Ana Bolena Parte XIII: O Primeiro Ato de Sucessão

Captura de Tela 2015-03-23 às 12.54.22Após a declaração do parlamento, de que o matrimônio do Rei com Catarina de Aragão, ou Lady Catherine (como passara a ser formalmente chamada) era ”nulo e sem efeito”, indo contra as leis de Deus e transformando-a em viúva de Arthur e acima de tudo, não mais rainha daquele reino, Ana Bolena, era agora, indubitavelmente aos olhos de Deus e politicamente, a esposa de Henrique VIII.

Mesmo assim, para assegurar que a sorte continuasse andando a seu favor, algumas medidas ainda deveriam ser tomadas, como por exemplo, garantir que o fruto desta união, que estava carregando em seu ventre, assim como os outros futuros herdeiros desta união, fossem inseridos dentro da linha sucessória ao trono inglês. Caso contrário, os filhos desta união, seriam relegados ao patamar de bastardos, tendo apenas Maria – fruto do casamento de Henrique e Catarina – direito a ascender ao trono inglês.

O Primeiro Ato de Sucessão, fora então aprovado pelo parlamento em Março de 1534. De fato, a lei foi realizada em 1533, sendo nomeada como tal, mas formalmente falando, ela muitas vezes é datada como 1534, ano em que fora de fato, aprovada. Em todo modo, segundo o calendário do período, o correto é 1533, antes do nascimento da princesa Elizabeth.

O ato fazia com que o herdeiro no ventre de Ana (que depois saberíamos tratar-se de uma menina – Elizabeth) filho de sua união com Henrique VIII, fosse o verdadeiro sucessor a coroa inglesa, fazendo com que Maria, filha do monarca com Catarina, fosse relegada ao status de bastarda.

Em novembro de 1534, o ”Act Respecting the Oath to the Succession” (ou: A Lei Respeitando o Juramento à sucessão) foi aprovado pelo parlamento inglês. Esta lei, consistia que todas as pessoas do reino, fizessem um juramento defendendo a lei de sucessão que ocorreu em Março do mesmo ano.

Para solidificar o status de Ana Bolena como rainha consorte do reino de Inglaterra, segundo à lei, todos deviam prestar um juramento, reconhecendo-a como esposa legítima de Henrique VIII, assim como os filhos desta união. Obviamente os Bolena possuíam muitos inimigos – sendo a maioria deles, simpatizantes da causa ou pessoa de Catarina de Aragão – que recusaram-se a fazê-lo. Porém, qualquer pessoa que se recusasse a prestar o juramento, seria culpado de alta traição. alta traição, ”tendo de sofrer as dores de prisão, perda e confisco de bens, privilégios e santuários e até a morte.”

O Juramento de Sucessão, por si só fora mais complexo que o ato inicial. Ele exigia que as pessoas jurassem e renunciassem o poder de qualquer “autoridade ou potentado estrangeiro” e repudiassem qualquer juramento anteriormente realizado para tais autoridades.

Provavelmente, os nomes mais famosos a recusarem-se a tal, foram Thomas More e John Fisher. Os motivos primeiramente, iam contra suas convicções religiosas, além de irem contra a devoção que nutriam pela antiga rainha consorte e por este motivo, ambos pagariam com suas vidas. John Fisher era conhecido por ser o confessor de Catarina de Aragão, recusando tanto o ato de sucessão, quanto o de supremacia. Ele foi decapitado um ano depois, em 22 de Junho de 1535. Quanto a More, ele fora julgado, condenado e culpado em 1 de Julho de 1535, por alta traição, ao negar a validade da lei de sucessão e ato de supremacia. Ele acreditou que enquanto não negasse explicitamente que o Rei era o chefe supremo da Igreja, não poderia ser condenado, recusando-se a responder qualquer pergunta sobre o assunto.

Porém More foi julgado culpado sob a seguinte lei de traição de 1534:

”…Se qualquer pessoa(s), após o primeiro dia do próximo mês de fevereiro, maliciosamente em vontade ou desejo, por palavras ou escrita, ou por ofício imaginar, inventar, praticar, ou tentar qualquer dano corporal contra a pessoa do rei, rainha ou seus herdeiros aparentes, ou privar qualquer um deles de sua dignidade, título ou nome de suas propriedades reais …Que então esta(s) pessoa(s) por ofender(em)…deve(m) ter ou sofrer(em) tais dores de morte ou outras penas, como é consentido em casos de alta traição.”

More foi condenado a ser enforcado, arrastado e esquartejado, punição comum designada a traidores que não faziam parte da realeza, mas o rei optou por decapitação. Ele foi executado no dia 6 de Julho de 1535. More declarou que ”morreu sendo um bom servo do rei, mas a Deus em primeiro lugar.”

Agora Ana era inquestionavelmente a Rainha da Inglaterra e nada nem ninguém poderiam entrar em seu caminho, por enquanto…

Continua…

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