A vida de Maria I – Parte II: De princesa a bastarda, 1534-1540

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De bastarda à filha do Rei:

Apesar do casamento secreto do Rei com a marquesa juntamente com sua coroação em junho de 1533, Maria ainda possuía seu titulo e sua pequena corte. Esta foi uma jogada do secretário de Henrique, Thomas Cromwell, visto que, caso Ana perdesse o bebê, o Rei ainda possuiria um herdeiro. Além do mais, praticamente todos contavam com o nascimento de um menino, um príncipe. Se isso tivesse ocorrido, não haveria questionamento em torno do novo matrimônio e nada que Maria ou Catarina pudessem fazer.

No dia 7 de setembro de 1533 nasce então o tão desejado herdeiro, porém este, não era um príncipe e sim, uma princesa, Elizabeth. Uma bela ruiva e saudável menina, ou seja, mais uma princesa e nenhum príncipe para o desesperado Rei. A facção Aragonesa encarava como uma vitória e um explicito castigo, por parte de Deus ao Rei, que havia separado-se da Igreja de Roma, declarado-se supremo mestre da igreja Inglesa e casando-se com sua ”concubina”.

SuburbanbeatnikMaria manteve-se como herdeira do trono até 1534, pois, neste ano Henrique assinou o Ato de supremacia e sucessão, que transformava Maria legalmente em bastarda e os únicos herdeiros legítimos seriam os filhos do segundo casamento dele com a Rainha Ana Bolena. Neste momento o tormento de Maria tornou-se ainda mais concreto, além de não poder ver sua mãe, a esta altura exilada, ela ainda perdeu sua corte, seus leais amigos e serviçais e seu titulo de princesa herdeira. Para aumentar sua humilhação, Henrique obriga Maria a servir sua irmã, como dama de companhia, sob os olhares de Anne Shelton, tia de sua inimiga, Rainha Ana. Só podemos imaginar os pensamentos de Maria neste momento, abandonada e temendo por sua vida.

Ainda assim, não foi apenas a vida da princesa Maria que fora afetada pelo nascimento da princesa Elizabeth. A própria rainha também foi. Aos olhos da corte, e do mundo, Ana falhou com seu dever de prover a Inglaterra com um príncipe. Neste momento a Inglaterra tinha um rei, duas rainhas e duas princesas. Maria era vista por muitos, como legitima herdeira e Catarina como legitima rainha, ambas reconheciam-se como tal, enquanto Ana, fazia o possível para se manter-se intacta na atual posição que ocupava, possuindo o rei como seu leal marido e defensor.

Ana tentou ser amigável com a enteada, prometendo que a ajudaria a restabelecer relações com o rei, desde que Maria a aceitasse como rainha. Obviamente que a resposta foi negativa, Maria disse não poder reconhece-la de tal forma, já que a rainha da Inglaterra era sua mãe, Catarina. Mas que, caso a amante do Rei quisesse a ajudar, ela seria muito grata. Ana ficou furiosa, ainda mais paranoica à respeito de sua posição. De acordo com Chapuys, o embaixador imperial, Ana começaria a perseguir Maria de todas as formas.

Os anos foram então passando, o Rei, distanciava-se cada vez mais de Ana, transformando os temores de sua então esposa, cada vez mais reais. Ana não era princesa, era uma mulher comum que subira alto e rápido demais, seu medo era concreto. Se o rei abandonou sua esposa que esteve a seu lado por 20 anos, o que faria com ela, que ainda estava cercada de inimigos?

Em janeiro de 1536, uma nova luz apareceu no fim do túnel para Ana, ela engravidou. O Rei novamente esperançoso, recebeu a notícia da morte de Catarina. Há celebrações na corte, ambos vestindo amarelo, e o rei orgulhosamente mostrava sua filha, a princesa Elizabeth. Maria recebeu a noticia de que sua adorada mãe havia morrido, ambas sem se verem a anos. Neste momento Ana tenta novamente uma reaproximação com a enteada, que também falha, devido a negação de Maria.

Neste mesmo mês, Ana sofre um aborto do que parecia ser um menino. Henrique, que já não possuía mais o ”empecilho” de Catarina em seu caminho, resolve então, livrar-se de sua segunda esposa. A esta altura, os perigosos olhos do Rei já haviam-se voltado para outra mulher…A escolhida? Jane Seymour, dama de companhia de Ana Bolena. Ana sofreu uma queda tão grande quando sua ascensão, e foi executada em Maio de 1536 por alegações de traição e incesto, todas provavelmente forjadas, até mesmo Chapuys, seu inimigo ferrenho, duvidava que ela tenha cometido tais crimes.

Quando estava presa na torre, Ana pediu para a Lady Kingston, que se ajoelhasse na frente de Lady Maria e pedisse perdão, por tudo o que ela tivesse feito.

GW355H512Após a morte de Ana Bolena, Maria deve ter imaginado que sua situação seria revertida e tudo iria voltar a que um dia fora. Afinal, Henrique havia sido influenciado pela ”bruxa”, mas agora ela estava morta, entretanto, desde sua ilegitimação, este deve ter sido o momento mais frustrante e quem sabe, traumático da vida de Maria, pois, ficou claro que Henrique continuaria tratando suas filhas da pior forma possível e no caso de sua primogênita a origem dos maus tratos estaria no fato de que Maria não havia reconhecido o pai como autoridade maior da Igreja Inglesa e tão pouco sua ilegitimidade. Ana Bolena poderia estar morta, mas a obstinação de Henrique para dobrar sua orgulhosa filha, não.

Em junho de 1536 um pequeno conselho foi enviado a residência de Maria, pedindo para que ela reconhecesse sua posição. A resposta foi a mesma dos anos anteriores, negativa em virtude de sua consciência. Maria, fora então ameaça ouvindo que: poderia ser punida por traição, ou até mesmo com violentas alegorias, como ”ter sua cabeça batida contra parede até tornar-se tão macia quanto uma maçã cozida”.

Chapuys já indicava a Maria que a nova esposa do rei, Jane Seymour, era sua simpatizante e que estava disposta a recolocá-la na linha sucessória, mas que Maria só voltaria as graças de seu pai (salva de quaisquer risco de ser presa ou executada) caso reconhecesse o casamento de seus pais como ilegal, tal qual seu status anterior e seu pai como supremo chefe da Igreja. No mesmo mês, temendo por sua vida, Maria reconhece sua ilegitimidade e nega a autoridade do papa na Inglaterra.

Henrique finalmente ”dobrou” sua filha, e agora, ela estava pronta para voltar à Corte como sua ”pérola”. Maria logo encontra em Jane, uma boa amiga, que lhe dá muitos presentes.

Enquanto Maria retorna as graças de seu pai, Elizabeth é quem agora paga a conta por ser filha de sua mãe, Maria enviou somas consideráveis de dinheiro para que fossem compradas roupas novas para sua irmã.

Quando Jane Seymour finalmente da à luz a um belo e saudável bebê, Príncipe Eduardo em 12 de outubro de 1537, Maria é escolhida como madrinha e Jane convida a pequena renegada Elizabeth para as festividades e para o batismo do caçula do rei. Jane infelizmente não resistiu aos perigos do parto no século XVI e morreu 12 dias depois dar à luz. Deixando um rei desolado, um filho órfão de mãe e uma amiga novamente frustrada com a dor da perda. Jane não teve tempo para mostrar se era apenas uma ”simples” mulher ou se era tão esperto ou astuta quanto suas predecessoras, sabendo jogar tão bem ou melhor o jogo de Henrique. O que podemos afirmar, é que sua amizade com Maria, de fato, parece ter sido verdadeira e afetuosa e ao mesmo tempo, um simbólico e importante passo político.

GW279H357Após a morte de Jane, o rei entrou em luto por cerca de 3 anos, tempo este que Maria assumiu o papel de mais importante dama da corte, ainda que bastarda, nenhuma mulher naquele período, possuía mais valor que Maria na Inglaterra. Maria organizou festividades, assumiu o papel que era relegado as consortes inglesas, sempre com a esperança de um possível casamento bem arranjado, com uma novidade que apontava para essa direção.

Em 1539 a corte inglesa recebe a ilustre visita de Philip, duque da Bavaria, um belo e jovem duque que fazia parte da liga de príncipes protestantes, que chega à Corte com a esperança de desposar a filha mais velha do rei. Ao que tudo indica ambos ficaram encantados um pelo outro e Philip realmente encontrou-se afeiçoado por Maria, levando a Corte a acreditar que em breve teriam um belo casamento, entretanto, nada aconteceu. Henrique decidiu não casar sua filha com o Duque, que voltou para sua terra entristecido, deixando uma Maria desolada…

Fontes:

Artigo escrito por Jéssica Rose.


					
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2 comentários Adicione o seu

  1. Helena Gouveia disse:

    Cruzes, tadinha da Maria, me simpatizei com ela :). Parece ter sido uma menina muito forte, assim como sua mãe. E que pai escroto ela teve jesus x_X.

    Ah, achei uma gafe no post:
    “A escolhida!? Jane Seymour, dama de companhia da rainha, que sofreu uma queda tão grande quando sua ascensão, e foi executada em Maio de 1536 por alegações de traição, incesto e bruxaria, todas provavelmente forjadas, até mesmo Chapuys, inimigo ferrenho de Ana, duvidava que ela tenha cometido tais crimes.”

    É um erro gramatical, pois na parte que você escreveu “A escolhida!? Jane Seymour, dama de companhia da rainha, que sofreu uma queda tão grande quando sua ascensão, e foi executada em Maio de 1536” soa como se Jane Seymour tivesse sido executada em Maio de 1536, mas foi a Ana Bolena.

    Adorei o post, sensacional! Abcs!

    1. Tudor Brasil disse:

      Tem razão soou estranho mesmo. Obrigada por avisar, a vezes acabamos não notando certas pontuações, que podem deixar o texto desconexo. Corrigido! 😉

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