Catarina de Aragão – A primeira esposa de Henrique VIII foi anoréxica?

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Hoje no Facebook, deparei-me com um artigo do Daily Mail de chamada bastante interessante. O artigo aborda uma possível desordem alimentar de Catarina de Aragão. Tirem suas próprias opiniões. (Artigo por Gilles Tremlett):

Os alarmantes sinais estavam lá. A adolescente certa para tornar-se Rainha Consorte da Inglaterra não estava alimentando-se corretamente. Sob suas costas, preocupadas cartas foram enviadas de um lado a outro da Europa. Em um nítido eco de palavras usadas para descrever anorexia, bulimia e distúrbios alimentares atuais, Catarina de Aragão, foi descrita como ”comendo desordenadamente” – e atentos observadores, iriam passar a descrever seus primeiros dias de casamento com Henrique VIII.

A princesa espanhola de 15 anos de idade, havia chegado na Inglaterra em 1501, após uma tempestuosa e longa viagem à partir dos arredores de seu lar, o Palácio de Alhambra em Granada. Catarina sabia que seu futuro era casar-se com o futuro Rei da Inglaterra, gerar um herdeiro e assim, dar continuidade a Dinastia Tudor. Seus primeiros anos na Inglaterra, no entanto, foram miseráveis ​​: um período de solidão, incerteza e doença quase continuo. Seus problemas alimentares não ajudaram. Eles poderiam ter um efeito duradouro, tornando difícil para ela, produzir o herdeiro do sexo masculino e fazendo assim, com que seu marido Henrique VIII caísse nos braços de Ana Bolena e mudasse o curso da História inglesa?

Pensamos em transtornos alimentares, como um fenômeno exclusivamente moderno. A culpa está atrelada a tudo, desde modelos de passarela esqueléticas, revistas de moda e biquinis. A auto-inanição e compulsão alimentar, tem estado conosco há séculos, pelo menos desde que os romanos começaram a vomitar após as refeições, ou iniciarem jejuns. É bem possível que a princesa Diana não tenha sido a única e nem a primeira mulher da Realeza a sofrer deste mal.

A anorexia não foi formalmente diagnosticada como doença até o final do século XIX, mas crêem que os candidatos como os primeiros anoréxicos, tenham sido desde Joana d’Arc, até Maria Rainha dos Escoceses. ‘‘Então, será que isso existiu antes!? Absolutamente. Ela só não era chamada de anorexia nervosa”, diz a Dra. Julie Hepworth , especialista em transtornos alimentares. Os sintomas foram chamados de nomes diferentes, em momentos diferentes…

É impossível fazer um diagnóstico médico cinco séculos depois, mas a Dra. Hepworth, concorda que a situação de Catarina, como uma jovem infeliz e impotente, juntamente com os sintomas descritos em sua vida, são uma reminiscência do atual quadro de sofredores deste distúrbio. “Há características marcantes que são muito semelhantes”, disse ela.

Os problemas de Catarina, começaram logo após sua chegada na Inglaterra. Ela não havia vindo inicialmente, com a intenção de casar-se com Henrique. Desde os 4 anos de idade, ela estava prometida ao primogênito de Henrique VII, o príncipe Arthur. A cerimônia de casamento em St. Paul, selou acordo entre os dois jovens de 15 anos e um leito matrimonial os aguardou no Palácio do Bispo vizinho. Foi lá que em tese, seria definido o ponto para o início dos preparativos para um futuro herdeiro da coroa inglesa.

Mas seu casamento com Arthur parece ter sido infeliz e breve. Historiadores tem argumentado interminavelmente se os dois teriam conseguido ter relações sexuais. Catarina insistiu que não, e seus retentores falaram de um Arthur envergonhado, arrastado para fora de seus aposentos, deixando uma triste e insatisfeita Catarina para trás. “Eu temo que ele nunca será capaz de ter relações comigo”, disse ela , de acordo com um retentor. Isso deve ter sido um duro golpe para a sua auto-estima, especialmente por ela acreditar que sua principal tarefa, era fornecer herdeiros. Seu senso de fracasso e inutilidade teria sido agudo.

Depois de semanas de comemorações, o jovem casal foi enviado para viver dentro das cinzentas e altas paredes de Ludlow Castle, perto da fronteira galesa em Shropshire. Mas Arthur morreu em poucos meses e Catarina viu-se viúva aos 16 anos, doente e presumivelmente, ansiosa para deixar aquele lugar que sua mãe chamou de insalubre. Sua amável sogra Elizabeth de York, eventualmente enviou uma carruagem para levá-la de volta a Londres, mas Henrique VII e seus pais, os poderosos monarcas espanhóis Isabel e Fernando, logo tinham planos frescos para ela. Em 1503, ela foi destinada a casar-se com o jovem irmão de Arthur, o príncipe Henrique. Seu novo noivo no entanto , era ainda uma criança de 11 anos de idade. Ela então, deveria esperar para casar-se com ele.

Nesse meio tempo, os pais dela a abandonaram aos cuidados de Henrique VII , mas repetidamente falharam em enviar a última parcela do dinheiro do dote, que permitiria que ela se casasse novamente. Sete anos sombrios foram gastos em provações, miséria e limbo. ”Eu temo que a minha vida será curta, devido aos meus problemas”, disse ela a seu pai. Henrique VII foi por vezes cruel, esperando que pudesse forçar sua família a enviar o dinheiro. Catarina foi um peão na política européia – presa e impotente. Ela queixou-se amargamente , especialmente sobre o dinheiro : em um estágio que ela foi forçada a vender as pulseiras para comprar um vestido novo.

Pensamos em distúrbios alimentares, como um fenômeno exclusivamente moderno, mas eles tem estado conosco há séculos e infelizmente foram adicionados aos problemas de Catarina.

Em 26 de Novembro de 1504, a Rainha Isabel morreu. Catarina não perdeu apenas uma mãe, mas também seu estado civil como filha da Rainha de Castela – um título que passou para sua irmã mais velha, Joana. Se Catarina já estava impotente, a morte de sua mãe só pode tê-la feito sentir-se cada vez mais inútil.

Em algum momento, Catarina começou a alimentar-se de maneira irregular. O jejum por motivos religiosos, ofereceu-lhe a oportunidade de evitar os alimentos. Distúrbios alimentares atuais, são frequentemente associados com perfeccionismo exagerado e a devoção religiosa, forneceu a Catarina um motivo para seguir em frente com isso. Algumas das práticas mais extremas, poderiam envolver auto-mutilação, que vão desde a auto-flagelação até a fome. Santas medievais famosas, como Catarina de Siena, chegaram a morrer de fome. “Ela constrangia-se todos os dias, por vomitar a comida que havia comido”, relatou o confessor da santa.

Comparando com os anoréxicos de hoje, que tem como objetivo a magreza, o ideal os santos era a santidade pela fome, disse o historiador Rudolph Bell, autor de um livro sobre santas chamado “Santos Anoréxicos”.

Entre os que avistaram o perigo com Catarina, estavam o Papa Júlio II, cuja autorização foi necessária para muitos casamentos entre famílias reais da Europa, e foi um uma peça chave na política do continente. Então, quando ele recebeu a notícia de que Catarina estava exagerando em seu jejum e comprometendo sua capacidade de ter filhos, ele escreveu para o Príncipe de Gales.
A data da carta do Papa é confusa e não está claro se ela foi escrita para o príncipe Arthur ou Henrique, mas Catarina estava, provavelmente na faixa de 15/19 anos – a idade em que os distúrbios alimentares atuais aparecem. Julius deixa dúvida sobre o nível de preocupação que ela causou. Ele tinha escutado, que o “fervor de sua devoção” era tal, que ela excessivamente fazia orações, juramentos, jejuns e abstinência, sem a permissão do Príncipe de Gales. Catarina ‘não tem o poder total do seu próprio corpo’, o Papa escreveu – ”E se as devoções e jejuns ficarem no caminho de sua saúde física e procriação dos filhos, ela pode ser revogada e anulado pelos homens.”. Ou seja, ele deu a ”autoridade para conter e obrigar” o príncipe  a evitar qualquer coisa, que se colocasse no caminho da procriação dos filhos. Catarina, em outras palavras, poderia ser condenada a comer.

Catarina foi atormentada por misteriosas doenças de longa duração. Seu próprio médico, acreditou que ela sofreu um contínuo ataque de doenças, que durou por seis anos após sua chegada à Inglaterra. Os sintomas eram variados e erráticos. Eles incluíram “desarranjo do estômago, suores quentes, suores frios, febres que vinham todos os dias, constipações e tosses de verão, que confundiam os médicos do Rei Henrique. Ela reclamava no mesmo dia de sofrer de calafrios e calores. É difícil não ver uma doença subjacente, como a depressão. O médico disse: ”As únicas dores de que ela agora sofre, são as aflições morais, que estão além do conhecimento e habilidade de seu médico”.

Foram várias as curas. A maioria delas envolvia sangria e purgativos que causariam vômitos e diarréias, ambos provocados. Catarina preferiu o derramamento de sangue. As curas, pelo menos garantiram a ela, um pouco de atenção, mesmo que apenas de seu médico. A Corte espanhola especulou que o início da doença foi causada pelo fato de que ”ela era virgem e que se ela tivesse casado-se com alguém com mais habilidades com mulheres, seria melhor”. O que ela precisava, segundo eles, era um homem ”de verdade” em sua cama. Seu próprio médico propôs algo mais sensato – um pouco de amor. Alguns sugeriram que  ”preocupação paternal’‘de seu indiferente pai, seria, sua ”única esperança”.

Os problemas de Catarina, tiveram um fim súbito com a morte de Henrique VII, em 1509. Henrique de 17 anos foi proclamado Rei, e uma de suas primeiras decisões foi casar-se com Catarina, naquele momento com 23. O pagamento do dote final foi feito rapidamente e o casal era aparentemente feliz, mas muito ansioso para produzir filhos. Os estranhos hábitos alimentares de Catarina, logo voltaram e chamaram a atenção de um embaixador espanhol – ”A irregularidade em sua alimentação a torna indisposta”, relatou; ”Pouco surpreendente”, disse ele mais tarde, ao saber que Catarina estava tendo problemas em conceber.

Um ciclo menstrual irregular, é um dos primeiros sintomas a aparecer em transtornos alimentares modernos e problemas para engravidar podem ser um outro tipo de efeito conjunto. Na verdade, Catarina concebeu, pelo menos meia dúzia de vezes – mas a maioria de suas gestações, terminavam mal. Natimortos, abortos e mortes infantis, eram uma parte dolorosamente repetitiva de sua existência. Isso não era anormal para a época, mas a pesquisa também sugere que ambos os abortos espontâneos e bebês com baixo peso podem ser ligados a transtornos alimentares.

Apenas um dos filhos de Catarina sobreviveu até a idade adulta – Maria Tudor , a futura rainha inglesa, que ficaria conhecida como Bloody Mary. Fundamentalmente, nenhum herdeiro masculino de Catarina chegou a infância – e uma filha não foi suficiente para Henrique VIII. Seu desejo por um filho varão foi tanto, que viu em Ana Bolena o caminho necessário que levaria Catarina a ter que sair. Isso aconteceu apenas após 17 anos de um bem sucedido e amigável casamento (Catarina durou o dobro de tempo como Rainha e esposa de Henrique, que todas as outras cinco esposas juntas).

A batalha de divórcio foi longa e confusa, Catarina lutou tenazmente, apesar dos perigos evidentes para sua vida e tudo só terminou, quando Henrique decidiu dividir a igreja inglesa, do Papa em Roma. Ele designou então, ao Arcebispo de Canterbury, a fazer sua vontade e conceder o divórcio, uma decisão que reverberou através da história por gerações.

Então, foi um transtorno alimentar de Catarina, que roubou sua capacidade em dar a Henrique o herdeiro que tanto ansiava? A esta distância e com tais evidências disponíveis, é impossível ter certeza. Não podemos saber se ela tinha alguma outra condição médica que pudesse explicar seus sintomas, e poucos sabemos sobre seu peso. Retratos e descrições posteriores, certamente a mostram como suficientemente cheia. Os anoréxicos e bulímicos, como suas famílias bem sabem, muitas vezes espalham seus sofrimentos além deles mesmos.

FONTES:

Daily Mail: AQUI.

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