Freiras no período Tudor

Elizabeth Barton - A freira de Kent.
Elizabeth Barton – A freira de Kent.

Qual foi o destino e para onde foram as freiras na Inglaterra Tudor, após Henrique VIII romper com Roma e fechar as casas religiosas? O destino de religiosos na Inglaterra, é mais conhecido, quando trata-se de homens e a maneira que eles viveram quando não dispunham mais dos monastérios, igrejas ou paróquias nas quais viviam. Infelizmente, a maioria dos registros dos destinos destas freiras, foram perdidos na história.

Alguns poucos registros existentes, mostram que as freiras reuniram-se em East Anglia, formando pequenas famílias juntas. Certamente, grande maioria deve ter fugido para o continente, a fim continuarem suas vidas religiosas. Porém, muitas não tinham os meios, nem a oportunidade de deixar a Inglaterra. As pensões que lhes foram prometidas, eram bastante difíceis de conseguir, para isto, elas teriam que viajar para um centro urbano e não só encontrar o benfeitor certo, como também prover fundos para pagar o escrivão que transferiu o dinheiro. Sem seus dotes, que tornaram-se propriedade do Rei, ou membros da Corte, elas contavam com a boa vontade deles em ajudá-las, sendo que muitas vezes, não eram pagas.

nunEm total desamparo, o que estas mulheres poderiam fazer em tais circunstancias? Além de tentarem viajar ao continente, elas podiam também, quando não bem sucedidas na primeira opção, retornar para suas famílias, se tivessem uma, e o principal, se a família estivesse disposta a aceita-las. Elas poderiam também, tentar uma profissão, tais como, governantas de casas. Por fim, elas também poderiam casar-se com um homem adequado. As possibilidades são tudo o que temos, já que os registros, conforme dito acima, não existem. Então, resta-nos deduzir, o que aconteceu a tantas mulheres.

A pobreza era provavelmente, o destino de muitas freiras na Inglaterra. A pobreza pode levar, é claro, ao crime e as punições draconianas que se seguiram. Roubo era uma ofensa grave, mesmo para mulheres. E mulheres acusadas de crimes, não podiam contar com o benefício do clero, que muitas vezes, salvavam muitos cidadãos homens de uma execução.

Desde o período medieval, as freiras trabalhavam dentro de seus conventos, tanto com limpeza e tecidos, quanto na cozinha. Muitas vezes, as freiras poderiam vender as comidas feitas no convento para fora. Até nos dias de hoje, isso é bastante comum e conhecido como Doceria Conventual. Elas venderiam pães, doces (anteriormente ao açúcar, eram adoçados com mel), massas, compotas, entre outras. Eu realmente acredito, que muitas poderiam ter continuado a ganhar dinheiro com a fabricação artesanal destes alimentos. Podemos encontrar em muitos países, inclusive Brasil e Portugal, conventos que fabricam inúmeros doces e são bastante apreciados, inclusive alguns, até tem nomes que remetem à elas, como por exemplo, o doce português, barriga de freira. É uma possibilidade bastante plausível, acreditar que as freiras inglesas, tenham tentado vender alimentos para fora.

nuns1As dúvidas sobre o destino das freiras no período Tudor, provavelmente nunca serão solucionadas. Mas para entusiastas apaixonados por romances, existem alguns pontos de vista ficticios, para leitura, sem compromisso com a verdade, claro.

Existe um romance inglês sobre o destino das freiras na Inglaterra, chamado ”The altarpiece”, por Sarah Kennedy. Nele, a personagem principal, Catherine Havens, é uma jovem freira que relutantemente rumou a vida religiosa, após suas esperanças em ter uma proeminente vida na Corte, foram-lhe negadas. Sua mãe adotiva, a prioresa, e suas irmãs do convento, no entanto, optaram a vida de freira por paixão, e todas encontraram um futuro incerto com a dissolução no Reinado de Henrique VIII.

É um interessante ponto de vista, imaginar quantas vidas foram alteradas após o rompimento com Roma. Afinal, a Inglaterra era um país tipicamente católico, com muitas funções e empregos girando em torno disto.

FONTES:
Artigo escrito por Sarah Kennedy, autora do romance The Altarpiece, para a página ”On the Tudor Trail”: AQUI.

Gostaria de aproveitar o fato de que Portugal foi citado no artigo, e mandar meu agradecimento especial, a todos os queridos leitores portugueses da página, sempre muito participativos e interessados. É muito bom poder interagir com vocês!

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