Memento Mori – Lembre-se de que você é mortal

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Caso já tenha parado para admirar as pinturas ou manuscritos do período medieval, ou passeado por uma catedral européia antiga, com túmulos e monumentos visíveis, é provável que tenha notado que há uma significativa quantidade de imagens assustadoras, que datam desde o século XIV em diante. Não surpreendentemente, nos anos seguintes, a peste negra matou aproximadamente um terço da população européia, fazendo com que uma nova tendência surgisse nas artes e pensamento do período. Esta tendência, destacava encarar a morte de frente, ao invés de procurar afastar-se dela pelos prazeres mundanos. Muitos artistas criaram joias, pinturas, esculturas e manuscritos com imagens que pedem aos vivos que lembrem-se da morte (ou em latim, Memento Mori), que está sempre a espreita e não poupa ninguém. Mesmo sendo um movimento medieval, esta curiosa e realista arte, perdurou até depois do período Tudor.
Vamos conhecê-la melhor?

1- Cadáveres:
Talvez este seja o mais conhecido e provavelmente, o que mais tenha passado pelo constante uso desta arte. Na Europa, a quantidade de túmulos em igrejas ou catedrais com o tema, é enorme. Ao invés de apenas esqueletos, você pode encontrar efígies funerárias de cadáveres em vários estados de decomposição. Estas tumbas tem a aparência de corpos em decomposição ou esqueletos, ao invés de uma bela efígie do falecido (abaixo).

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2- Sapos, rãs, vermes e serpentes:
Não era apenas com imagens de caveiras ou cadáveres que as pessoas refletiam sobre sua própria mortalidade; elas também acrescentavam criaturas ao que resultaria em uma horripilante festa dos mortos, ou assim acreditavam eles. Caso um artista quisesse ser particularmente macabro, ele acrescentaria sapos, rãs, vermes ou serpentes. Embora tais criaturas (com exceção dos vermes) não fossem normalmente encontradas na natureza, alimentando-se de cadáveres em decomposição, elas eram associadas ao mal (lembre-se do Jardim do Éden, ou das pragas bíblicas) e morte no período. Você pode encontrar imagens destas criaturas deleitando-se na efígie de François I de la Serra (abaixo).

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3- Mortais Protestando:

Naturalmente, mesmo que as pessoas fossem encorajadas a contemplar a morte, isto não queria dizer que elas realmente a acolhiam com agrado. Existem imagens de Memento Mori, onde podemos ver a morte e seus serviçais, frequentemente partindo para uma vítima involuntária. Muitas vezes, a pessoa está mostrando sua relutância sobre o chamado mortal, através da linguagem corporal ou palavras.

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4- Demônios no leito de morte:
Desde que o Memento Mori fora criado, imagens relacionadas a incentivar as pessoas a pensarem sobre a morte em termos de salvação cristã, surgiram com semelhante força. Há uma abundância de demônios encontrados em imagens medievais de decesso – particularmente em cenas do leito de morte. Existem desde demônios tentando o pecador em seus últimos momentos, até distraindo o homem doente do conselho dos anjos. Acreditavam que as bestas estavam sempre prontas para arrastar os pecadores para o inferno.

Captura de Tela 2015-02-04 às 03.50.035- Esqueletos dançantes:

A principal imagem sobre a morte ou morrer, que pode ser encontrada em uma representação no final da Idade Média, é: A ”Danse Macabre” ou “Dança da Morte”. Nestas imagens, a morte é alegre, sempre ansiosa para puxar as pessoas para o embalo de sua dança. A Danse Macabre, muitas vezes apresenta esqueletos dançantes. As vezes, os esqueletos estão até tocando instrumentos e compondo suas próprias melodias. Embora os mortais não os olhem diretamente, os esqueletos na arte medieval sempre parecem se divertir muito em sua dança sepulcral.

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6- Joias e adornos pessoais:
As joias de luto eram um modo das pessoas se lembrarem dos entes queridos que haviam partido. Ao contrário dos anéis de luto tardios (que podiam conter mechas de cabelo ou pedaços de roupas pessoais do falecido), os anéis de luto convencionais tendiam a conter palavras gravadas, como “Lembre-se de mim” ou “Memento mori”. Tais peças de joalheria, também eram lembretes de que a morte era iminente, pois além de serem lembranças de entes queridos, as pessoas deviam lembrar-se que a morte era algo muito próximo. Tais peças eram geralmente anéis, pingentes ou partes de vestimenta.

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Enquanto a imagem da morte era destinada a incentivar o público a contemplar a eternidade e arrepender-se de seus pecados, os artistas obtinham uma certa alegria ao lembrar seus espectadores que, a morte chegaria para todos, desde reis e clérigos, até plebeus.

FONTES:
Medievalists: AQUI.

 

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