O sono e as camas no período Tudor

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Segundo crenças Tudor, o sono e os leitos (camas na maioria das vezes), estavam envoltos de perigos físicos e espirituais. Eram recomendadas, entre sete e nove horas de sono, mas isso dependia da saúde de cada pessoa, classificada entre os quatro humores de Galeno. O consenso era, que dormir demais ou muito pouco, poderia causar perigosos desequilíbrios e levar a doenças. Nem mesmo as crianças, necessitavam de mais horas de sono; um manual do final do século XV, sugeriu que sete horas, eram mais que suficientes para elas. Isso equivale aproximadamente, ao dia no verão e ao dia, menos 1 hora, no inverno. Em meados do século XVI, o médico Andrew Boorde, recomendou dois períodos de sono durante a noite, com as pessoas despertando rapidamente entre eles. Esta também, foi supostamente a melhor ocasião para conceber filhos. Ao dormir, a pessoa teria de deitar-se de um lado da cama, depois, no outro, em locais secos, para que aranhas, ratos, e etc, não tivessem acesso a eles. Todas as janelas deviam ser fechadas e o fogo (no caso, da lareira, comum em quartos), deveria ser mantido aceso, para afastar a peste e os roncos. Segundo Boorde, aqueles que estivessem doentes, ou que não conseguissem dormir bem à noite, deveriam tirar uma soneca durante o dia, seria melhor que estivessem em pé ao cochilar, ou encostados em uma parede, ou em um armário.

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Camas:
As camas medievais, eram relativamente simples. Os camponeses, batiam o feno, envolto apenas em um manto, ou cobertor de solteiro; nem todos, possuíam quartos separados para dormir, e as camas, geralmente eram motivos de orgulho, e passadas de geração em geração, sendo transmitidas em testamentos para a família, ou amigos. Em 1540, Margery Wren, deixou para seu filho Geoffrey, uma cama de dossel vermelho e verde; aparentemente ele já possuía uma cama. Herdar uma cama, por si só, era um sinal de riqueza, já que a cama, teria sido a maior, e mais cara posse de uma casa. Tanto os ricos, como os pobres, orgulhavam-se deste sinal de status, e poderiam manter o mesmo leito por anos, ou gerações. O viajante elizabetano, William Harrison, refletiu sobre as práticas do passado:

“… Camas de palha, cobertas com um lençol e cobertores, e um bom tronco redondo sob a cabeça, ao invés de uma almofada ou travesseiro. Se nossos pais, ou chefes de família, tivessem, dentro de sete anos após o casamento, comprado um colchão ou cama com colchões de lã, e também um travesseiro recheado para encostar sua cabeça; eles pensariam, estarem tão bem representados, como o senhor da cidade, que porventura, raramente deitou-se em uma cama macia de penas, tão bem sustentadas com um belo tipo de mobiliário…”.

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As camas com dossel, foram desenvolvidas durante o período Tudor. Antes disso, as camas com dosséis, ou meio dosséis, eram propriedade apenas nos círculos sociais mais altos, com suas tapeçarias ricamente bordadas, feitas de veludos quentes e tafetás. Cortinas eram penduradas no teto e camas eram levantadas em plataformas ou pés. Todos os tipos de cores e combinações seriam utilizadas na roupa de cama e cortinas exteriores; ricos vermelhos, verdes, amarelos e preto, eram populares, juntamente como o pano de prata e ouro, com coloridas franjas de tecido. O livro de horas de Joanna de Castela (datado por volta de 1500), inclui uma imagem de uma cama coberta de tecido verde esmeralda. Orlas de pele, eram comuns para manterem as pessoas aquecidas; arminho para o Rei, e esquilo para as classes médias. Colchas eram feitas de linho e preenchidas com lã, como a colcha branca e marrom, exposta no Victoria and Albert Museum, datada de 1360-1400. Contos e lendas em escalas reais, bem como imagens bíblicas e heráldicas, eram frequentemente descritos em bordados. Cabeceiras de madeira eram entalhadas, muitas vezes com o revestimento do brasão de armas do proprietário, ou motivos pessoais: os melhores exemplos, feitos para a realeza, levaram meses para serem concluidos; como a cama que Henrique VIII encomendou para seu quarto em Whitehall, na década de 1530.

Um inventário do quarto do rico cavalheiro, Thomas Offley, feito em 1582, listou um leito simples com um colchão recheado de lã, com penas para reforçar, cobertores brancos e vermelhos, uma colcha verde, bordada com letras e flores, e um dossel e cortinas de lona, pintadas de amarelo e azul, assim como uma cama para seu servo.

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Colchões eram recheados com qualquer material que estivesse disponível, desde penas, lãs, até folhas e trapos; eles eram mantidos em um quadro de cordas, firmemente atadas, que precisavam ser reatadas regularmente, por serem propensas a flacidez no meio. Daí a expressão ”apertando o sono”. Os mais pobres, dormiam em colchões de palha no chão; servos tinham camas simples de madeira sobre rodas, que eram guardadas longe da vista durante o dia, muitas vezes abaixo da cama de seus patrões. As camas eram aquecidas, colocando tijolos ou pedras quentes sob panos, ou panelas quentes de cobre cheias de carvões, estas, que evoluíram para as conhecidas comadres ou urinóis, que ficavam guardadas embaixo da cama (eram usadas para necessidades fisiológicas durante a noite, mas também podiam ser enchidas com carvões para aquecerem camas). Travesseiros ou almofadas, eram considerados, pouco viris, reservado apenas para velhos, jovens e mulheres grávidas, no entanto, havia também uma crença, de que era necessário dormir apoiado, para evitar que os demônios entrassem na boca aberta, e roubassem sua alma. Homens de verdade descansavam a cabeça em madeira cortada!
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Linho branco limpo de Rennes, foi o material mais desejado para as fronhas, mas isso necessitava uma série de cuidados. O método usual era o “bucking” – imersão feita em soda cáustica, cinzas e urina para limpá-la e branqueá-la. Era um processo longo e fisicamente árduo, consistindo em esfregar e torcer, todas as fronhas, inúmeras vezes. Para os mais ricos, lavadeiras eram empregadas, mas os níveis de higiene na limpeza, diminuíam significativamente quanto a escala social (muitos não podiam pagar pelos materiais necessários, e limpavam à sua maneira). Elas secavam esticadas ao invés de serem penduradas para secar. Os piolhos eram um problema comum, e apenas eram removidos dos lençóis e fronhas, com um árduo processo de lavagem regular. Muitas pessoas, de todas as classes sociais, eram acostumadas a compartilharem suas camas com piolhos e pulgas, embora as pulgas fossem inaceitáveis, pois carregavam o estigma de impureza e imoralidade.

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As camas eram lugares sociais. O mais rico, reunia convidados e reuniões sobre elas. Os principais eventos, de nascimento e morte, tinham importância muito maior para a realeza e os ricos, e eram muitas vezes testemunhados por amigos, familiares e interessados, com a privacidade sendo muito mais incomum. O leito comum, existia especialmente, em pousadas (onde eram esperados que viajantes, compartilhassem camas com estranhos, cada um deitava em seu próprio lado, com regras existentes para serem companheiros de leito, amigáveis). Nos estabelecimentos mais pobres, leitos de dormir, consistiam em um banco de madeira simples, com uma corda pendurada e amarrada horizontalmente, sobre altura do peito. Os viajantes, eram mantidos eretos ao longo da bancada e penduravam os braços por cima de cordas de apoio; na parte da manhã, eles seriam sairiam e a área seria limpa. Outras pousadas e mosteiros, ofereciam colchões de palha simples com lençóis, levantados acima da altura do chão, por placas ou tecidos de junco. O exemplo mais famoso de uma cama grande, é a da grande cama Ware, do final do período elizabetano. A grande cama, foi projetada para atrair clientes para a pousada onde estava, chegando a ser citada por Shakespeare e Jonson. Nela, podiam dormir, até quinze pessoas de uma só vez, era parecida com muitas camas dossel de seu tempo, exceto pelo tamanho. Os servos mais humildes, dormiam em grupo em grandes salões ou em dormitórios comunitários, juntamente com outros homens e mulheres. Eles eram, geralmente separados, embora isso não impedisse determinados pretendentes, como no suposto caso de Catarina Howard. As camas eram também locais de namoro, com algumas comunidades, permitindo à casais não casados, à prática “bundling” – passar o tempo juntos na cama, enquanto separados por uma almofada colocada no meio! As camas eram frequentemente portáteis, sendo as da realeza, desmontadas e transportadas entre palácios enquanto viajavam, garantindo uma boa noite de sono quando eles chegassem. Com quem eles poderiam compartilhar tais camas, no entanto, era outro caso…

FONTES:
Author her storian Parent: AQUI.

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