Embalsamamento no Período Tudor

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No início de Abril de 1502, Arthur Tudor, com quinze anos de idade e herdeiro do trono Tudor, ainda trêmulo, morria em seus aposentos no castelo de Ludlow, em Shropshire.

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Arthur Tudor, Príncipe de Gales.

O vento uivava e a chuva batia fortemente contra as cinzentas paredes da antiga fortaleza, enquanto seus moradores buscavam refúgio na capela normanda de Santa Maria Madalena, rezando por um milagre. Não havia porém, nenhuma oração ou missa, que pudesse salvar o príncipe, do que um arauto descreveria como ‘‘a mais lamentável doença”. E assim, tragicamente, no sábado, dia 2 de Abril do ano de 1502 – apenas cinco meses após seu casamento com Catarina de Aragão – Arthur Tudor morreu.

Imediatamente, mensageiros foram enviados à Londres, mas uma viagem de 257 km, significaria que eles não chegariam no Palácio de Greenwich, até a tarde de segunda-feira. Foi então encarregado ao confessor do Rei, que desse a terrível notícia para Henrique VII, logo na manhã seguinte, que por sua vez, compartilhou da triste notícia, com sua esposa Elizabeth de York.

Pouco tempo depois, começaram os preparativos para o funeral de Arthur, mas como isto levava tempo para ser organizado, como de costume, o cadáver real precisaria passar por um embalsamamento.

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Recipientes antigos para ervas de embalsamamento.

Técnicas de preservação e embalsamamento do corpo, parecem ter sido praticadas em vários locais da Europa, desde o final da Idade Média, tendo sido influenciadas por técnicas empregadas na Ásia e África, desde o tempo dos antigos egípcios. Em grande parte desenvolvida para o uso da nobreza, realeza e dignatários católicos, o embalsamamento funerário – que era geralmente realizado por médicos, físicos, barbeiros e cirurgiões (ver medicina Tudor) – atrasava o processo de decomposição durante o período entre a morte e sepultamento, fazendo com que o corpo, pudesse ser carregado por longas distâncias. No caso da realeza, também fazia com que o corpo do monarca, pudesse ser exibido para seus súditos antes do enterro.

O processo no século XVI, envolvia a lavagem e evisceração do corpo, despejando nas cavidades corporais, vários líquidos desinfetantes e em seguida, enchendo e cobrindo o corpo com ervas e especiarias aromáticas, que podiam incluir tomilho, alecrim ou lavanda. O corpo era então, envolto em camadas de cerecloth (tecido encerado) e tinha as costuras seladas com cera de abelha, colocado em um caixão de chumbo e por fim, colocado em um caixão de madeira, forrado com ervas aromáticas secas. A partir do século XVI em diante, vemos também a introdução de bálsamos, pomadas e pós, capazes de desidratar e secar o cadáver.

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Algumas ferramentas médicas.

No Receituário de Lady Katherine, nos é dito que o corpo de Arthur foi ”estripado” e bem embalsamado, antes de ser ”envolto com especiarias e outras coisas doces, que aqueles que levavam a carga, poderiam fornecer”. Seu corpo foi tão bem embalsamado de fato, que não havia necessidade do costumeiro caixão de chumbo; ao invés disto, o corpo de Arthur, fora colocado apenas em um caixão de madeira, onde ficou durante quase três semanas. Outro jovem da realeza Tudor que morreu com a mesma idade de Arthur Tudor, foi seu sobrinho e filho de Henrique VIII, Eduardo VI. Ele sucumbiu à sua doença, em 06 de julho de 1553; mas não foi enterrado até 8 de agosto. Este atraso prolongado durante o clima quente, deve ter representado um desafio para todos aqueles próximos do jovem corpo do rei.

Em 1503, o cadáver de Elizabeth de York, foi lavado com vinho e água de rosas, antes de ser embalsamado e ”revestido por chumbo” pelo funleiro do rei ”com um epitáfio no chumbo” e em seguida, envolto por um caixão de madeira, coberto por veludo negro.

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Especiarias famosas do período.

Quando Henrique VIII, morreu em 1547, os cirurgiões e boticários prepararam seu corpo ‘removendo, limpando, tirando os intestinos, secando, embalsamando e forrando-o com especiarias”. “Nos últimos dias de Henrique VIII, Robert Hutchinson descreve como William Paulet, Lord Intendente da Casa, ”ordenou o Cavalheiro Boticários da Casa Real, Thomas Alsop, para fornecer unguentos – incluindo cravo, óleo de bálsamo, estopa, mirra e o doce cheiro de nigella e almíscar – ou em pó e dividido entre os sete cirurgiões, para ser usado no embalsamamento; ou colocados em dez sacos para serem postos no caixão”. Curiosamente, ele afirma que tal procedimento, teria custado o equivalente no tesouro, de £ 26 12s 2d, mais ou menos a quantia de R$:269,00 (duzentos e sessenta e nove mil reais) nos dias de hoje.

Além de embalsamamento, a prática de enterrar o coração e vísceras separados do corpo, também não era uma prática incomum. Acredita-se que o coração de Arthur tenha sido enterrado na Igreja de St Lawrence em Ludlow (uma placa marca o local hoje), enquanto seu corpo foi enterrado na Catedral de Worcester. As entranhas e vísceras de Henrique VIII, foram enterradas em uma caixa de chumbo na Capela de St. George, em Windsor Castle. Após a morte de Maria I, ela foi aberta por seus médicos e cirurgiões, que tiraram suas entranhas, as encaixotaram e enterraram solenemente na capela; seu coração, foi enterrado separadamente, em um cofre com veludo coberto com prata.

De acordo com Jennifer Woodward, autora de ”O Teatro da Morte”, Elizabeth I ”tinha horror a embalsamamento”, tanto que pediu especificamente, que seu corpo não fosse aberto após sua morte. Embora não pareça impossível que tenham embalsamado o corpo de Elizabeth, não consta nenhuma menção de um enterro separado de suas vísceras.

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Cortejo com o corpo embalsamado de Elizabeth de York (na série da BBC, The Shadow of the Tower).

FONTES:
On the Tudor Trail: AQUI.


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1 comentário Adicione o seu

  1. luiz eduardo disse:

    gostei de saber do embalsamento no período Tudor

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