Duquesa de Gloucester, e terminou em condenação, com três humilhantes procissões pelas ruas de Londres, seguidas de um exílio que estendeu-se até o dia de sua morte.

Durante esta rebelião de Warwick, a princesa Elizabeth e suas duas pequenas irmãs, retiraram-se com a mãe em à uma obscura residência em Londres, até Eduardo IV recuperar o controle e restaurar sua posição real. Porém, esta trégua durou pouco e em um ano, Eduardo IV foi forçado ao exílio na Holanda e sua Rainha Elizabeth Woodville – então grávida de oito meses -, fugiu com suas três filhas – todas menores de 4 anos de idade – para o Santuário na Abadia de Westminster.

Durante os seis meses em que permaneceu no santuário, a princesa Elizabeth ganhou um novo irmão, o futuro Eduardo V. Em seu primeiro retiro no santuário, os filhos de Eduardo IV – com 4,3 e 1 ano de idade, além do recém-nascido – viveram sem outros companheiros de infância e sem os privilégios reais com os quais nasceram, ou deveriam estar acostumados.

Sete meses mais tarde, Eduardo IV recuperou o controle e as crianças voltaram para o esplendor palaciano de suas vidas reais. Como uma criança de seis anos de idade, a princesa Elizabeth de York dançou com seu pai em festas reais; e aos dez, ela andava junto de sua mãe em desfiles e procissões. Ela era uma criança privilegiada, amada e querida por seus pais. Espetacularmente, aos nove anos, ela foi prometida ao Delfim da França, sendo a primeira princesa Inglesa considerada digna de tal honra. A partir deste momento, ela foi referida como “Minha Senhora, La Dauphine” e educada para tornar-se a futura rainha da corte mais sofisticada na Europa, porém, o noivado foi desfeito quando a jovem tinha 16 anos.

A tragédia, porém, aproximava-se e em abril 1483, seu pai morreu inesperadamente – um evento que abalou o mundo de Elizabeth, de forma irreparável. Mais uma vez, ela fugiu para o santuário com a mãe e quatro irmãs e uma série de trágicos eventos começaram a acontecer. Seu irmão de doze anos, Eduardo V, foi mandado para a Torre de Londres à espera de sua coroação, porém, nunca mais sairia dela. Richard, seu irmão de nove anos – com quem Elizabeth cresceu – juntou-se a Eduardo V na Torre, em 16 de junho e também desapareceu por detrás de suas paredes.

Erudito tio de Elizabeth, Anthony Woodville – Conde Rivers e seu meio-irmão, Sir Richard Grey, foram enviados ao norte para a prisão. Eles foram executados em 25 de junho. Deste modo, dentro de três meses, Elizabeth de York perdeu o pai, três irmãos e o tio, que era o chefe masculino de seus parentes Woodville. Ela, suas irmãs e sua mãe ficaram presas no santuário da Abadia de Westminster e quando Ricardo III foi coroado em 6 de julho, seus quartos no santuário – adjacentes à Abadia – ressoaram com os amargos sinos, que alegremente anunciaram o novo rei. Com o repicar dos sinos, estas mulheres sabiam com absoluta certeza, que Eduardo V já não era rei, porém, o que ainda não sabiam, era que nunca mais iriam ver qualquer um de seus irmãos – os famosos dois ”Príncipes na Torre” – novamente.

Em meados de junho, todos os filhos de Eduardo IV foram relegados à bastardia, devido uma lei promulgada pelo Parlamento, em janeiro de 1484. Assim, Elizabeth passou de “Minha Senhora, La Dauphine”, para “bastarda”, em menos de seis meses.
Após o novo rei fazer um juramento para proteger as crianças de Eduardo IV, Elizabeth de York e suas irmãs juntaram-se à Corte de seu tio, Ricardo III, mas novamente, sua residência real foi temporária.

Rumores sobre uma incestuosa atração entre o rei e sua sobrinha, fizeram a jovem ser banida da Corte e assim, novamente enviada ao norte, para Sheriff Hutton – onde seu tio materno, Anthony Woodville, havia sido preso pouco antes de sua execução. Para Elizabeth, a questão tornou-se irrelevante quando Henrique Tudor invadiu a Inglaterra, derrotou Ricardo III em Bosworth e casou-se com ela.

Aos 19 anos de idade, Elizabeth havia acumulado experiências políticas e pessoais, suficientes para prepará-la para as incertezas que estavam à frente e executou-as com presteza e discrição. A jovem combinou um forte senso de lealdade familiar – incluindo um amor para seus irmãos que foi, ‘Ferme incredibilis’ (verdadeiramente extraordinário), de acordo com o cronista de Henrique VII, Bernard André -, com uma forte consciência da nova figura política que representava.

É possível que até mesmo a influência cultural de Elizabeth, tenha sido subestimada; a influência dos costumes de cavalaria na corte de seu marido e de seu filho, derivam muito de sua família da Borgonha e Elizabeth, possuía o mesmo tipo de interesse literário de sua mãe. As reformas em Greenwich, apresentam uma influência Borgonhesa e foram feitas baseadas em “um novo projeto elaborado pela Rainha”.

No início de 1495, em face da contínua ameaça de Warbeck e as recentes turbulências dentro da família real, ela negociou e financiou casamentos de alto escalão para suas irmãs mais novas, Ana e Catrina, fazendo uma ligação com duas das famílias nobres do período; o marido de Ana, era o filho mais velho de Thomas Howard – Conde de Surrey e Catarina, casou-se com Lord William Courtenay, filho do Conde de Devon.

Embora não seja muito mencionado, Elizabeth cercou-se da família. Ela arcou com o custo de vida de todas as suas irmãs, exceto Cecily. Sua irmã mais nova, Bridget, era freira no convento dominicano em Dartford e sua irmã Ana, precisava receber salários anuais, pois seu marido, Thomas – Lord Howard, não receberia sua herança até a morte de seu pai (muito tempo após a morte de Ana). Sua irmã Catarina e seus três filhos, receberam tanto pensões quanto presentes e roupas, pois o marido de Catarina, William Courtenay, havia caído em desgraça com Henrique VII.

Assim, podemos assumir que Elizabeth de York era uma mulher profundamente dedicada a sua família desde tenra idade, no entanto, isto não a afastou de seus deveres reais e de cumprir um papel político quando necessário.

O cronista Bernard Andre escreveu que:
“Eu não poderia deixar de falar dela quando ainda era uma menina (…) Maravilhosa piedosa e temente a Deus, com um notável respeito por seus pais, o amor quase inacreditável para com os seus irmãos e irmãs e o nobre e singular carinho para com os pobres, além dos ensinamentos de Cristo, que foram incutidos nela desde a infância.”

CONTINUA…

Arte via: (http://vanderbilt.tumblr.com/)

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