Maria Stuart – Em meu fim, está meu Começo: Parte I

original
Sangue inglês e escocês, resultado de uma linhagem, que poderia ter as ilhas na palma da mão. Mary Stuart era filha de James V da Escócia – que carregava a linhagem Tudor e Stuart em suas veias – e de Maria de Guise – nascida no berço Ducal da família francesa de Guise. Ela nasceu no dia 8 de Dezembro de 1542, dia da festa da Imaculada Conceição de Virgem Maria. Seis dias mais tarde, a recém-nascida, teria seu destino traçado, após a trágica morte de seu pai, James V da Escócia, provavelmente por um colapso proveniente da derrota que a Escócia sofrera tempos antes contra a Inglaterra. Sem outros herdeiros legítimos, Maria um bebê, era agora a Rainha da Escócia.

Ela nasceu no Palácio de Linlithgow em West Lothian e foi batizada na igreja de St Michael, pouco tempo após seu nascimento. Houve um boato de que ela chamaria-se Elizabeth, se for verdade, poderiam ter sido duas Rainhas Elizabeths e rivais. Muito cedo, espalharam-se rumores de que ela era fraca e frágil, mas Ralph Sandler, um diplomata inglês que viu Maria no Palácio em 1543, mais tarde disse: “é uma criança tão formosa, quanto outras que vi em sua idade…”

Maria possuía uma pele extremamente clara, sendo comparada como ”mais clara que alabastro”, cabelos castanho-avermelhados e cacheados e olhos cor de mel. Foi considerada muito bela quando jovem.

Família:
De cabelos cor de areia, estatura maior que a média, queixo retraído e saúde delicada – traços estes que, Maria também carregaria – James V já foi descrito como tendo as qualidades do Rei Arthur, embora seu personagem, pareça ter sido mais semelhante a Sir Lancelot. James certamente, possuía o espírito e alegria dos Stuart, juntamente com a capacidade de incendiar a imaginação de seus súditos, atributo este, geralmente descrito em monarcas com ”o toque comum” (a habilidade de uma pessoa importante ou rica de comunicar-se bem e entender as pessoas comuns e mais pobres). Resumidamente, ele possuía o que era necessário para reinar.

Já sua mãe, Maria de Guise, entra na lista das muitas mulheres que o monarca inglês Henrique VIII, pretendeu desposar (mas ao invés disto, desposou Ana de Cleves). Ela era uma mulher forte e destemida, dona de suas próprias convicções.

Uma peça no tabuleiro:
Já em sua estréia como peão político, a jovem que, representava uma verdadeira ameaça aos herdeiros de Henrique VIII, foi prometida ao filho do monarca, Eduardo, graças a James Hamilton, 2 º Conde de Arran que, como atual governador da Escócia, tentou como pode, estreitar os laços entre os dois reinos. Este acordo, ficaria conhecido como ”O Tratado de Greenwich”.

Sua coroação, ocorreu em 9 de Setembro de 1543, na Capela Real do castelo de Stirling, quase um ano após seu nascimento. Ela tinha nove meses de idade e vestiu-se magnificamente para a ocasião, usando cetim vermelho coberto de joias, seguido de um manto aparado com arminho. Ela foi levada em procissão solene por Lord Livingston, rumo à Capela Real. Dentro do recinto, Livingston trouxe Maria para a frente do altar, colocando-a no trono e segurando, para que não pudesse cair.

Lord Livingston respondeu ao juramento de coroação no lugar de Maria. O discurso foi proferido pelo Cardeal David Beaton que, imediatamente desatou as pesadas vestes cerimoniais de Maria, iniciando a unção com o óleo sagrado. Seu cetro foi trazido e colocado em sua mão, onde ela agarrou-o firmemente, considerando o peso do mesmo. Logo depois, a espada de estado foi trazida pelo Conde de Argyll, e o cardeal realizou a cerimônia de cingir a três metros, colocando a espada sob o pequenino corpo de Maria. O conde de Arran entregou a coroa real ao cardeal Beaton, que suave e cuidadosamente pousou sobre a cabeça da jovem. Após colocada a coroa, o reino ajoelhou-se diante dela, jurando lealdade.

Fim do tratado:
O tratado de Greenwich, foi desfeito em dezembro pelo parlamento escocês. Isso ocorreu devido inúmeros fatores. Henrique VIII planejou mudar partes do tratado, proibindo relações entre Escócia e França e querendo que Maria fosse antes do combinado para Inglaterra. Além disto, após o Cardeal Beaton reassumir o poder na Escócia, foi desenvolvida uma agenda católica-francesa, que também irritou o Monarca.

Irritado com o rompimento, Henrique iniciou o que ficaria conhecido como ”The Rough Wooing” (O Cortejo Agitado), que consistia em uma série de incursões e ações militares dentro do território escocês (este conturbado cortejo, duraria até março de 1550, custando mais de meio milhão de libras e muitas vidas). Em maio de 1544, o Conde inglês de Hertford, chegou na esperança de capturar a cidade de Edimburgo e sequestrar Maria, mas sua mãe Marie de Guise foi mais rápida, escondendo sua filha no interior do Castelo de Stirling.

Agora os escoceses tinham um novo aliado, a França (inimiga da Inglaterra). O novo Rei da França, Henrique II, propôs uma união com a Escócia, casando-a com seu filho recém-nascido, le Dauphin de France, François. Devido aos inúmeros problemas, seguidos em tão pouco tempo, pareceu a todos que, a solução adequada a ser tomada, era esta.

Em fevereiro de 1548, após uma ameaça da volta dos ingleses, Maria mudou-se para o Castelo de Dumbarton. Mais uma vez, um rastro de devastação inglesa foi deixada sobre o território escocês. O tratado de casamento entre França e Escócia, chegou no dia 7 de Julho, sendo assinado em um convento perto de Haddington.

Em 1548, a jovem Maria de cinco anos de idade, foi levada à França a fim de obter uma educação requintada, católica e segura, longe dos ingleses.

Continua.

FONTES:
Mary Queen of Scots; Fraser, Antonia.

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9 comentários Adicione o seu

  1. Tudor Brasil disse:

    Obviamente, que devido as datas representadas em linhas posteriores, você percebeu que foi um erro de digitação, ou não!?;)

  2. Elaine disse:

    Ansiosa pra ler a contunuacão… He he he… 🙂

  3. isabella disse:

    não encontrei a continuação

    1. Tudor Brasil disse:

      Ainda não lançamos a continuação! Aguarde… 😉

    1. Tudor Brasil disse:

      Fico feliz Ana! Seja bem-vinda!

  4. Paula Dornelles disse:

    No aguardo da continuacao!

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