Elizabeth I – Parte XV: A Armada Espanhola

Elizabeth_I_(Armada_Portrait)A derrota da Armada Espanhola ou ”Armada Invencível”, foi um dos mais famosos eventos da história inglesa e sem dúvidas, o melhor de Elizabeth I. Foi após a derrota hispânica, que a propaganda elizabetana, tomou força e reconhecimento. Durante anos, Elizabeth firmou-se politicamente diante de seu povo, com a reciclada, incansável e útil propaganda da ”Era de Ouro”, usada desde o reinado de seu avô Henrique VII. Naquele momento, derrotando uma das maiores potências européias, como foi a Espanha, a Inglaterra tornou-se intocável; Elizabeth era agora, a deusa da guerra, a mulher que levou seu povo ao triunfo e glória. A partir dai, a mulher passara de mortal, para Deusa e todos comprariam com prazer esta ideia.


História:
armada1A Armada Espanhola, partiu da Espanha em Julho de 1558. A tarefa da Armada, era derrubar a Inglaterra protestante, governada por Elizabeth I. A Armada mais tarde, provaria ser uma cara e falha tentativa espanhola em derrubar o reino protestante e sua monarca. Foi uma vitória incrível para os ingleses. fazendo de Sir Francis Drake, um herói mais aclamado do que já era; tendo até mesmo um impacto sobre as celebrações natalinas do período.

Mas ai resta-nos a pergunta: ”Por que a Espanha queria derrubar Elizabeth I?”– Na realidade, haviam uma série de razões:

Durante o reinado de Elizabeth I, a Espanha controlava o que era chamado de ”Os países Baixos Espanhóis”, que consistia no que hoje é a Holanda e Bélgica. Dentre estes dois ”países”, em especial a Holanda, queria sua independência. Eles não queriam permanecer católicos; na realidade, as ideias e convicções protestantes, haviam criado raízes na Holanda e a maioria dos holandeses, eram na realidade protestantes escondidos. Se eles afirmassem suas crenças protestantes publicamente, suas vidas correriam perigo, portanto, o silêncio era um sacrifício que deveria ser praticado. A Espanha usou uma polícia secreta religiosa, para caçar protestantes, chamada ”A Inquisição Protestante”. Durante o reinado de Elizabeth, os ingleses haviam ajudado os holandeses, o que irritou gravemente o Rei da Espanha, Filipe II. Ele fora casado com Maria I, meio-irmã paterna de Elizabeth e também, Rainha da Inglaterra. No momento em que eles se casaram (durante o reinado de Maria, uma católica convicta), a Inglaterra estava em meio a uma Contra-Reforma. Com a Inglaterra tecnicamente sob controle, Filipe podia controlar o canal inglês, fazendo com que seus navios obtivessem uma passagem de fluxo marítimo, mais fácil da Espanha rumo à Holanda espanhola. Tropas espanholas estacionadas no país, poderiam ser facilmente abastecidas.

armada8Além disto, os ”Cães ingleses do mar” (piratas ingleses), vinham causando grande prejuízo ao comércio de prata da Espanha. Homens como Sir Francis Drake, atacavam navegações espanholas fora das Índias Ocidentais, fazendo com que a Espanha perdesse uma considerável soma em dinheiro, no momento em que seus navios carregados de prata ou dinheiro, eram afundados ou tomados por Drake. Para os ingleses, Drake era um herói, mas para os espanhóis, ele nada mais era que um pirata, que havia sido autorizado a fazer seus saques, pela Rainha inglesa. Isto, os espanhóis não poderiam aceitar.

Em 1587, Maria Rainha dos Escoceses, fora executada na Inglaterra sob ordens de Elizabeth I. Maria era uma católica convicta e Filipe II como católico, acreditava que tinha o dever de garantir que não houvessem mais católicos presos ou executados na Inglaterra. Maria Rainha dos Escoceses, também acreditava que era por direito Rainha da Inglaterra e que Filipe, devia conquistar o trono inglês após sua morte. Estes foram os motivos para a Espanha de Fillipe, atacar a Inglaterra.

A história da Armada espanhola, foi um erro desde o início. Mesmo antes da Armada iniciar a navegação rumo à Inglaterra, sérios problemas foram encontrados:

– Primeiro Problema: Em 1587, Drake atacou o Porto de Cadiz, destruindo e danificando inúmeros navios que estavam sendo preparados para a Armada.

– Segundo Problema: As peças de madeira colocadas à bordo dos novos navios, apodreceram assim como os barris que continham comida e água, pois foram feitos de madeira nova, que por ter sido recém cortada, estava úmida. Graças a isto, a comida estava podre e a água ácida.

– Terceiro Problema: O plano era chegar à Holanda espanhola, pegar soldados espanhóis que estavam estacionados por lá e invadirem a costa sul da Inglaterra. Mas não havia nenhum Porto óbvio, para pegar os soldados na Holanda.

– Quarto Problema: O alto senhor almirante espanhol, foi o famoso Santa Cruz. Ele era um respeitado e bem sucedido almirante. Santa Cruz faleceu em 1586 e o almirante escolhido por Filipe para liderar a Armada após a morte de Santa Cruz, foi um general muito rico e bem sucedido, chamado Duque de Medina Sidonia. Apesar de um bom general, Medina Sidonia nunca antes havia ido para o mar e quando chegou a bordo de seu navio, ele ficou enjoado. Por que Filipe II selecionaria um homem, que nunca antes havia estado no mar, para liderar a maior frota naval do mundo?

– Quinto Problema: A primeira navegação da Armada, foi em Abril de 1588. Ela seguiu o fluxo de uma terrível tempestade e muitos navios ficaram danificados. Eles tiveram que voltar ao porto para serem reparados.

armada3Com tantos problemas ocorrendo, tornou-se muito complicado para os espanhóis, manterem a Armada em segredo. Na realidade, eles estavam dispostos a fazerem com que os ingleses soubessem da Armada, por considerarem que eles estariam seriamente apavorados com a notícia da grande frota de navios, indo atacá-los.

A organização para deixar a Armada pronta, foi enorme. Canhões, armas, pólvora, espadas e muitas outras armas de guerra, foram necessárias e a Espanha comprava, de quem quisesse vender para eles. Um grande número de navios mercantes, tiveram de ser convertidos para navios de guerra, mas a Armada (ou ”Grande Empresa”, como Filipe chamou), também continha navios que simplesmente carregavam coisas, ao invés de travarem batalhas ao mar. Estes navios, carregavam entre outras coisas:

– 14.000 Barris de Vinho,
– 40.000 galões de Azeite de Oliva,
-180 Padres,
– 728 servos,
– 11.000 pares de sandálias,
– 5.000 pares de sapatos,
– 5.000 toneladas de biscoitos,
– 272,728 toneladas de Porco salgado

armada9A Armada navegou no dia 19 de julho de 1588. A frota de 130 navios – incluindo 22 galeões de batalhas – navegou em formação de lua crescente. Isto não era incomum, pois a maioria das frotas navegavam nesta forma, pois oferecia mais proteção aos navios. Os galeões maiores e mais lentos, estavam no meio da crescente, sendo cercados por barcos mais rápidos e menores. Navios menores, conhecidos como zabras e pataches, abasteciam os galeões. A Armada enfrentou pouca oposição quando aproximou-se da costa da Cornualha, em 29 de julho de 1588. Dizem que os pescadores da Cornualha, trabalhando ao largo da península de Lizard, assistiram a Armada passar.

No entanto, Londres foi avisada de que a Armada estava aproximando-se da Costa inglesa. A comunicação no século XVI, ainda era muito pobre, embora os ingleses tivessem desenvolvido uma maneira de informar Londres, quando a Armada foi vista pela primeira vez. Faróis foram acesos ao longo da costa. Assim que um farol era visto, o seguinte mais próximo, era aceso. Quando os faróis chegaram em Beachy Head – Sussex, eles seguiram para o interior e por fim, chegaram à Londres. Desta forma, Londres foi rapidamente alertada que a Armada estava aproximando-se da Inglaterra.

armada10Como a Armada navegou pelo Canal Inglês, ela foi atacada por uma força de liderança inglesa de Sir Francis Drake. Ele estava ancorado em Plymouth. Dizem que quando Drake foi informado da abordagem da Armada, ele respondeu que conseguiria terminar sua partida de Bowls, à tempo para derrotar a Armada. É possível que ele soubesse que a maré do Rio Tamar em Plymouth, estava contra ele, portanto ele não poderia tirar seus navios de Devonport – ou seja, ele sabia que poderia terminar seu jogo, porque os navios dependiam da maré para moverem-se.
Se a maré estivesse subindo, seus navios tinham que ficar amarrados. Se a maré estivesse recuando, ele teria a liberdade para movimentar seus navios no Canal. Seja qual for a verdade, o que podemos dizer, é que Drake e seus homens, causaram poucos danos à Armada quando passou pelo Canal Inglês. O que os ingleses fizeram, foi gastar muita munição disparando contra a armada e não obtendo muito impacto, já que os cascos dos navios espanhóis, provaram ser bastante sólidos.

Como a Armada navegou pelo Canal Inglês, os ataques da frota Plymouth de Drake, provaram ser ineficazes. Com exceção de dois galeões, a Armada permaneceu relativamente incólume.

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               Formação de Crescente.

De qualquer forma, Medina Sidonia, estava enfrentando seus próprios problemas – a Armada estava com pouca munição. A única vantagem dos espanhóis naquele momento, era o clima. Em 04 de agosto, um forte vento, fez com que o canal se tornasse muito mais agitado e os navios ingleses menores e mais leves, acabaram sofrendo com esta adversidade. Já os navios espanhóis, mais pesados e estáveis, usaram o vento para moverem-se para o litoral europeu, onde iriam pegar mais tropas hispânicas, prontas para a invasão da Inglaterra.

Ao longo de toda a sua viagem da Espanha para o lado leste do Canal Inglês, a Armada enfrentou alguns problemas vindo da Marinha inglesa. Mesmo sabendo de sua aproximação, eles pouco podiam fazer, enquanto eles mantivessem sua formação em crescente.

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                 Queimadores do Inferno.

Eles apenas enfrentaram problemas reais, quando tiveram de parar para pegar as tropas na Europa continental. Enquanto a Armada manteve sua forma de lua crescente, foi muito difícil para a Marinha inglesa atacá-la. Uma vez que pararam, eles perderam sua forma crescente, deixando-os abertos para os ataques. Medina Sidonia, aprendeu para seu horror, que não havia porto profundo o suficiente, onde ele e suas tropas espanholas pudessem parar. O melhor que podia fazer, era abrigar-se em Gravelines, próximo da moderna Calais, em 27 de julho 1588 e depois esperar as tropas chegarem.

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             Cachorros ingleses do mar.

Foi dado a Sir Francis Drake, o crédito para o que aconteceu em seguida, mas um italiano chamado Giambelli, também merece receber os créditos pela construção dos ”Queimadores do inferno”. Oito navios antigos, foram carregados com tudo o que podia facilmente entrar em combustão. Estas bombas flutuantes, foram criadas à deriva durante a noite em que a Armada estava descansando. A Armada era uma frota com muito poderio armamentista. Cada um dos navios, transportava pólvora e era feito de madeira com velas de lona. Se pegasse fogo, nenhum navio teria chance. Sabendo sobre os ”Queimadores do inferno”, os espanhóis colocaram vigias em cada barco. Eles avistaram os navios em fogo chegando, mas o que poderiam fazer?

Quando a Armada viu navios com fogo aproximando-se, cada navio espanhol tentou sair de Gravelines para se salvar – mas no escuro. Apenas um navio espanhol perdeu-se, mas a forma de lua crescente dissipou-se e a Armada tornou-se então, vulnerável à ataques.

The Great Armada: Playing BowlsOs ingleses atacaram, mas foram bravamente combatidos pelos espanhóis. Quatro galeões espanhóis, mantiveram-se firmes e lutaram contra Drake. Os espanhóis estavam em menor número, 1 por 10. Três destes galeões foram afundados, 600 homens foram mortos e 800 feridos. Mas eles impediram os ingleses de atacarem o resto da Armada e o clima cada vez pior, ajudou a Armada a escapar. Medina Sidonia escreveu mais tarde, que a Armada foi “salva pelo clima, pela misericórdia de Deus…”.

No entanto, a frota inglesa bloqueou qualquer chance da Armada, que teve que recuar ao sul pelo canal inglês. Quando a Armada reagrupou uma frota, ela pode ir apenas até o leste da Inglaterra e depois ao norte da Escócia. A partir dai, a Armada pode navegar, passando pela costa ocidental irlandesa e retornando para a Espanha.

armada14Mesmo assim, seus suprimentos à bordo, não foram suficientes para tal viagem e muitas das tripulações, tiveram que comer corda para sobreviver. A água doce desapareceu rapidamente e as tripulações não podiam beber a água do mar. Para piorar seus problemas, como a Armada navegou em torno do norte da Escócia em meados de Setembro, ela foi atingida por uma das piores tempestades da história, que danificou muitos navios.

Os navios que sobreviveram a esta tempestade, dirigiram-se para a Irlanda. Na Irlanda, eles estavam convencidos de que iriam obter ajuda e suprimentos. Por que achavam isto? A Irlanda ainda era um país católico e os marinheiros católicos espanhóis, acreditavam que aqueles com a mesma religião, iriam ajudá-los. Estavam errados. A Armada abrigou-se, no que hoje é conhecido como Armada Bay ”Baía da Armada”, ao sul de Galway. Os marinheiros que desembarcaram, foram atacados e mortos. Os irlandeses, católicos ou não, ainda viam os espanhóis como invasores. Aqueles que sobreviveram as tempestades, aos irlandeses, a falta de alimentos e etc, ainda tinham que temer doenças como o escorbuto, disenteria e febre, que acabou por matar muitos dos que já estavam enfraquecidos.

armada7Os números variam, mas acredita-se que apenas 67 dos 130 navios, retornaram à Espanha – uma baixa de quase 50%. Mais de 20 mil marinheiros e soldados espanhóis foram mortos. Ao longo de toda a campanha, os ingleses não perderam nenhum navio e apenas 100 homens em batalha. No entanto, mais de 7.000 marinheiros ingleses morreram de doenças (principalmente disenteria e tifo), durante o tempo em que a Armada ficou sob as águas inglesas. Os marinheiros ingleses que sobreviveram e lutaram contra a armada, foram mal tratados pelo governo Inglês. Muitos receberam, dinheiro suficiente apenas para a viagem de volta a seus lares e outros, metade de seus salários. O comandante geral da Marinha inglesa, Lord Howard de Effingham, ficou chocado, afirmando que “eu preferiria não ter sequer um tostão, do que (os marinheiros) deixá-los em carência…”. Com isto, ele usou seu próprio dinheiro para pagar seus marinheiros.

Afinal, quem foi o culpado por esta derrota?

Muitos na Espanha, culparam Medina Sidonia, mas Filipe II não foi um deles. Ele culpou o fracasso ao clima, dizendo: ”Eu te mandei para a guerra contra homens e não contra ventos e ondas”.

Até certo ponto, os ingleses concordaram que a medalha foi cunhada para homenagear à vitória. Nela estavam as palavras: ”Deus soprou e eles foram dispersos”.

Por que os ingleses ganharam?

1- Eles estavam perto de seus portos navais e não tiveram que viajar muito para combater a Armada.

2- Os ingleses tinham muitas vantagens em relação aos navios que usavam. Os espanhóis, depositaram suas esperanças no poder dos galeões. Os ingleses, usavam navios menores e mais leves, porém mais rápidos. No entanto, eles pouco podiam fazer para penetrarem a forma de crescente da Armada, apesar de possuírem poderosos canhões à bordo.

3- Os espanhóis, tiveram táticas diferentes dos ingleses. Os ingleses queriam afundar os navios espanhóis, enquanto os espanhóis, queriam embarcar nos navios ingleses e em seguida, capturá-los. Para isso, eles teriam que ir ao lado dos navios ingleses, deixando-os expostos a uma fileira de canhões de seus navios, algo que o clima, tornou impossível.

4-  Os navios ingleses, sendo menores e mais leves que os galeões espanhóis, eram mais manobráveis, algo que mostrou ser uma valiosa vantagem.

5- A maior razão para a vitória dos ingleses, foi o erro fatal no plano dos espanhóis. Enquanto navegavam em forma de crescente, a Armada manteve-se relativamente segura. Porém, parte do plano era parar, pegar marinheiros e depois navegar rumo à Inglaterra. O simples fato de que o plano envolvia parar a Armada, significava que ele foi fatalmente falho. Navios de guerra em movimento e em formação, deram a proteção para a Armada. Uma vez que os navios perderam tal formação, estavam abertos para o ataque.

A vitória sobre a Armada, tornou Sir Francis Drake, um homem muito famoso. Ela fora ainda lembrada no Natal, quando Elizabeth ordenou que todos deviam ter ganso na ceia; refeição que ela havia comido, na noite em que soube que a Marinha inglesa havia derrotado a Armada.

FONTES:
History Learning Site: AQUI.

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6 comentários Adicione o seu

  1. luiz eduardo disse:

    nossa amei o post e achei curioso que a Irlanda também via os espanhóis como inimigos diz que o orgulho de Felipe II ficou bastante ferido apos a derrota de sua grande armada
    Por isto eu digo nunca subestime uma mulher 🙂

    1. Tudor Brasil disse:

      Sem dúvidas deve ter ficado, mas o arrependimento deve ter sido maior que seu orgulho ferido… Concordo com a última frase também, embora ache que a Armada teve muito pouco a ver com a administração de Elizabeth….
      Obrigada por comentar! 🙂

  2. luiz eduardo disse:

    o que fico mais nervoso que ele destruiu os lindos bosques espanhóis só para fazer estes navios fadados ao fracasso

  3. Daniel disse:

    Elizabeth e o papa não se davam bem…
    ela não era católica

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