Margaret Tudor – A Esquecida Rainha da Escócia

Captura de Tela 2015-07-18 às 08.50.46O famoso monarca Tudor Henrique VIII, tende a ofuscar todos os seus irmãos, por razões óbvias. No entanto, a maioria das pessoas – graças à romances como The Sword and the Rose (de 1953) e The Tudors (2007-2010) – possuem algum conhecimento sobre sua irmã mais nova, a impetuosa Mary Tudor, que casou-se pela primeira vez com o Rei da França e posteriormente, desposou o melhor amigo de seu irmão, o galante Charles Brandon, Duque de Suffolk.
O Irmão mais velho de Henrique, Arthur Tudor, que foi o herdeiro do trono até sua morte – aos quinze anos – é geralmente conhecido por ser o primeiro marido da primeira esposa de Henrique, Catarina de Aragão. Ainda existe uma grande controvérsia a respeito desta união, principalmente no que tange o ato da consumação marital do casal.

Porém, poucas pessoas conhecem ou se interessam pela irmã mais velha do monarca, Margaret Tudor, que assim como sua irmã mais nova, Maria Rainha da França, também fora uma Rainha (e com R maiúsculo).
A vida de Margaret, foi de fato tão tumultuada e volátil como a de seus irmãos mais novos. As políticas envolvidas em seu casamento, moldaram significativamente o futuro da Escócia e Inglaterra. Ela foi a avó de Maria, A rainha da Escócia e bisavó de James VI da Escócia e I da Inglaterra. Suas ações, de fato, desempenharam um papel na posterior união da Escócia com a Inglaterra, resultando no conhecido Ato de União, de 1707.

Então perguntamos: Como Margaret continua sendo uma figura histórica tão obscura e esquecida? 
Margaret Tudor foi a segunda criança nascida de Henrique VII e Elizabeth de York, que haviam casado-se em 1486. ​Ela nasceu em 28 de novembro de 1489 no Palácio de Westminster, em Londres, e foi nomeada em homenagem à sua avó paterna, Margaret Beaufort, cuja persistente proteção e promoção de seu filho, Henrique Tudor, ajudou a trazê-lo à realeza como Henrique VII da Inglaterra.

elizabeth-henryVIIEmbora seu pai certamente esperasse por um segundo filho, filhas reais eram extremamente úteis pois eram através de seus casamentos com potências estrangeiras, que a maioria das alianças políticas eram feitas, garantindo assim, maior prestígio e consideráveis alianças com estados poderosos ao reino.

Seu primeiro ano de vida foi gasto principalmente em um berço de carvalho forrado com arminho e envolto em pano de ouro, um ambiente ornamentado com o qual ela acostumou-se e sentiu muita falta mais tarde na vida.
Ela passou seus primeiros anos no local favorito de seu pai, no Palácio de Sheen, perto do Tamisa (o Castelo foi rebatizado mais tarde como Palácio de Richmond), até que um incêndio fez com que o berçário real fosse transferido para Eltham.
Margaret aprendeu em tenra idade a tocar o alaúde, clavicórdio e dançar – habilidades tradicionais associadas à realeza feminina. Ela também estudou latim e francês, além de possuir boas habilidades em arco e flecha. É provável que a rainha Elizabeth tenha garantido que sua filha também aprendesse as habilidades femininas tradicionais, como bordado, costura e como gerir uma casa.

Seu quinto aniversário coincidiu com a elevação de seu irmão mais novo, Henrique, ao ducado de York, em 1494. Houve um grande torneio comemorativo em Westminster, que durou três dias e o aparecimento da Princesa Margaret, foi gravado para a posteridade. Ela usava um vestido de veludo branco com um laço de ouro e uma boina branca, um estilo não muito comum na Inglaterra, porém, bastante popular nos Países Baixos.

m5Suas melhores características eram sua tez alva e cabelos claros, ambos herdados de sua mãe. Porém, seu temperamento, era o de seu avô materno, Eduardo IV, um traço que ela dividia com seu jovem irmão Henrique.
Enquanto o príncipe Arthur era um menino reservado e pensativo, dedicado principalmente aos estudos, Margaret e Henrique foram sociáveis e agitados. Eles dançaram no torneio, para a diversão dos adultos, e Margaret foi quem entregou os prêmios aos vencedores das Justas.

Como a primeira princesa Tudor, Margaret foi imediatamente colocada no mercado europeu de casamento, e seu pai estava ansioso para reforçar o apoio externo para sua nova dinastia. Henrique estava decidido a reforçar o prestígio da coroa Tudor, particularmente porque pretendentes continuavam a ameaçar sua segurança. A ameaça York permanecia, o que significava que a dinastia Tudor ainda era frágil.

Ao mesmo tempo, a Inglaterra tentou alcançar a harmonia com seu vizinho do norte, com o qual tinha habitualmente experimentado relações hostis e suspeitas ao longo dos anos. Tendo em conta estes fatores, não é surpreendente que o rei Tudor, tenha arranjado para sua filha mais velha, uma união com James IV, Rei da Escócia, um homem 16 anos mais velho que ela. Em 24 de Janeiro de 1502, foi concluído o tratado de casamento entre a Inglaterra e a Escócia. Henrique VII prometeu um dote £ 10.000 pela mão de sua filha, enquanto o rei escocês jurou que sua noiva receberia £ 1.000 escocesas por ano, assim como terras e castelos que lhe proporcionariam uma renda de £ 6.000 a cada ano.

Em fevereiro de 1503, a família real mergulhou-se em tragédia, com a morte da Rainha Elizabeth de York, na Torre de Londres, aos trinta e sete anos de idade. O modo como Margaret sentiu-se à respeito da morte de sua mãe, permanece desconhecido, mas tendo apenas 13 anos de idade, é razoável acreditar que a perda, tenha exercido um severo impacto sobre ela.

No entanto, os preparativos para sua viagem parm3a a Escócia continuaram, e em 8 de julho, ela começou sua viagem para o norte, com sua comitiva sendo liderada pelo Conde de Surrey.

Conforme especulam os historiadores, Margaret pode ter achado desconcertante, o fato de que seu marido já possuísse nada menos que sete filhos bastardos, alojados no castelo de Stirling – que ela recebeu como dote pelo casamento – além de continuar mantendo aquecido o leito de sua amante, Janet Kennedy.

James IV também acreditava que esta união, restauraria o orgulho escocês, que tanto havia sofrido com o assédio Inglês ao longo de suas fronteiras. Ele ordenou um grande enxoval de Paris, assim como presentes para Margaret e roupas novas para seus cortesãos.

O papel mais importante de Margaret como rainha, era produzir um herdeiro masculino, para salvaguardar a dinastia, algo que ela fez devidamente em 1507, porém, o príncipe chamado James – em homenagem a seu pai – morreu em Stirling, em fevereiro de 1508.

A filha nascida em julho daquele ano, morreu no mesmo dia. Assim como sua cunhada Catarina de Aragão, Margaret experimentou algumas tragédias perinatais, porém, felizmente ela mais tarde, conseguiu dar à luz a um filho saudável.
Em 11 de Abril 1512, aos vinte e dois anos deidade, Margaret Tudor deu à luz James, que mais tarde tornaria-se James V da Escócia – após a morte de seu pai na batalha de Flodden, em 09 de setembro de 1513.

m4Margaret deveria, segundo a vontade de seu falecido marido, servir como regente de seu filho, desde que ela não se casasse novamente. Quatro nobres encabeçavam um conselho para ajudá-la no governo do reino. No entanto, em 6 de agosto de 1514, menos de um ano após a morte do primeiro marido, Margaret casou-se novamente. Seu marido era Archibald Douglas, sexto Conde de Angus, o maior magnata escocês da época. Devido a esta decisão, Margaret renunciou à sua posição como regente do reino.

A decisão de Margaret foi considerada como impetuosa e tola, mas é possível que ela talvez estivesse procurando uma medida de segurança e estabilidade, considerando que era uma jovem viúva com um filho recém-nascido, sozinha em um reino estrangeiro.

O conselho posteriormente, convidou John Stewart, primo do falecido rei, para tornar-se regente. Como Margaret desconfiava, seu novo marido era extremamente impopular entre os outros Lordes. Ela desconfiava e ressentia-se profundamente  de Stewart, Duque de Albany, e incentivou seu irmão, Henrique VIII da Inglaterra, a restaurar a sua autoridade pela força. Em 30 de setembro de 1515, desesperada e desiludida, a ex-rainha fugiu para a Inglaterra, em um movimento que notavelmente foi reproduzido por sua neta Maria Stuart, cerca de cinquenta anos mais tarde. Ambas as rainhas procuraram refúgio e assistência na Inglaterra.

6th_earl_of_angusEm 7 de outubro, a rainha grávida deu à luz uma filha, Margaret Douglas. A provação quase matou-a e deixou-a muito fraca. Enquanto ela estava gravemente doente em Morpeth, seu segundo filho Alexander morreu em dezembro do mesmo ano.
Em 3 de Maio de 1516, Margaret chegou à Londres e encontrou seu irmão pela primeira vez em 13 anos, desde que havia deixado a Inglaterra, no verão de 1503.
Ela permaneceu na Inglaterra durante mais de um ano, separada do marido, e o Conselho Escocês prometeu enviar suas jóias para que ela pudesse pagar seus aluguéis, porém, mesmo recebendo suas jóias, seus rendimentos não foram de fato restaurados, forçando a rainha humilhada, a pedir dinheiro ao Cardeal Thomas Wolsey.

Em maio de 1517, Margaret viajou de volta à Escócia, após de ter recebido com antecedência, a promessa de que iria ser bem tratada e que nem ela nem seus acompanhantes, seriam presos. No entanto, seu casamento com o Angus estava sob pressão crescente. Seu marido havia arranjado uma amante enquanto Margaret residia na Inglaterra, e tinha tomado as rendas da rainha de Methven e Ettrick Forest. Quando descobriu sobre o affair de seu marido, Margaret pediu a Henrique VIII para que a deixasse voltar para a Inglaterra, ele porém, recusou-se, e pediu-lhe para que retornasse a seu marido. Devido a isto – juntamente com a política diplomática escocesa, em manter relações mais estreitas com a França como meio de garantir segurança de ambas as potências para o caso de uma invasão Inglesa – Margaret acabou tornando-se uma figura marginal na Escócia por volta de 1519.

margaret_tudor_defies_parliamentOs conflitos entre Albany e os nobres escoceses persistiram, especialmente devido à prisão de Albany, na França. Em dezembro de 1521, Albany retornou a Edimburgo e foi calorosamente recebido por Margaret, que esperava que ele ajudasse a restaurar suas receitas e a obter uma anulação de seu frustrado matrimônio com o Conde de Angus.
Henrique VIII tomou conhecimento sobre os rumores de que sua irmã era amante de Albany e repreendeu-a em uma carta, fazendo com que Margaret ficasse indignada e lhe escrevesse uma resposta emocional a sua “afiada e cruel carta”.
Albany baniu o Conde Angus e seu irmão George para a França, e até mesmo reuniu um exército em setembro, com o objetivo de invadir a Inglaterra; mas a sombra da memória da batalha de Flodden dissuadiu-o de prosseguir neste caminho. Eventualmente, uma trégua fora alcançada.

Quando Albany partiu de volta para a França em 1524, Margaret ganhou o apoio dos Hamiltons, uma poderosa família nobre escocesa, que era chefiada pelo segundo conde de Arran. Um golpe foi feito, que trouxe um fim a regência de Albany e em 26 de julho do mesmo ano, investiu James V, o filho de doze anos de Margaret, com autoridade real completa. O governo de Margaret foi recebido com hostilidade e suspeita, no entanto, foi observado que a rainha não tinha um bom conselho, e o Duque de Norfolk escreveu a Wolsey sobre como Margaret havia tornado-se impopular como resultado ao golpe.

m2,jpgMargaret continuou a estimular Albany, que residia no exterior, em ajudá-la a conseguir um divórcio de Angus, que a perturbava. Ela estava determinada a casar-se com Henry Stewart, seu tesoureiro. O Papa finalmente anulou seu casamento março 1527, em razão de um pré-contrato entre Angus e Lady Jane Stewart.

Logo depois, uma apaixonada Margaret casou-se com Henry Stewart, e reconheceu-o como seu marido pela primeira vez em meados de abril, de 1528. Angus retaliou a isto prendendo Stewart e mantendo-o confinado, porém James V respondeu a isto, expulsando não apenas Angus, mas todo seu governo. Henry Stewart foi feito Lorde Methven e os Douglas foram considerados culpados de traição. Margaret, no entanto, ficou furiosa quando seu irmão Henrique abrigou Angus na Inglaterra.

As relações de Margaret com seu filho eram complexas, especialmente por causa de conflitos sobre política externa. Margaret sempre favoreceu relações mais estreitas com seu país natal, a Inglaterra, e incentivou o filho a casar-se com sua prima, Maria Tudor, filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão. James, no entanto, decidiu-se pela aliança francesa. As esperanças da rainha de uma aliança anglo-escocesa, foram frustradas quando seu filho casou-se com Madeleine de Valois em 1537.

M1As dificuldades pessoais de Margaret com seus maridos continuaram, seu terceiro marido, Henry Stewart, agora Lorde Methven, havia tomado uma amante, fazendo com que Margaret enviasse uma corrente de cartas, queixando-se a Henrique VIII e seus ministros, por volta de 1530. Ele havia perdido suas receitas e endividado Margaret em £ 8.000.
Ela tentou o divórcio, porém não fora bem sucedida, embora tenha tentado fugir para Berwick no Outono de 1537, antes de ser interceptada.

A Rainha Madeleine havia morrido em julho do mesmo ano, e seu filho, que continuou a favorecer uma aliança com a França, casou-se com Marie de Guise, em quem Henrique VIII tinham mostrado algum interesse como uma possível noiva após a morte de sua terceira consorte, Jane Seymour.

Os anos finais de Margaret Tudor foram infrutíferos, solitários e infelizes. Em 18 de outubro de 1541, contando com cinquenta e um anos de idade, ela morreu após sofrer um acidente vascular cerebral no Castelo de Methven. Seu filho não chegou a tempo, embora sua mãe tenha solicitado sua presença em seu leito de morte. Ela foi enterrada na abadia de St John, em Perth.

 Lista dos filhos de Margaret Tudor, rainha da Escócia:

Com James IV da Escócia –

  • James, Duque de Rothesay. (1507-1508)
  • Filha Natimorto. (1508-1508)
  • Arthur, Duque de Rothesay. (1509-1510)
  • James V. (1512-1542)
  • Filha Natimorto. (1512-1512)
  • Alexander, Duque de Ross. (1514-1515)

Com Archibald Douglas –

  • Margaret Douglas, condessa de Lennox. (1515-1578)

Com Henry Stewart –

  • Dorothea Stewart. (?)

Descendentes de Margaret Tudor:

A neta de Margaret Tudor, Maria, Rainha dos Escoceses, filha de James V, tornou-se rainha da Escócia. Seu segundo marido, Henry Stewart, Lord Darnley, também era neto de Margaret Tudor (sua mãe era Margaret Douglas, era filha de Margaret com seu segundo marido, Archibald Douglas.)

Maria acabou sendo executada por sua prima, a Rainha Elizabeth I da Inglaterra, que era sobrinha de Margaret Tudor. No entanto, o filho de Maria e Darnley, tornou-se rei James VI da Escócia. Elizabeth nomeou James seu herdeiro e após sua morte e ele tornou-se o Rei James I da Inglaterra.

Como Richard Glen Eaves escreveu: “É difícil de se obter uma clara impressão da rainha Margaret, seja sobre sua personalidade ou seu impacto sobre os eventos históricos… Parece claro que seus anos na Escócia foram geralmente infelizes. Ela tinha apenas vinte e três anos quando seu primeiro marido foi morto, e seus dois casamentos subsequentes falharam completamente; ela também tinha contato limitado tanto com seu filho, na Escócia, quanto com sua filha na Inglaterra…, mas em um aspecto geral, ela foi inegavelmente uma rainha bem-sucedida, pois foi através de seu primeiro casamento que nasceu uma linhagem que, eventualmente, uniria a Inglaterra e Escócia. ”

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Fontes:

Women History: AQUI.
Conor Byrne Mex: AQUI.
English History: AQUI.

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