A ascendência Tudor de Anastásia Romanov

postMuitos conhecem ou já ouviram falar na jovem Grã-duquesa Anastásia, filha de Nicolau II Romanov, o último Imperador da Rússia. Ela, juntamente com sua família, morreu assassinada por soldados bolcheviques, em 1918. O que poucos sabem, é que Anastásia, juntamente com seus irmãos, descendia por via materna, da Dinastia Tudor. Neste artigo, iremos falar um pouco sobre a Grã-duquesa, seguido de suas peças-chave genealógicas, ou seja, antepassados que permitiram que a jovem Grã-Duquesa, descendesse da Dinastia fundada por Henrique Tudor.

Após o que ficaria conhecido como, o assassinato dos Romanov, boatos circularam, onde muitos acreditavam que a jovem e extrovertida filha mais nova de Nicolau e sua esposa Alexandra, na realidade escapara do trágico destino de seus familiares. Estes boatos, foram depois reforçados, pelas inúmeras mulheres que alegavam ser a própria jovem grã-duquesa, que conseguira escapar sã e salva daquele trágico fim. Provavelmente as mais famosas mulheres a alegarem ser Anastásia, foram – em ordem – Anna Anderson, Eugenia Smith e Nadezhda Ivanovna Vasilyeva.

Graças a tais boatos, que mais tarde seriam imortalizados em grandes clássicos de Hollywood, como ”Anastásia” de 1956 – estrelando a bela Ingrid Bergman no papel principal – e claro, para os mais jovens, a animação de mesmo nome de 1997 – produzida pela 20th Century Fox -, a Grã-Duquesa, passou a viver no imaginário popular, atingindo um status de alto interesse e cultuamento histórico.

Em nosso artigo de genealogia de hoje, falaremos sobre a ascendência inglesa, pouco conhecida da jovem Anastásia, traçando suas raízes até claro, o período Tudor. Exatamente, poucos sabem, mas por via materna, ela descendeu de nomes como James I da Inglaterra, Maria Stuart, Margaret Tudor e claro, Henrique VII.

Para chegarmos em Henrique VII, traçaremos a árvore genealógica de Anastásia via materna e com isso, como de costume, encontraremos o que gosto de denominar – vide meus outros artigos sobre o assunto – de peça-chave para a ancestralidade da pessoa em questão.

Como a retratada de hoje provém do século XX, tendo por este motivo, suas raízes mais distantes do período Tudor, usarei duas peças-chaves para designar sua ancestralidade, que são mãe e filha respectivamente, Elizabeth da Boêmia e Sofia de Hanover.

Porém, para que tudo fique muito bem explicado, antes falarei um pouco sobre Alexandra Feodorovna ou Alice de Hesse, a mãe da Grã-duquesa.

Alexandra Feodorovna:

Alexandra_Fyodorovna_LOC_01137uAlexandra nasceu em Darmstadt, uma cidade localizada em Hessen, na Alemanha, no dia 6 de Junho de 1872. Seu nome era Vitória Alice Helena Luísa Beatriz de Hesse, e ela era filha de Luís IV, Grã-Duque de Hesse e sua esposa, a inglesa, Alice do Reino Unido. Alice, mãe de Alexandra, foi a terceira filha da rainha Vitória e de seu marido Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Isto faz de Anastásia, bisneta de Vitória do Reino Unido. Como sabemos, os monarcas britânicos descendem dos Tudors, à partir de algumas peças-chave, como Maria Stuart, James I, Margaret Tudor e etc… Após casar-se com Nicolau, Alice, como era conhecida, converteu-se à Igreja Ortodoxa Russa e passou a chamar-se Alexandra, como a maioria das pessoas a conhecem e designam até hoje. Dado o nome tipicamente russo, seguido do país de origem de Anastásia, muitas pessoas não vão muito mais além na genealogia da jovem e não notam o parentesco com a rainha inglesa e sequer sua ancestralidade britânica.

Elizabeth da Boêmia:princess-elizabeth-the-daughter-of-king-james-i-marcus-gheeraertsElizabeth da Boêmia (nascida Stuart), nasceu em 19 de Agosto de 1596 na Escócia, durante o reinado de Elizabeth I – tendo recebido seu nome, em homenagem a última monarca Tudor. Ela fora filha de James I da Inglaterra e sua esposa, Ana da Dinamarca, consequentemente, sendo neta de Maria Stuart, Rainha dos Escoceses. Ela viveu no auge das revoltas anti-protestantes inglesas, como a Conspiração da Pólvora em 1605 e a Guerra civil inglesa, que culminaria com a execução de seu irmão Charles I em 30 de Janeiro de 1649 e deposição da monarquia inglesa; seguida da ascensão de seu sobrinho Charles II e restauração monárquica em solo inglês, em 1660.

Seu casamento com Frederico V, Eleitor Palatino, fora a primeira das muitas principais conexões que uniriam a antiga linhagem inglesa-escocesa Stuart, com a Alemanha. Seus descendentes, fariam casamentos por toda a Europa e graças a um deles, no caso, Sofia de Hanover, a coroa britânica passaria para um alemão protestante.

Devido sua crescente popularidade e a fim de proteger o protestantismo no Império contra Fernando II, o Sacro Imperador Romano – que era católico, em uma fase de consolidação do protestantismo em solo europeu – foi dada a Frederico, a coroa da Boêmia, fazendo dele e de sua mulher, rei e rainha da Boêmia, respectivamente. Porém, seu reinado protestante fora breve, terminando com uma amarga derrota em âmbito militar, no que ficara conhecida como ”Battle of White Mountain – Batalha da Montanha Branca” – contra a liga católica alemã. Esta derrota implicaria na perseguição e morte de alguns protestantes alemães. Graças a seu curto reinado, eles ficariam conhecidos como ”O rei e rainha de inverno”. Após seu exílio e morte de seu marido, ela retorna à Inglaterra, local onde passara parte de sua vida, morrendo em 13 de Fevereiro de 1662.

Sofia de Hânover:
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Ela foi filha de Elizabeth da Boêmia (acima) e seu marido Frederico V. Sofia casou-se com Ernesto Augusto, Eleitor de Hanover e fora mãe de George Eleitor de Hanover, um protestante alemão, que viria a tornar-se George I da Grã-Bretanha. É essencial falar destas duas personagens históricas, mãe e filha, a fim de entendermos como o trono inglês passou para as mãos de um alemão – no caso George – fazendo com que a casa alemã de Hanover, passasse a figurar no meio das casas reais inglesas e reinasse sob a Inglaterra, até o reinado de Vitória do Reino Unido.

Com o que ficaria conhecido como ”Act of Settlement”, ou Ato de Estabelecimento – um decreto de 1701, que tinha como finalidade, entregar a coroa britânica para seus herdeiros protestantes, no caso, Sofia de Hanover – a coroa britânica passou para um herdeiro alemão. Tudo devia-se ao fato de Maria II e seu marido William III, não possuírem herdeiros ao trono e claro, ao fato de todos os outros possíveis herdeiros Stuart, serem católicos. A intenção era clara, preservar o protestantismo em território inglês, mesmo que isso custasse relegar o trono, aos seus herdeiros não católicos, ao invés dos especificamente diretos e católicos. Após a morte de Maria e William, o trono acabou sendo herdado por Ana, neta de Charles I.

O consentimento real em relação ao ato parlamentar de 1701, fora inicialmente vetado por Ana, a herdeira do trono por direito de linhagem, porém, tempos depois aceita, com o que viria a ser o Decreto da Seguridade de 1704. Ana reinou de 1702 a 1707, quando transformou as coroas da Escócia e Inglaterra em um único estado soberano, a Grã-Bretanha. Sem um herdeiro que sobrevivesse, Ana relutante, aceitou as condições referentes à sucessão Hanoveriana.

Os descendentes de Sofia através de seu filho George, reinariam na Inglaterra, e com talvez a mais ilustre dos Hanovers, Vitória, chegariam ao resto da Europa através de seus descendentes e é ai, que chegamos na jovem Grã-Duquesa Anastásia. É claro que tudo fora bastante sintetizado e que os eventos que acarretaram a entrega do trono do que passou a ser conhecido como Grã-Bretanha a um alemão protestante, foram muito mais complexos. Porém, como a intenção do artigo é traçar de modo rápido uma conexão entre o retratado (no caso Anastásia) e suas peças genealógicas chave, espero que tenhamos conseguido ao menos, esclarecer um pouco, esta parte da história britânica.

E foi assim, que graças a essas duas mulheres, que nunca (obviamente) saberiam da existência de Anastásia, conferiram à ela e a tantos outros nobres e monarcas europeus, um pouquinho do sangue Tudor, correndo em suas veias.

Vamos agora, traçar a árvore genealógica, que vai de Anástasia, até o fundador da Dinastia Tudor, Henrique VII. Veja à seguir:

Anastásia – Grã-duquesa da Rússia
I
Alexandra Feordovna – Imperatriz da Rússia
I
Alice do Reino Unido
I
Rainha Vitória do Reino Unido
I
Eduardo, Duque de Kent
I
George III do Reino Unido
I
Frederico, Príncipe de Gales
I
George II da Grã-Bretanha
I
George I da Grã-Bretanha
I
Sofia de Hanover
I
Elizabeth da Boêmia
I
James I da Inglaterra
I
Maria Stuart, Rainha da Escócia
I
James V da Escócia
I
Margaret Tudor
I
Henrique VII, fundador da Dinastia Tudor.

Espero que tenham gostado de mais um artigo de genealogia. Tem alguma sugestão? Mande para nós!

Fontes:
Para mais artigos sobre a Grã-duquesa, acessem nossa página parceira: Rainhas Trágicas.
Sophia of Hanover: From Winter Princess, to Heiress of Great Britan – J.N. Duggan.

 

tudors

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4 comentários Adicione o seu

  1. Sandra Coelho disse:

    Eu amo este tipo de artigos, acho fantástico compreender a ligação entre as pessoas após séculos.

    Continuem! ❤

    1. Fabiano disse:

      Então você ama genealogia. Já pensou em criar sua árvore genealógica? Eu tenho a minha em alguns sites como o FamilySearch.org, o geni.com e o genoom. Cadastre-se gratuitamente, vá colocando seu nome, os dos seus pais, avós, bisavós e por aí vai. Já cheguei a ancestrais meus do século IX. Consegui comprovar um boato que sempre ouvi na minha família, o de que éramos parentes de sangue da Marquesa de Santos. Também tenho a Anastasia na minha árvore:

      Veja: http://www.geni.com/path/Fabiano+is+related+to+Anastasia-Nikolaevna-Romanova?from=6000000019335525724&to=6000000006101264133

      Boa sorte e parabéns por partilhar essa paixão comigo.

  2. Susane disse:

    Também achei o artigo fantástico, mas não vi a Bibliografia. Ou vocês tiraram as informações do site Rainhas Trágicas?

    1. Tudor Brasil disse:

      Foi tirado de um site de pesquisas genealógicas no qual não posso divulgar o nome. As informações históricas foram retiradas do livro ”Sophia of Hanover: From Winter Princess to Heiress of Great Britain”, de J.N. Duggan e as sobre a princesa Anastásia, do site Rainhas Trágicas, correto.

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