10 Curiosidades sobre a vida da mulher no período Tudor

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Desde ser queimada viva na fogueira, até o uso de tampões de cera de abelha ou lã encharcada de vinagre como método contraceptivo, a vida da mulher durante o período Tudor, estava longe de ser fácil.

Shakespeare Apaixonado é um filme icônico para os apreciadores desta dinastia. Nele, a atriz Gwyneth Paltrow, faz parecer que a vida das mulheres do período, era cor de rosa, regada de luxuria, encantos e beleza. A realidade porém, não era tão divertida.

O simples fato de ter nascido mulher, poderia representar um grande perigo para muitas na época… Sexo, política, status e poder, eram atribulações diariamente presentes na vida das mulheres Tudor.

Neste artigo falaremos um pouco mais sobre 10 curiosidades acerca da vida levada pelas mulheres na Inglaterra do século XVI. Acompanhem!


1- Roupas de baixo e não calcinhas:

As mulheres do período Tudor, não usavam calcinhas. Ao invés disto, usavam inúmeras camadas de roupas sobre o conhecido vestido; a camada que ficava em contato com o corpo, era chamada de chemise (bata).

Depois da chemise, vinham todas as outras camadas, como o farthingale, vestido, corset, mangas e etc. Abaixo da chemise, não existia nada! Pensando bem, isso poderia ser conveniente na hora de usar o urinol, entre outras coisas…

2- Donzelas mas nem tanto:

Considerado vergonhoso no período, o comportamento das damas na Corte Tudor, foi muito comentado nas Cortes do exterior.

Em 1581 – aos 16 anos de idade – a dama real, Anne Vavasour, deu à luz nos aposentos das damas de companhia no Palácio de Whitehall. Isso pegou a todos de surpresa, mas o detalhe a seguir é o mais controverso; A jovem mãe, foi seduzida pelo (bem mais velho e casado) Conde de Oxford.

Ao descobrir o affair, a furiosa rainha Elizabeth I encaminhou o casal à Torre de Londres.

Já durante década de 1590, o Conde de Essex teve relações carnais, com nada menos que quatro damas de companhia da Rainha.

3- A contracepção era algo complicado:

Métodos contraceptivos eram ilegais – uma vez que interferiam nos planos de Deus. No entanto, sempre que podiam, os meros mortais recorriam ao uso de um preservativo (chamado ”quondam”) confeccionado a partir da pele do cordeiro.

Algumas mulheres usavam lã embebida com vinagre e a inseriam nas regiões inferiores; outras usavam tampões de cera de abelha ou até tocos de madeira (que seriam retirados durante o ato sexual) como métodos contraceptivos.

Quando todas estas opções falhavam, elas poderiam recorrer à uma mistura de ervas a fim de induzir um aborto – ao invés de sofrer a vergonha de uma gravidez indesejada.

4- Para os homens, o melhor tipo de mulher, era a casada e grávida:

A sociedade inglesa durante o período Tudor, acreditava que as mulheres eram suscetíveis à tentação, sendo portanto, incapazes de controlar seus desejos mais básicos. O remédio para isto, era relações sexuais regulares – dentro da santidade do casamento, é claro.

As mulheres que permaneciam solteiras, eram vistas com desconfiança, levando muitas a serem condenadas como bruxas.

Como a amamentação dos bebês atrapalhava a ovulação das mulheres nobres, eles eram entregues para amas de leite, a fim de garantir que a mãe, ficasse grávida de novo, rapidamente (para mais informações, clique AQUI).

An Iron Bridle for a Scold's Tongue
Castigo feminino de rédeas de ferro.

5- O quarto não era local de novidades:

Uma vez casada, a posição de missionário foi a única modalidade sexual sancionada pela igreja, pois acreditavam ser a mais propensa para a produção de herdeiros do sexo masculino.

O sexo era meramente um fator de procriação e continuidade da linhagem, e qualquer posição mais criativa, faria com que ”o diabo deixasse o filho do casal com alguma deficiência envolvida no nascimento”. Os boatos de um feto defeituoso, fizeram com que muitos acreditassem que Ana Bolena, fazia parte deste seleto grupo.

6- O parto muitas vezes representava um perigo fatal:

A crença da dor e o risco de morte envolvidos ao parto, foi aceita como punição pelo fato das mulheres terem sido tentadas pela serpente no paraíso, causando a queda do homem. A fim de ampará-las neste quesito, eram feitas orações e utilizados amuletos e superstições.

O parto em hospitais e locais de higiene adequada, é um fenômeno moderno e não condizia com a realidade do período. A higiene de equipamentos era precária ou inexistente, causando infecções fatais nas mulheres, como foi o caso da febre puerperal – infecção séptica dos órgãos reprodutivos, que sempre resultava em morte.

Duas das seis esposas de Henrique VIII faleceram deste mal: Jane Seymour (terceira esposa, mãe de Eduardo VI) e Catarina Parr (sexta esposa de Henrique e mãe de Maria Seymour; sobrinha de Jane Seymour e filha de Thomas Seymour).

7- Era um mundo machista:

A maioria das mulheres casadas, vivia sob o domínio de seus maridos, tendo de ser obediente e submissa.

Se o marido não gostasse do comportamento de sua esposa, ele era autorizado a bater-lhe com um pau um pouco mais grosso que um polegar, mas de maneira que não pudesse matá-la ou deformá-la. Outro castigo comum destinado às mulheres, era desfilar em público usando rédeas de ferro (acima img.) com um aparato para a língua. A humilhação era certa!

Se um homem matasse sua esposa, ele seria julgado por assassinato. No entanto, se uma mulher fizesse o mesmo, ela seria acusada de traição, pois seria um crime contra sua autoridade. Assim sendo, a punição seria a morte por fogueira ou ebulição.

8- Fogueira ou ebulição por violar a lei:

Em 1531, Henrique VIII reintegrou uma antiga lei, destinando as assassinas por envenenamento, à morte por água fervente. Uma serva, Margaret Davy, foi condenada por envenenar seu empregador em 1542 e cozida viva no mercado de Lynn King.

Maria I recebeu a alcunha póstuma de ‘‘Bloody Mary’‘, por executar aproximadamente 200 vítimas em seu reinado, que se recusavam a seguir ou aceitar a fé católica. Já sua irmã Elizabeth, executou 600 vítimas, apenas na Rebelião do Norte, em 1569.

9- Um período de execuções, mas poucas torturas:

As mulheres podiam ser queimadas ou cozidas vivas, mas raramente foram torturadas. Sim, você não leu errado. Por mais que soe controverso, todos os castigos empregados às mulheres, não se encaixavam dentro dos padrões de tortura do período. Lembrando que não podemos criticar ou discordar de tal realidade, com base em nossa perspectiva moderna. No entanto, a pregadora protestante, Anne Askew, foi uma triste exceção…

No final do reinado de Henrique VIII, as facções religiosas na Corte, tornaram-se perigosamente polarizadas. Uma poderosa facção católica, tentou derrubar Catarina Parr, declarando que ela possuía suspeitas ligações com Askew.

Askew foi torturada na cremalheira; seus cotovelos e joelhos foram deslocados e seus ombros e quadris foram puxados de suas articulações. Estóica até o fim, ela se recusou a proferir qualquer palavra. Seus ferimentos eram tão grandes, que ela se tornou incapaz de ficar em pé, sendo acorrentada em uma cadeira, no momento de sua execução na fogueira.

10- Nem mesmo Elizabeth I escapou de suspeitas: 

Durante a vida de Elizabeth, seus inimigos católicos do continente, espalharam picantes histórias a fim de desacreditá-la. Se todas foram inventadas, ou se eram reais, não temos como saber, pois ela deixou instruções estritas de que seu corpo após sua morte, não fosse submetido à autópsia ou inspeção posterior.

Este extremo sigilo em torno de seu cadáver real, levou à especulações acerca do que Elizabeth pretendia esconder. Tais boatos deram origem às implausíveis lendas de que ela era um homem ou hermafrodita – tendo sido substituída ainda jovem, por um menino também ruivo.

Artigo revisado em 01/09/2020.

Referências Bibliográficas:

CRESSY; David. Birth, Marriage, and Death: Ritual, Religion, and the Life Cycle in Tudor and Stuart England; Edição Revisada. Oxford University Press, 1999.

SOMMERSET; Anne. Ladies-In-Waiting: From the Tudors to the Present Day. 1ª Edição. Estados Unidos: Alfred a Knopf Inc., 1984.

IVES, Eric. The Life and death of Anne Boleyn. 2ª Edição. Inglaterra: Wiley-Blackwell, 2011.

MARÉGA; Camila. O Figurino como objeto de historicidade e criação – Uma análise dos trajes do filme ‘A Outra’ (2008). Disponível em: <https://tudorbrasil.com/2020/05/25/o-figurino-como-objeto-de-historicidade-e-criacao-uma-analise-dos-trajes-do-filme-a-outra-2008/>.

 

4 comentários Adicione o seu

  1. Rayssa disse:

    Ser mulher é difícil em qualquer época, mesmo hoje, ainda ouvimos comentários preconceituosos em relação a nossa sexualidade, carreira e até mesmo capacidade intelectual. Lamentável, mas acontece.
    Em relação as mulheres do artigo, eu gostaria de um compartilhar um raciocínio – por assim dizer – que tive algum tempo atrás, acho que este é um momento adequado (princ. tópicos 2 e 4). Assim: Ana Bolena teria humilhado Henrique ao ter dito que ele não possuía virilidade ao copular com uma mulher = era ruim na cama. Então eu lembrei as mulheres não deveriam ter sexo para sentir prazer, e sim para conceber! Logo, não faz muito sentido essa reclamação, o Henrique amante seria igual a qualquer outro. Ou não. Isso me fez pensar que, se não “obrigatório” o marido satisfazer sexualmente sua esposa, pelo menos não era algo incomum. Também como foi exposto no texto, houve muitos casos de damas se relacionarem sexualmente sem qualquer compromisso, então, elas só poderiam estar atrás de prazer carnal. Por que de outro modo elas arriscariam sua honra? Porque Catarina Howard teria se envolvido com Culpeper, então?
    Não sei porque, mas eu me sinto confiante em expor minhas opiniões aqui. 🙂
    E antes que me esqueça, parabéns pelo artigo.

    1. Tudor Brasil disse:

      De fato Rayssa, sofremos até hoje por sermos mulheres, mas temos que levar em consideração, que evoluímos nossa ótica em relação a sociedade daquele período, que mesmo no seio da renascença, ainda enxergavam a mulher, mais como um útero, que como uma mente pensante! Enfim…
      Quanto a questão do sexo, muito pelo contrário, o conceito galênico, afirma que o orgasmo feminino, era crucial para a concepção de um herdeiro.
      Ou seja, o sexo era convencional, mas o prazer sempre existiu ou era procurado. Claro, mesmo assim, o casamento entre famílias, era muitas vezes protocolar, fazendo com que geralmente o marido, buscasse as conhecidas ”novidades”, fora do leito marital, sem falar em amores ou paixões. Ou seja, os casos extraconjugais, eram procurados por sexo (que no caso fosse mais intimista ou satisfatório) ou por sentimentos verdadeiros…
      Espero ter respondido suas duvidas!:)

  2. Rayssa disse:

    Sim,obrigada.
    Se hoje é tabu discutir sexo, imagina naquela época :s

    1. Tudor Brasil disse:

      Imagina, o sexo fazia parte daquela sociedade e tem que ser abordado.
      Ainda não postei nada do gênero, porque as leituras que ando fazendo sobre o assunto, são muito mais complicadas do que achei que seriam….rsrs

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