As Mulheres no Renascimento – Parte II – Oriente Médio: O Sultanato das Mulheres

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Caso queira, leia o artigo ouvindo: aqui.

O Sultanato das Mulheres, foi um período do século XVI até parte do século XVII, onde o poder do Império Otomano estava, ainda que em parte, nas mãos das Valides Sultanas (mãe do sultão) e de suas Haseki Sultan (esposas oficiais).

A lógica de manutenção do poder era a mesma. A concubina (hatun) era escolhida pelo Sultão. Caso desse a ele um filho homem, ela se tornava Sultana. Caso este filho homem se tornasse sultão após a morte do pai, a sua mãe se tornava Valide Sultana, o mais alto posto para uma mulher no Império Otomano.

Para manter-se neste jogo de poder, era necessário astúcia, inteligência e sangue frio, atributos necessários para sobreviver no mundo de intrigas palaciano do império. Além disso, as sultanas desse período construíram palácios, obras arquitetônicas, grandes jardins, hospitais para os mais pobres e abrigos, obras de caridade que existem até hoje.

Ayse Hafsa Sultan (1479-1534) :
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Considerada a primeira Valide Sultana, mãe de Suleiman, o magnifico, sultão do período glorioso do império Otomano. Foi consorte de Selim I. De 1513 a 1520, Hafsa Sultan residiu com seu filho em Manisa (agora no oeste da Turquia) enquanto ele estava administrando a área. Ela foi responsável pela construção de estabelecimentos como, uma mesquita, escola primária, faculdade e hospital, onde hoje existe um monumento em sua homenagem. Ela também deu início ao “Festival Mesir” que continua em prática até hoje. Após Suleiman chegar ao poder em 1520, ela tornou-se uma das mais poderosas mulheres do império. Pietro Bragadin, o embaixador veneziano na Corte de Suleiman, falou dela como ”uma bela mulher de 48 anos, a quem o filho prestava grande amor e reverência”.

Hurrem Sultan (1534-1558):

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Esposa oficial de Suleiman e sua Valide Sultan, após a morte de Ayse. Hurrem ou Roxelana, como era conhecida, foi uma mulher muito astuta e poderosa. Deu ao sultão 5 filhos e através de tramas políticas, derrotou muitos inimigos, entre eles o filho mais velho de Suleiman com sua outra esposa, Mustafa, o herdeiro de seu pai. Muitos consideram que este fato é o ponto reverso na história otomana, pois após Suleiman, acontece uma decadência política. Mustafa era considerado um grande príncipe e seria um grande sultão. Com sua morte, dois de seus meio-irmãos acabam duelando pelo trono. Hurrem também foi conhecida por suas obras de caridade, por ser conselheira de seu marido e por ter escrito muitas cartas a ele, quando estava em campanha militar. Nas cartas, ela descreve a rotina do palácio durante sua ausência. Foi Sucedida por sua filha, Mirimah Sultan (1558-1574), após sua morte em 1558. Mirimah fez tudo semelhante a sua mãe e avó, funcionando como Valide de seu pai e irmão, Selim II.

Nurbanu Sultan (1574-1583) :

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Ela foi a esposa oficial de Selim II e mãe de Murad III. Nurbanu teve uma forte influência política, inclusive trocou cartas com a rainha francesa, Catarina de Médici. Também construiu mesquitas e reza a lenda, assegurou a sucessão de seu filho após a morte de Selim III, escondendo seu corpo, até que o filho estivesse presente e a salvo para suceder o pai.

Safiye Sultan (1583-1605):

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Esposa oficial de Murad III e mãe de Mehmed III. Ela fora apresentada a Murad por sua tia, Mirimah Sultan e desde então, tornou-se sua esposa favorita. Acredita-se que por um período, Murad manteve um relacionamento monogâmico com Safiye, algo incomum no império Otomano. Assim como a sogra, Safiye manteve relações diplomáticas com rainhas europeias, especialmente com Elizabeth I, trocando presentes entre si. Foi reconhecida por sua tenacidade e tino administrativo. Com a morte do esposo, tornou-se valide de seu filho, Mehmed III.

Handan Sultan (1603-1605):

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Foi esposa de Mehmed III e mãe de Ahmed I. Handan conseguiu convencer seu filho Ahmed I, para que abolisse a lei fratricida do império, onde os irmão matavam os outros pelo trono. Com isto, ela salvou a vida de Mustafa I. Também acredita-se que seu filho passou a levar à sério seus conselhos, respeitando a crença de que o direito de uma mãe, era o direito de Deus.

FONTES:
Saints sisters and sluts: AQUI.
”Haréns e o poder feminino no império Otomano” – Apresentação de Kamyla Dias, Museu Julio de Castilhos (24/02/2015), Porto Alegre.

 

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