Maria I – Parte III: De bastarda a rainha

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Um novo casamento para o Rei é arranjado, desta vez, sua quarta esposa seria uma princesa alemã, Ana de Cleves e apesar de seu pai e irmãos serem luteranos e fazerem parte da liga protestante, Ana por sua vez era católica, tal como sua mãe e irmã. Este casamento foi arranjado por Thomas Cromwell, o todo poderoso primeiro ministro e braço direito de Henrique VIII. O casamento aconteceu em 6 de janeiro de 1540 e foi pior do que imaginavam. O rei não gostava de sua esposa e a pobre rainha via-se isolada em uma corte estrangeira, a união política entre a Inglaterra e a liga protestante também não iam bem. Quem acabou pagando o preço foi Cromwell, que ascendera tão rápido e tão alto que acabou sendo rodeado por inimigos, foi executado em 28 de julho do mesmo ano, dia em que o rei casava-se pela quinta vez. Ana de Cleves pode não ter conquistado o rei e tão pouco a corte inglesa, mas conquistou profundamente suas enteadas, Maria e Elizabeth, elas tornaram-se amigas intimas, Maria sempre honrou esta amizade, convidando Ana junto de sua irmã para entrar em Londres juntas ao seu lado em sua proclamação como Rainha.

marywhitehallConforme dito anteriormente, o rei casou-se pela quinta vez, em 28 de julho de 1540 com Catarina Howard, prima em primeiro grau de Ana Bolena e antiga dama de companhia da Ana de Cleves (novamente, tudo se repete). Catarina representava a facção dos Howard, conservadora e católica o que tornou-a um alvo em potencial. Em pouco mais de um ano de casamento, Catarina foi presa e executada por traição, acusada de trair o Rei com Thomas Culpeper. Apesar de Catarina e Maria não se darem bem no início do reinado, após algum tempo, ambas começaram a conviver melhor. Podemos lembrar do episódio de Margaret Pole, amiga e antiga tutora de Maria que foi levada à torre. Maria pediu a rainha que tivesse piedade da senhora Pole já em idade avançada, e que enviasse algumas roupas quentes, o que Catarina prontamente fez. A execução de Catarina teve um fortíssimo impacto em Elizabeth, irmã de Maria, que jurou nunca casar-se após este trágico evento.

Novamente entre este período até o sexto casamento do rei, Maria voltou a organizar a Corte  e tornar-se a mulher mais importante do reino naquele período. A sexta e última esposa de Henrique foi sem duvida uma mulher incrível que deixou um legado para o filhos do rei. Catarina tornou-se rainha em 1543, e desde o começo tratou de restabelecer as ligações de pai e filhas e tornar-se uma mãe para o jovem príncipe Eduardo. A rainha era abertamente protestante e não perdia oportunidade de deixar isto claro, organizando salões para discutir obras religiosas e a reforma, supervisionando a educação do príncipe e de lady Elizabeth, além de publicar obras como a notória ”lamentações de uma alma pecadora” na qual deixa evidente sua posição à favor da reforma, esta inclusive, é a primeira publicação feminina em solo inglês. Ainda assim Maria e Catarina davam-se perfeitamente bem, eram companheiras, amigas, e por um período toda família real viveu junta, tudo orquestrado pela rainha que sempre buscou a união da família Tudor. Catarina foi imprescindível para que o rei restabelecesse suas filhas bastardas na linha de sucessão ao trono. Neste período, Maria, Elizabeth e Eduardo eram irmãos com uma boa relação, trocavam presentes e cartas o tempo todo, sempre procurando saber como estavam.

Com a morte do Rei Henrique em 1547, Catarina torna-se Rainha viúva, o jovem príncipe Eduardo é coroado rei com seu tio via linha materna, Eduardo Seymour de Protetor do reino, já que o rei Eduardo VI era um infante na época de sua coroação. Maria continua vivendo em sua própria residência e Elizabeth passa a viver com Catarina Parr. Ambas filhas do rei receberam de herança terras e casas reais, o que as obrigou a aprender a administrar seus bens, isso valeria muito para o período de seus reinados. Catarina Parr casou-se com o outro tio do jovem rei, Thomas Seymour, pouco tempo depois da morte de Henrique, o que casou certo desconforto na relação de Catarina e Maria, mas nada que fosse duradouro. Tanto é, que a única filha que Catarina teve foi chamada de Maria Seymour, como homenagem a filha de Catarina de Aragão. Já o novo rei, Eduardo VI era um ferrenho protestante e em seu breve reinado a reforma religiosa deu-se mais fortemente do que no período de seu pai, levando o anglicanismo a um maior flerte com o calvinismo e luteranismo. Maria foi de forte posicionamento, já que continuava católica fervorosa, desafiando o conselho  e o Rei, ameaçando que se não fosse respeitada, chamaria o apoio de seu primo Habsburgo, Carlos V Sacro Imperador Romano. A relação entre irmãos ficou cada vez mais fria, pois o rei sentia-se desrespeitado,enquanto que a princesa acreditava que o conselho do rei, o fazia a cabeça.

A sucessão do rei Eduardo VI, excluindo suas irmãs do trono inglês.
A sucessão do rei Eduardo VI, excluindo suas irmãs do trono inglês.

Em 1553 após cair doente, era evidente que o jovem rei Eduardo não resistiria e acabaria morrendo moço e sem herdeiros, desta forma, de acordo com o testamento de Henrique VIII, Maria, mesmo sendo bastarda, herdaria o trono Inglês e caso ela morresse sem herdeiros, Elizabeth herdaria o trono. Entretanto, John Dudley, Duque de Nothumberland, chefe do conselho real e protetor do reino (os tios do rei Eduardo e Thomas foram executados por alta traição) não deixaria isto acontecer. Desta maneira, um plano foi arquitetado para dar a entender que o jovem rei, a beira da morte nomeou como sucessora sua prima (sobrinha-neta de Henrique VIII)  Jane Grey, uma jovem tão protestante quanto ele. A ideia de John Dudley era fácil, acreditava que colocando a prima do rei, e sua nora(Jane era casada com Guilford Dudley, filho de John) no trono, facilitaria seu comando no reino. Entretanto, Maria estava pronta para lutar pelo seu direito de ser rainha da Inglaterra.

Maria saiu de Hudson, fugindo para Kenninghall, na área de Norfolk, onde possuía grande apoio e lá declarou-se rainha. Enquanto Maria ganhava cada vez mais apoio, Dudley perdia, e a oposição a ele dentro do conselho, era liderada pelos Condes de Arundel e Pembroke, ambos lideraram também a proclamação da rainha Maria dentro do conselho. Em 19 de julho de 1553, Maria era proclamada como rainha reinante da Inglaterra. Em 5 de agosto Maria entrava triunfante como monarca inglesa. Por muito tempo mulheres eram impossibilitadas de reinar plenamente na Inglaterra devido seu sexo. Foi assim com Matilda, séculos antes de Maria triunfar nesta posição. Muitas lutas iriam aparecer, muitos desafios que Maria, a primeira mulher inglesa a reinar, ainda iria enfrentar.

Todo o árduo trabalho que seu pai, Henrique VIII, teve para impedir uma sucessão feminina havia ido por água abaixo com a morte prematura de Eduardo VI. Agora era a vez de Maria provar que tinha condições de governar a Inglaterra com pulso forte.

CONTINUA…

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1 comentário Adicione o seu

  1. Helena Gouveia disse:

    “A sexta e última esposa de Henrique foi sem duvida uma mulher incrível que deixou um legado para o filhos do rei. Catarina tornou-se rainha em 1543”

    Aqui vc não mencionou Catarina Parr, me deixou um pouco confusa.
    Enfim, estou adorando essa história da Maria,vc tem algum livro para recomendar em português sobre ela?

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