Qual foi a reação de Henrique e Ana Bolena à morte de Catarina de Aragão

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Muitos comentam ou perguntam sobre qual reação Ana Bolena ou Henrique podem ter tido ao serem informados da morte de Catarina de Aragão, primeira esposa do monarca.

Para compreender o fato, temos que olhar para as fontes históricas daquele momento. Uma das evidências, é uma parte oriunda das crônicas de Edward Hall. Edward foi um cronica e advogado inglês, cujo as cronicas tem inicio com a ascensão de Henrique IV e termina com a morte de Henrique VIII. Abaixo, podemos ver sua declaração sobre a morte de Catarina de Aragão:

”E o oitavo dia de Janeiro, seguiu-se com a morte da Princesa viúva em Kimbolton, ela foi sepultada em Peterborough. A Rainha Ana usou amarelo para o luto.”

Segundo crenças cristãs antigas, o amarelo simbolizava a renovação, esperança, luz e pureza. Amarelo foi também a cor cristã usada na Páscoa, assim como o branco. Ou seja, era uma cor que simbolizava muitos aspectos, menos a reserva habitual do luto. O crônica nada citou sobre Henrique.

Temos também o relato de Eustace Chapuys, Embaixador Imperial na Inglaterra, seu relato dizia que Henrique, assim como Ana, também vestiu amarelo, e em sua boina oitavada, uma pena branca foi presa. Ele saiu dançando junto as damas de Ana Bolena. Seu registro foi o seguinte:

”Você não poderia imaginar a alegria que o Rei e os que defendem este concubinato têm demonstrado com a morte da boa Rainha, especialmente o Conde de Wiltshire e seu filho, que disse ser uma pena a Princesa não poder ter feito companhia a ela. O Rei, no sábado, ouviu a notícia, exclamou: “Deus seja louvado, nós estamos livres de prenuncio de guerra”; e que havia chegado a hora, em que ele iria executar o melhor francês, que jamais havia feito até então, pois agora, iria fazer tudo o que queria, sem medo de não aliar-se a Vossa Majestade novamente, vendo que a causa que perturbou sua amizade se foi. No dia seguinte, domingo, o Rei estava vestido todo de amarelo, da cabeça aos pés, com exceção da pena branca que tinha em sua boina oitavada, e a pequena bastarda foi conduzida para a missa com trombetas e outros grandes triunfos. Após o jantar, o Rei entrou na sala onde as damas dançavam e lá fez várias coisas, como se estivesse movido à alegria. Por fim, ele seguiu até sua pequena bastarda, e carregou-a em seus braços, ele mostrou-a para um e para outro. Ele fez como em outros dias desde então e praticou jogos com lanças em Greenwich”.

Já em outra carta a Carlos V, ele informa o seguinte:

”Há alguns dias atrás, eu havia sido informado há uma certa distância, de quem acredito não terem boas reputações, que à respeito da alegria demonstrada pela concubina sobre a notícia da morte da boa Rainha, na qual ela havia dado um bom presente ao mensageiro, ela havia chorado frequentemente, temendo que pudessem fazer a ela, o que fizeram com a boa Rainha. Esta manhã, eu ouvi da senhora mencionada em minhas cartas no dia 5 de Novembro e de seu marido, que eles foram informados por uma das principais pessoas da Corte, que o Rei havia dito para pessoas de sua grande confiança, em mérito de confissão, que ele contraiu a este matrimônio, seduzido por bruxaria, e por esta razão, ele o considerava nulo; e isto estava evidente pois Deus não o permitiria que tivesse nenhum herdeiro varão e por isso, ele acreditava que deveria ter outra esposa, que ele deu a entender, ter algo que deseja fazer. Isto é algo muito difícil para mim acreditar, mesmo vindo de fontes confiáveis. Eu irei observar para ver se existe qualquer indicação de uma probabilidade. No entanto, eu não posso dar-me ao luxo, de dar uma pista sobre isto por terceiros, à governanta da Princesa e avisá-la, para tratá-la um pouco melhor; e eu avisei a segundos, para a Princesa ser o mais gentil possível com sua governanta, para então, faze-la sentir, que quando a Princesa fosse a sua propriedade, ela não a tratasse com desfavor…”.

Ives e Weir:

A seguir, disponibilizaremos a opinião de dois biógrafos sobre o evento;

Eric Ives: Ives acredita, que a notícia da morte de Catarina, representou um grande alívio e maior recepção ao casamento do Rei com Ana Bolena. Isso era bastante plausível, afinal, agora Ana Bolena era indiscutivelmente a única Rainha viva inglesa.

Alison Weir: Weir acredita que Henrique recebeu a notícia da morte de Catarina com alívio e alegria, afinal as possíveis reivindicações de guerras, estavam enfim encerradas. Ela acredita que Ana deve ter pensado que enfim, era indiscutivelmente a Rainha e ficado de certo ponto, aliviada. Alisson reivindica que a cor amarela, foi usada por ambos, como uma cor de luto na Espanha, mas conforme lemos acima, é provável que a cor amarela, representasse mais esperança que luto.

Alison mais tarde, corrigiu seu engano no livro ”The Lady in the Tower”, onde diz:

“É um equívoco acreditar, que o amarelo tenha sido a cor de luto da Corte Real espanhola. A escolha da vestimenta de Ana, não foi nada mais que um insulto calculado à memória da mulher que ela havia suplantado”(Lady in The Tower, página 18).

Encerramento:

Podemos dizer após ler tais documentos, que a morte de Catarina, representou a Henrique e Ana, mais alegria e esperança que pesar. Ana contudo, pode de fato ter temido, que nada impediria que seu marido, que teve tal atitude de descaso com sua outrora esposa de longa data, pudesse fazer o mesmo com ela. Afinal, o fato de não ter gerado seu filho herdeiro, estava aos poucos tornando-se um problema mais alarmante…

O acontecimento para Henrique, parece ter representado mais alívio, afinal, o medo constante da guerra por seus deslaces políticos, havia tornado-se cada vez maior desde a separação de Catarina e com sua morte, Henrique era, quisessem ou não viúvo, e poderia de fato, desposar-se novamente. O que ficaria em cheque, seriam apenas as amargas memórias de suas atitudes para com Catarina.

É difícil dizer se em seu íntimo, Henrique não tenha sentido nenhum pouco de pesar ou culpa por seus atos com Catarina, afinal, como podemos ver, ele conseguia atribuir seus erros e falhas à terceiros. O que podemos dizer é que ele leu a última carta de Catarina dedicada a ele, e que provavelmente, deve ter refletido sobre ela…

FONTES:
ON THE TUDOR TRAIL: AQUI.
MEDIEVAL LIFE AND TIMES: AQUI.

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