A medicina no período Tudor – PARTE I: Introdução

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O progresso medicinal encontrou lugar na Inglaterra desde cedo. Em 1066, ano da conquista da Inglaterra pelos Normandos, o país entrou em estreitas relações com o continente Europeu.
Com estas relações, os ingleses adotaram em grandes proporções, os conhecimentos médicos provenientes das fontes gregas e de países mediterrâneos.
Os ingleses iluminaram-se com os conhecimentos de famosas escolas como as de Salerno, Montpellier e Paris, era o início de um novo caminho dentro do campo da medicina inglesa.
Neste período, foram fundados os primeiros hospitais destinados à internação de enfermos.
Dentre estes hospitais, é importante destacar a criação do hospital de São Bartolomeu em Londres no ano de 1123, por um antigo cortesão do Rei Henrique I, Rahere.
Este estabelecimento foi posteriormente, um divisor de águas para o desenvolvimento prático da medicina em solo inglês.

A assistência aos hospitalizados era praticada quase que exclusivamente por eclesiásticos, não encontra-se em nenhum documento, citações sobre colaborações de médicos laicos dentro do recinto.

Desde aquele período, a Inglaterra já contava com a existência de médicos leigos, segundo se deduz de vários documentos do início do século XII, nos quais os médicos da câmara Real lançavam suas assinaturas após a dos dignatários religiosos.

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Manuscrito renomeado de Gilbert Anglicus.

Com base nisto, podemos supor que o grande cume evolutivo no campo medicinal em território inglês deu-se início no período de reinado de Henrique I, passando para a posteridade nomes de inúmeros médicos, dentre eles, Ricardo Wendover autor de ”ANATOMIA”, inspirado inteiramente no espírito galênico e Gilbert Anglicus, cujo o tratado de patologia ”Liber Morborum Tam Generalium Quam Particularum” difundiu-se de modo considerável tendo sido impresso em Lyon em meados de 1510, com o nome de ”Compendium Medicinae”.

Relacionados ao Hospital Bartolomeu, temos também o nome de John Mirfeld, um eclesiástico que exercia medicina e cujos manuscritos principalmente o ”Breviarium Bartholomei’‘ nos permite ter uma luz à respeito das opiniões teóricas e métodos de tratamentos de um médico naquele tempo.

Enquanto os manuscritos de John Mirfeld permite-nos ter um vislumbre das atividades e conceitos médicos de um eclesiástico de cultura clássica, as 0bras de John Anderne permite-no vislumbrar o campo de ação de um dos mais famosos cirurgiões do período. O ponto forte de Anderne era o tratamento e operação de fístulas anais, problemas recorrente entre os cavaleiros armados com pesadas couraças, porém, o principal valor de Anderne, foi o de ter sido o verdadeiro fundador da escola cirúrgica inglesa, que floresceu pela primeira vez no período Tudor.

Um manuscrito proveniente da Bodleian Library em Oxford, intitulado ”Practica phisicalia magistri johannis de Burgundia’‘, é o nosso maior guia à respeito da medicina no período Tudor. Este manuscrito consiste em receitas ordenadas segundo doenças em diferentes partes do corpo humano, ela inicia-se pelas ”aflições na cabeça” e termina ”nas aflições dos pés”.
A importância deste documento, não consiste em seu conteúdo, e sim a maneira na qual é resumido os conhecimentos médicos da Inglaterra Medieval.

Considerando a educação humanista que caracterizou grande parte dos soberanos Tudor, de modo geral, eles não influíram muito ou diretamente na vida científica, com exceção de Henrique VIII.

Henrique foi conhecido por ser hipocondríaco, e por este motivo, interessou-se bastante por questões médicas, gostava de preparar remédios e unguentos e até planejou uma obra de farmacologia em parceria com seu médico Sir William Butts.

A medicina no período Tudor, representou considerável progresso comparada a medicina medieval na Inglaterra. Os enfermos que antes buscavam vizinhos com ervas ou curandeiros, passaram a tratarem-se com médicos mais entendidos do assunto, embora em casos de feridas, ainda apelassem para o serviço de pessoas leigas.

Frequentemente tais práticos não qualificados eram aventureiros, pessoas baseadas em métodos puramente empíricos e altamente associados a superstições, os efeitos de cura algumas vezes eram agradáveis, exercendo quase uma cura ligada ao placebo, mas na maioria das vezes, não possuía efeito algum.

Existiam três profissões que estavam credenciadas ao exercício da medicina no período Tudor,
elas eram:

*Físicos: Denominação do médico que recebia seu ensino em uma universidade.  O ensino nas universidades eram basicamente teóricos e fundamentavam-se nas obras de autores clássicos da medicina.

*Cirurgiões
(Master Surgeons): Grau inferior ao de um físico, os verdadeiros cirurgiões. Eram os verdadeiramente aptos a praticarem cirurgias.

*Barbeiros: Os mais baixos da escala. Sua aprendizagem, era em geral, no momento em que serviam como auxiliares dos médicos militares em campanhas militares.

CONTINUA…

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FONTES:

Actas ciba – a medicina no período Tudor.

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2 comentários Adicione o seu

  1. Rayssa disse:

    Estou muito feliz com essa nova “saga”.

    1. tudorbrasil disse:

      Que bom Rayssa, então prepare-se pois esta é apenas a primeira de muitas outras sagas!hehehehe…

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