Contos Tudor: O amor de mãe

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O que irá ler a seguir, é um conto escrito por um leitor da página Tudor Brasil, este conto é um romance e não tem compromisso com fatos reais:

A jovem Elizabeth pouco se recordava da mãe, decapitada havia muitos anos, mas ainda assim não suportava as acusações terríveis que a levaram à morte e sabia que nenhuma delas era verdade. Ela era uma Tudor, filha de Henrique VIII, que também já havia morrido há alguns anos.
Sua meia-irmã governava e Elizabeth era guiada até a Torre de Londres, lugar onde, sabia ela, sua mãe passou seus últimos dias antes de subir ao cadafalso. Escondendo seu temor na postura de quem foi educada para ser uma princesa, Elizabeth temia que o seu destino fosse o mesmo.
Protestante desde o nascimento, filha de um casamento trágico que já havia sido declarado inválido naquele país católico comandando com mãos de ferro por Mary e considerada bastarda por muitos, Elizabeth se via abandonada naquela torre. Suas damas já estavam dormindo, mas o sono não chegava para a bela ruiva que encarava através das grades o céu estrelado.
– Elizabeth, minha Elizabeth.
Elizabeth não precisou virar-se para reconhecer a voz. Havia muito que não ouvia mais pessoalmente, mas em seus sonhos tornou-se natural ouvir sua mãe.
– Mamãe… Que crime cometi para estar nesta prisão? Ser sua filha? Ser filha de meu pai? Ter minha própria religião?
Ana abaixou seus belos olhos escuros, sabia a solidão que sua filha sentia e tudo o que podia fazer é aparecer para ela vez ou outra, mas, como mãe, não era o suficiente. Havia sido negligente quando viva, apenas pensando em dar ao esposo um filho homem que governaria a Inglaterra, mas agora via que seu maior legado era sua criança que agora era mulher feita.
– Eu sinto muito, Elizabeth… te deixei sozinha nesse mundo e vejo tudo o que você passa. Mas tenho certeza que tudo vai ficar bem… Sabe, minha filha, eu aceitei o meu duro destino para tentar te dar algum futuro, não fugi para parte alguma. – Ana abaixou novamente a cabeça. – Mas eu sei que se tivesse fugido… talvez eu teria passado mais tempo com você, minha filha…
– Mamãe, só Deus sabe o quanto eu sinto sua falta, você se sacrificou para me manter aqui na Inglaterra, lutou até o último instante para que eu não fosse feita uma bastarda… Mas eu estou aqui presa, talvez eu vá para o cadafalso amanhã ou depois…
– Não, você não vai… Como pode desistir, Elizabeth? Você é uma Bolena e também é uma Tudor, como pode pensar que não vai conseguir sair desta prisão? Seu destino é ser rainha! Elizabeth, por favor, me prometa que vai fazer pela Inglaterra o que não tive tempo de fazer. Apenas me prometa que vai lutar até as últimas forças para criar um mundo de ouro que eu não consegui criar pensando que para isso eu precisava de um filho homem… eu sei que você é capaz. Você é forte, é decidida, e mais inteligente do que qualquer um dentro daquela corte.
As palavras de sua mãe a acalmavam pouco a pouco, sua mãe acreditou nela até o último instante, como poderia desperdiçar tal esforço? Elizabeth sorriu meiga, mesmo que sua pele alva estivesse brilhando com suas lágrimas.
– Você é minha filha… filha de seu pai… você tem tanto de nós dois, minha filha… – Ana sorriu nostálgica. – Sabe, minha filha, se eu tivesse chance de reescrever toda a minha vida eu mudaria certas coisas, talvez não seria tão impetuosa, mas eu não trocaria ter dado a luz a você por príncipe algum. Tenho muito orgulho de você.
– Eu não vou decepcionar você, mamãe… Eu não vou desistir deste reino como você não desistiu de mim. Serei rainha.
O sorriso que sua mãe abriu era idêntico ao da ruiva, e assim ela foi desaparecendo. Mais uma vez deixada sozinha, Elizabeth colocou a mão em seu peito, sentindo seu coração Tudor e Bolena batendo fortemente, decidido, confiante.
E foi esta confiança que levou quatro anos depois quando foi coroada. Sentada em seu trono, rainha incontestável da Inglaterra, França e Irlanda, Elizabeth sabia mais do que ninguém que teria desafios pela frente, sabia que a maioria dos olhares a rejeitavam silenciosamente mas não ia esquecer de sua promessa à sua querida mãe que deu a própria vida em troca daquela pequena chance de ver sua filha ser rainha.
– Mamãe… sou a rainha da Inglaterra e criarei o mundo de ouro que você tanto sonhou.

Conto escrito por: Jéssica Lima Cochete.

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2 comentários Adicione o seu

  1. luiz eduardo disse:

    lindo conto amei 🙂

    1. tudorbrasil disse:

      Que bom Luiz Eduardo!:)

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