Margaret Beaufort: A mulher por trás da Dinastia

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Até pouco tempo atrás, Margaret Beaufort era uma figura pouco conhecida entre os muitos interessados na Dinastia Tudor, o que não deixa de ser algo irônico, pois sem seu pulso firme e determinação, a Dinastia muito provavelmente nunca teria existido.

Margaret tornou-se mais conhecida após a estréia da série The White Queen, baseada no livro da romancista Philippa Gregory. Fora os devaneios românticos da autora, muito de Beaufort permanece intacto nas telas: a mulher que era mãe, tinha sangue Real, força de vontade e o poder de prover a seu filho um destino, eram de fato a mesma pessoa.

Desde muito jovem (ela deu à luz muito cedo), Margaret tinha plena consciência da posição de seu filho Henrique Tudor, como um pretendente ao trono da Inglaterra. Embora fosse uma defensora convicta dos Lancaster durante a Guerra das Rosas, Margaret usou casamentos e conexões Yorkistas, a fim de esconder seus planos para seu filho e assim, aproximá-lo cada vez mais do tão desejado e disputado trono. Margaret agiu de forma quase incansável no bem-estar de seu filho e sempre manteve seu foco em mente, sua linhagem; ela acreditava que com sua reivindicação ao trono, seu filho Henrique um dia seria Rei. Foi em grande parte devido ao árduo trabalho de Margaret – juntamente com a base de apoio que ela incansavelmente construiu – que seu filho tornou-se Rei, fazendo dela portanto, a mãe da Dinastia Tudor.

tewkesbury2Primeiros Anos:

Margaret nasceu no Castelo de Bletsoe em Bedfordshire, filha de Margaret Beauchamp e John Beaufort – Duque de Somerset, no dia 31 de Maio, provavelmente no ano de 1443.

A tutela da jovem Margaret – filha única de um rico casal – foi dada a Edmund Tudor, meio-irmão (por parte de mãe) do Rei e Conde de Richmond; esta, foi compartilhada com Jasper, irmão mais novo de Edmund. Margaret e Edmund casaram-se em 1455. Seu marido tinha 24 anos, portanto o dobro de sua idade. No entanto, devemos salientar que isto era bastante comum para o período. Este, tecnicamente foi o segundo casamento de Margaret, afinal, aos 3 anos de idade, ela havia casado-se (sem consumação) com John de la Pole – filho de seu primeiro guardião – união esta, que mais tarde foi dissolvida.

Jovem casada:
A famosa Guerra das Rosas, iniciou-se no ano em que o casal contraiu matrimônio e naturalmente, o Conde e a Condessa de Richmond (agora nora do Rei), tomaram o lado Lancasteriano, representado pela rosa vermelha. Um ano depois, seu marido fora capturado pelos Yorkistas e acabara falecendo – supostamente da peste – em Carmarthen, deixando sua jovem esposa de 13 anos grávida, nas mãos de seu irmão Jasper. Foi com Edmund, que Margaret teve seu primeiro e único filho: o futuro Henrique VII da Inglaterra. A gravidez tão prematura e o parto complicado, deixaram sua marca sobre o corpo da jovem Margaret; ela ficou estéril. Ela casou-se mais duas vezes e não mais gerou filhos. Como resultado do complicado trabalho de parto, Margaret e a criança quase morreram, mas não era para ser. A partir deste traumático evento, uma forte ligação entre mãe e filho foi criada, permanecendo ao longo de suas vidas.

Royal_Roses_Badge_of_England.svgO jovem Henrique e o Rei Yorkista:
A Guerra das Rosas durou 32 anos e o jovem Henrique Tudor, cresceu durante este tumultuoso período, no Castelo de Pembroke. Quando Eduardo IV assumiu o trono em 1461, o tio de Henrique, Jasper, fugiu para o exterior. O filho de Margaret, cresceu sem um pai e sem uma figura materna durante todo este tempo. Eduardo IV, deu a tutela de Margaret e Henrique para William Herbert, um Yorkista. Margaret recusou-se a aceitar o usurpador Rei Eduardo e sempre aguardou o retorno de um Lancasteriano ao trono. Parece que desde a tenra idade, Margaret fez com que Henrique soubesse de sua pretensão ao trono – mesmo que tênue – vinda através de uma linhagem ilegítima.

Em 1458, Margaret então, casou-se com Sir Henry Stafford – o segundo filho do Duque de Buckingham – que era um defensor Yorkista. Surpreendentemente, talvez Margaret tenha passado para a história, como uma das mulheres mais astutas do período medieval, mas não sem uma boa razão. O casal entretia o novo Rei Eduardo IV e isso, ajudou a projetar a visão de que ela havia aceitado o novo sangue no trono (é claro que era um blefe, ela nunca deixou de esperar o retorno de um monarca Lancasteriano).

Após uma rápida reviravolta levando Henrique VI ao trono (seu segundo reinado durou menos de um ano), graças a ajuda do ‘Kingmaker’ Richard Neville – Conde de Warwick, o Yorkista Edwardo IV retomou o trono mais uma vez, em 1471. Margaret não viu muito seu filho durante este tempo, já que Henrique, teve que fugir do país aos 14 anos, acabando na Bretanha com seu tio Jasper por mais de uma década. No entanto, nada impedia o contato de Margaret com Henrique, nem mesmo a distância, afinal, ambos trocavam cartas e ela sempre que podia enviava-lhe apoio financeiro.

Como Stafford foi morto em 1471, Margaret casou-se novamente em 1472. Usando sua astúcia política, ela escolheu outro apoiador dos Yorkistas, Thomas – Lord Stanley. Margaret sabia que Stanley veria – talvez depois de um tempo – que Henrique tinha a chance de tomar o trono e que ele poderia ser oportunista o suficiente, para servir ambos os Yorks, quanto os Lancasters ao mesmo tempo.

Reinado de Ricardo III:
Enquanto Henrique estava no exílio, Margaret continuou a pavimentar o caminho de seu filho rumo ao trono, ainda que de forma sutil. Como era a esposa de um Stanley, Margaret foi levada à Corte e serviu como dama de companhia da esposa de Ricardo III, a Rainha Ana. Ela também desempenhou um papel na coroação Real, em 1483. Após inúmeras coroações Reais, foi durante este período que o filho de Margaret, agora ocupava uma posição sênior como pretendente ao trono Lancaster. Margaret foi astuta e apesar de sua feroz lealdade para com a rosa vermelha dos Lancaster e com a perspectiva de seu filho Henrique Tudor como Rei, ela sabia que teria de ganhar a confiança da rosa branca se quisesse avançar com seus planos. Margaret sabia que tinha de ser cuidadosa, para não ser vista como uma ameaça a seus adversários. Ela no entanto, promoveu ativamente Henrique, como um monarca alternativo ao atual Ricardo III.

Margaret arranjou o noivado de seu filho Henrique com Elizabeth de York – a filha mais velha de Eduardo IV – para que assim, assegurasse a afirmação de que o trono não pudesse mais ser questionado no futuro; afinal, quem poderia contestar que um descendente de John de Gaunt e uma filha de um recente Rei guerreiro Yorkista – um lado legítimo e outro ilegítimo – não deveria governar o Reino? Margaret também envolveu-se fortemente na Rebelião de 1483, que ocorreu logo após o anúncio do casamento de seu filho com Elizabeth, caso ele se tornasse Rei. No entanto, Henrique e Jasper não conseguiram voltar para a Inglaterra para juntar-se à Rebelião de Buckingham de 1483. Foi depois disto, que tio e sobrinho tentaram novamente deixar o continente e aportar no País de Gales em 1485, com um plano para derrubar Ricardo III. A crença de que um dia, o filho de Margaret tornaria-se Rei, culminou na Batalha de Bosworth, onde Henrique lutou por seu direito ao trono, em campo. O marido de Margaret, Lord Stanley, seu irmão mais novo William, juntamente com o Conde de Northumberland, viraram suas casacas para o lado de Henrique, garantindo sua vitória no campo de batalha. Sem aliança de casamento de Margaret com Stanley – plano este que foi decisivo no final – ajudando a ganhar o dia para o jovem Tudor, tudo seria diferente.

405px-King_Henry_VIIA mãe de um Rei:
Quando Henrique assumiu o trono em 1485, Margaret tornou-se a Rainha-mãe. Nota-se que ela explodiu em lágrimas na coroação de seu filho Henrique. A mãe e o filho mantiveram-se próximos, nada surpreendente, depois de todo seu esforço para vê-lo no trono. Uma carta de Margaret para Henrique, diz: ‘thys day of Saint Annes, that y did bryng into this world my good and gracyous Prince, Kynge and only beloved son’– (neste dia de Santa Ana, que eu trouxe a este mundo, meu bom e gracioso Principe, Rei e único amado filho). Isto simplesmente, mostra o vínculo e afeto de um pelo outro.

Margaret teve grande influência na Corte, sendo referida como ‘Minha Lady, a mãe do Rei’, que era algo incomum para uma Condessa (ela não era formalmente a Rainha-mãe, ou Rainha viúva, já que este título havia caído para Elizabeth Woodville, mãe de Elizabeth de York, a quem Henrique manteve sua palavra e desposou em 1486). No entanto, isto nunca foi problema para Margaret, já que desde o início, ela fez todos plenamente cientes de que ela era a mãe do Rei e portanto, Rainha mãe. Henrique permitiu que sua mãe mantivesse funcionários e muitas vezes processos judiciais eram delegados a ela, já que possuía um impressionante conhecimento da lei. Margaret era justa, ela reivindicava fervorosamente alguns casos, mas também abandonava-os quando apropriado.

Margaret supervisionou a educação de seus netos – que para alguns, era o trabalho da Rainha – que leva à uma crença de que pode ter havido alguma animosidade entre Elizabeth de York e Margaret, embora não haja nenhuma evidência de brigas ou tensões entre ambas. Margaret assinou documentos como ‘Margaret R’, que alguns interpretam como sendo ‘Regina’, o equivalente em latim para ‘Rainha’, porém outros acreditam significar ‘Richmond’, o título de seu primeiro marido e pai de seu filho.

É testemunho de sua influência sobre Henrique, que Margaret foi a principal executora de seu testamento, quando seu filho morreu em 1509 (Margaret sobreviveu a seu único filho, por dois meses). No funeral e coroação de Henrique VIII, foi dada à ela precedência sobre todas as outras mulheres reais. Só se pode assumir que era por causa de sua fé na reivindicação de seu filho ao trono e a determinação que a levou a lutar pelo sucesso de seu filho no surgimento de uma nova dinastia inglesa: Os Tudors.

FONTES:
Royal Central: AQUI.

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8 comentários Adicione o seu

  1. Aline disse:

    Descobri este site por acaso, mas estou APAIXONADA!!!! Sou fã da história da Inglaterra, não só do período Tudor. Portanto essa página me esclareceu muitas coisas.

    1. TudorBrasil disse:

      Que bom Aline, fico tão feliz por isso, espero que possamos esclarecer muito mais!:)
      Seja bem-vinda!

  2. Elaine disse:

    Sou mais uma fã do site, eu amo a história da Inglaterra também, ADORO o site!!!
    Parabéns!!!

    1. TudorBrasil disse:

      Ahhh que bom Elaine, realmente é algo que deixa-nos muito felizes! Muito obrigada pelo apoio e muito bom receber um feedback para saber se estamos agradando!:)

  3. Nunca tinha ouvido falar dela mulher astuta gostei dela e da estrategia dela mas mãe e viuva aos treze muito corajosa por sinal

    1. Tudor Brasil disse:

      Foi uma mulher incrível por sinal!

  4. Jeffhzp disse:

    Adoro Margaret Beaufort!! Engraçado, os Tudors foram uma dinastia feita por mulheres: Margaret que era descendente de John de Gaunt e prima em segundo grau de Henrique VI, além de ter se esforçado por várias décadas para o seu filho conquistar o trono; Elizabeth de York deu a legitimidade para dinastia além de juntar York e Lancaster; as 6 esposas de Henrique VIII, que até hoje o fazem famoso, Lady Jane, Bloody Mary… e por fim a gloriosa Elizabeth I, a maior monarca inglesa. Parafraseando os Stuars: começou com uma grande mulher e terminou com outra grande mulher 😀

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