Elizabeth I – Parte IV: Rumo ao trono

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Após derrotar Northumberland em sua tentativa de impedir sua sucessão ao trono, Maria I triunfante, seguiu seu caminho rumo à Londres. Quanto a Elizabeth, foi dado o privilégio de caminhar ao lado de sua irmã na procissão. As filhas de Henrique VIII foram então muito reverenciadas, este era o começo de novos tempos, que surgiriam para deixar sumir o amargo gosto do reinado de Henrique VIII para muitos ingleses.

A ascensão de Maria ao trono, começou bem para a jovem Elizabeth. No entanto, as diferenças irreconciliáveis ​​entre as duas irmãs, principalmente a de diferentes crenças, logo causariam problemas. Maria estava desconfiada de sua meia-irmã mais nova, e estava relutante em reconhecê-la na linha sucessória. Na realidade, até seus últimos dias, Maria possuiu grande dificuldade, principalmente vinda da parte de seus conselheiros, em reconhecer Elizabeth como herdeira legítima. Como Rainha, agora Maria começou a restaurar a fé católica em uma Inglaterra totalmente dividida. Ela também negociou seu casamento com o príncipe Philip, filho do Imperador Carlos. O casório foi realizado em Winchester, no ano de 1554 e a união tornou-se extremamente impopular perante o povo inglês. Naquele momento, a Espanha foi a maior potência e a mais poderosa de toda a Europa, e muitos temiam que com esta nova união, a Inglaterra caísse em domínio espanhol.

Maria I e seu marido Philip II da Espanha.
Maria I e seu marido Philip II da Espanha.

Em oposição ao casamento arranjado, Thomas Wyatt, um cavalheiro de Kent, encabeçou uma rebelião na Inglaterra. Além da intenção de obter a anulação do matrimônio da Rainha, os outros planos conspiratórios permaneciam um tanto vagos… Ao ser capturado para interrogatório, verificou-se que um de seus planos era casar a jovem Elizabeth com Edward Courtenay, Conde de Devon, para garantir uma sucessão de um inglês de sangue ao trono. Assim, Elizabeth novamente encontrou-se implantada em um perigoso terreno político, alguns tinham intenções muito mais obscuras que apenas um matrimônio, queriam ela no trono ao invés de Maria. Dada a antiga antipatia de Elizabeth com casamento, e seu conhecido desgosto por rebeliões, é extremamente improvável que ela fizesse parte deste esquema, ou que ao menos soubesse o plano deles, mas o uso de seu nome pelos conspiradores, e a existência de provas circunstanciais, sugerem que Elizabeth pode ter tido conhecimento da revolta, e isso já era o suficiente para colocá-la sob suspeita. Elizabeth negou qualquer conhecimento dos planos de Wyatt, mas o conselheiro da rainha, Simon Renard, que abominava a ideia da herdeira protestante subir ao trono, convenceu e seus outros conselheiros a levá-la a julgamento.

Elizabeth não chegou a ser levada a julgamento, mas foi tomada como prisioneira na Torre de Londres. A ideia de ir para um local de onde muitos jamais haviam retornado, inclusive sua própria mãe, deixou-a apavorada, e ela desesperadamente alegou sua inocência. Mas nada que fizesse poderia adiantar, no domingo, dia 18 de março de 1554, ela foi levada de barco até a Fortaleza Real. Inicialmente Elizabeth, temerosa, recusou-se a entrar, alegando diversas vezes ser inocente e uma leal súdita da Rainha, porém acabou ficando presa, especificamente na Torre do Sino. Alguns de seus servos foram presos com ela, incluindo Kat Ashley.

Rebelião de Wyatt.
Rebelião de Wyatt.

Elizabeth estava em grande perigo. Sua existência foi considerada uma ameaça para a Rainha e seus assessores pediram-lhe sua execução. Maria estava relutante em derramar mais sangue, principalmente sendo este, o sangue de sua irmã mais nova. Anteriormente ela sucumbiu à pressão e executou Lady Jane Grey contra sua vontade, e a poderosa persuasão de seu conselho, poderia tê-la levado a assinar a sentença de morte de sua irmã. A falta de provas contra Elizabeth, a declaração de Wyatt de sua inocência, e sua crescente popularidade no país, acabaram por fim trabalhando à seu favor, e ela logo foi liberada da Torre. Ela não recebeu a liberdade por inteiro, na realidade, foi levada como prisioneira para a mansão de Woodstock, perto de Oxfordshire. Em seu caminho até lá, a multidão saudou-a com aplausos mornos e presentes, demonstrações de seu apoio neste momento difícil.

Elizabeth foi mantida prisioneira em Woodstock por um ano. Após algum tempo, a mansão em si foi dilapidada, e Elizabeth teve de apresentar-se em Gatehouse. O local possuía pouco espaço para seus servos e Thomas Parry, que era responsável por suas contas financeiras, teve de arrumar abrigo na cidade vizinha. Elizabeth foi vigiada por Sir Henry Bedingfield juntamente com cem homens. Ela foi impedida de ver Kat Ashley, e todas as suas visitar tinham de ser contabilizadas, ou seja, ela não tinha permissão para comunicar-se com qualquer pessoa, sem supervisão. Bedingfield foi talvez excessivamente rigoroso com a jovem princesa, mas sua vigilância era tanto para o benefício de Elizabeth como para a Rainha. A vida de Elizabeth passou por um período de obscuridade e de vigilância por diversos defensores da Rainha. Ela pode muito bem, ter sido a vitoriosa sobrevivente dos planos de um não tão cuidadoso, porém bastante discreto assassino. Embora as restrições de Bedingfield a irritassem, Elizabeth certamente parece ter apreciado seus esforços, carinhosamente chamando-o de seu “carcereiro”, e quando ela tornou-se rainha nunca guardou-lhe rancor e chegou inclusive a brincar dizendo que se um dia precisasse manter alguém estreitamente confinado, ela sem dúvidas, iria convocá-lo .

Thomas Wyatt.
Thomas Wyatt.

Pouco tempo após seu casamento com Philip, Maria logo acreditou estar grávida. Esta foi uma boa notícia para seus partidários, e um alarmante problema para os protestantes.Se Maria desse à luz a uma criança saudável, então a esperança de restaurar a fé protestante na Inglaterra tornaria-se para sempre perdida. A notícia da gravidez de Maria também preocupou Elizabeth. Sua chance de tornar-se Rainha, parecia agora estar mais distante que nunca, e ela supostamente considerou escapara da Inglaterra rumo à França, à fim de evitar uma vida como prisioneira Real. No entanto, com o passar dos meses, ficou claro que a gravidez de Maria era mais psicológica que real. A gravidez psicológica pode entre muitos outros fatores, inchar os seios e interromper o ciclo menstrual, naquela época sendo bastante convincente para um veredito precipitado. Maria estava agora cada vez mais infeliz e cada vez mais impopular. Suas execuções de protestantes dividiram cada vez mais o país que ela outrora sonhou em unir e foram, com o passar do tempo, desprezadas, assim como seu envolvimento em uma guerra com a França, em que Calais, última posse Inglesa na França, foi perdida.

Torre de Londres.
Torre de Londres.

A pedido de seu marido, Maria, relutantemente aceitou Elizabeth como herdeira do trono inglês. Na linha sucessória, após Elizabeth e passando sobre a linhagem de Suffolk, o mais poderoso pretendente ao trono era Maria, Rainha da Escócia, neta da irmã mais velha de Henrique VIII, Margaret. Maria a pouco tempo havia casado com o herdeiro do trono francês, François, e os franceses e espanhóis eram famosos inimigos. Assim, apesar de protestante, era mais interessante a Philip garantir a ascensão ao trono à Elizabeth, pois assim, evitaria entregá-lo aos franceses.

Elizabeth estava em sua casa de infância em Hatfield, quando Maria morreu no dia 17 de novembro de 1558. Ela supostamente foi comer maçã embaixo de uma grande árvore de carvalho nas redondezas de sua casa, quando a notícia de sua ascenção ao trono foi lhe informada. Elizabeth, agora com 25 anos de idade, era a Rainha da Inglaterra.

Pela primeira vez em sua vida, ela era dona de seu destino. Elizabeth então, ajoelhou-se no chão e sussurrou em latim o que ela realmente deve ter sentido : “Isto é obra do Senhor, e é maravilhoso aos nossos olhos.”

FONTES:

ELIZABETH I: AQUI.

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