Elizabeth I Parte III: Adolescência

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A rainha viúva casou-se novamente logo após a morte do rei, o escolhido? Seu antigo pretendente, o Lord Almirante, Thomas Seymour, irmão de Jane Seymour, tio do Rei e Lord Protetor da Inglaterra. Elizabeth, com seus servos, foi morar com a rainha e seu novo marido, porém, o que ambas ainda não poderiam imaginar, era que uma nova Era de problemas começaria à partir dai. Thomas Seymour, era um bon vivant, arrojado em seus trinta e tantos anos, descobriu um novo e doentio affair, o com sua própria enteada, a jovem Lady Elizabeth, agora com 14 anos. Thomas era carismático e encantador, e é possível que Elizabeth tenha desenvolvido uma certa paixão adolescente por ele. Mas Seymour soube trabalhar sobre estes sentimentos adolescentes, aproveitando-se deles. Thomas passou a visitar os aposentos de Elizabeth logo no início da manhã, para brincar com ela em sua cama. Em outras ocasiões, eles brincavam no jardim, certa vez, Seymour chegou a arrancar seu vestido negro de luto pela morte de seu pai.

O que exatamente aconteceu entre a jovem Elizabeth e Seymour, sempre será um mistério. Os documentos que possuímos sobre este período em que Elizabeth passou com Catarina, vem de registros posteriores, momento em que ocorreu uma investigação sobre as relações de Seymour e Elizabeth, assim como com outras crianças Reais. O que podemos concluir, era que o interesse descaradamente sexual de Seymour em Elizabeth, não deixou nem ela, Parr ou até Kat Ashley confortáveis com seu comportamento. O assunto veio a público, quando Elizabeth foi supostamente encontrada à sós com o Almirante, e Catarina preocupada e com um possível ciúme da atenção de seu marido em sua enteada, pensou que seria melhor para todos, que a jovem deixasse sua casa. O distanciamento parece não ter afetado o relacionamento das duas, afinal, Elizabeth escreveu muitas vezes para a Rainha, que já estava grávida. Ela logo deu à luz uma filha, que recebeu o nome de Maria, mas Parr, não sobreviveria ao parto…

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Catarina Parr.

Deixar a casa de Catarina, não foi exatamente o fim dos problemas de Elizabeth com o Almirante. Logo após a morte de sua esposa, Seymour começou pedir a mão de Elizabeth em casamento, ela, recusou. Seymour estava profundamente enciumado com a influência de seu irmão no país e com o jovem Rei, ele planejou um golpe para obter mais poder. Seu plano era, raptar o rei, casá-lo com Lady Jane Grey e por fim casar-se com Elizabeth. Obviamente, seus planos fracassaram, e ele foi preso por traição. Era alta traição um herdeiro do trono casar-se sem o consentimento do atual monarca reinante do Conselho Privado e do Parlamento, e Elizabeth estaria em maus lençóis seu alguém achasse que ela, de alguma forma, foi cúmplice nos planos conjugais de Thomas. Seus funcionários foram presos e enviados para a Torre, e ela mesma implicou-se com a situação, foi submetida a um rigoroso interrogatório sobre suas relações com Thomas e com Sir Robert Tyrwhit.

Naquele momento, Elizabeth tinha apenas quinze anos de idade, porém, uma pisada em falso, uma palavra descuidado, poderiam ter selado seu destino e o de todos aqueles que lhe eram caros. Embora seja difícil acreditar que a morte de Elizabeth fosse neste momento interessante para o governo, afinal, o objetivo naquele momento, era de fato, a execução de Thomas. Deve ter sido extremamente difícil e assustador estar na pele de Elizabeth que naquele momento, contava com pouquíssima assistência para conseguir provar sua inocência. O almirante, no entanto, foi considerado culpado de alta traição e condenado à morte. O efeito de tudo isso em Elizabeth deve ter sido imenso. O resultado de todo este stress e perda cobraram um preço na jovem Elizabeth, que ficou doente meses depois. No entanto, além de prejudicar a sua saúde, os fatos passado cobraram muito de sua reputação, algo que sempre foi de extrema importância para Elizabeth. Ela sempre foi muito sensível sobre o que as pessoas pensavam dela, e queria que boatos como sua suposta gravidez de Thomas fossem suprimidos. Ela chegou a escrever para seu Lord Protetor pedindo que fizesse uma proclamação alegando que os boatos eram todos falsos. Mas, embora este apelo tenha sido considerado, nada foi feito. Durante as muitas investigações sobre seu suposto envolvimento com Thomas, Elizabeth foi dolorosamente afastada de sua governanta e das pessoas que amava.

Nestes anos duros e difíceis, o relacionamento de Elizabeth com seu irmão sofreu as consequências. Eles não eram mais tão chegados quanto um dia haviam sido e durante e após o escândalo de Seymour, ela foi proibida de ir à Corte. Algum tempo depois, ela finalmente foi autorizada a regressar à corte. Para restaurar uma possível imagem virginal, Elizabeth vestiu-se como uma perfeita senhora protestante. Ela trajava simples vestidos em preto e branco, recusou-se a enfeitar-se com jóias e adornos ou maquiagem. Sua sobriedade foi muito comentada, e até mesmo seu irmão chamou-a de ”querida irmã temperança”.

Thomas Seymour.
Thomas Seymour.

Após a desgraça e morte de seu irmão, Thomas, Eduardo Seymour foi substituído como Lord Protetor por John Dudley, Conde de Warwick, que em breve será o Duque de Northumberland. Ele era o pai do amigo de infância de Elizabeth, Robert Dudley, e eles podem ter visto um ao outro várias vezes durante o governo do Duque. O jovem Rei Eduardo, havia desfrutado de uma infância bastante saudável, mas a partir de 1553 em diante, o rei começou a mostrar sinais de uma saúde fragilizada. Tornou-se claro para Northumberland que o menino não sobreviveria a idade adulta, sendo assim, ele teve que fazer os preparativos para a sucessão. O herdeiro por direito do trono Inglês era a irmã mais velha de Eduardo, Maria, porém ela era uma católica devota, e sua adesão, sem dúvidas, colocaria fim a reforma da igreja, e o poder pessoal de Northumberland.

Para evitar uma sucessão católica, Northumberland concebeu um esquema que tanto preservaria o protestantismo, quanto sua própria influência. Se Maria e Elizabeth fossem excluídas da sucessão, em seguida, a coroa cairia sobre os Stuarts através da irmã mãos velha de Henrique, Margarida, ou a linha de Suffolk através de sua irmã mais nova, Maria. Henrique VIII tinha excluído as reivindicações da linha sucessória dos Stuart, sendo assim, a coroa cairia diretamente sobre Francis, duquesa de Suffolk. Maria e Elizabeth novamente tornaram-se bastardas e excluídas da sucessão. Francis aceitou dar o trono para sua filha Lady Jane Grey. Northumberland havia casado seu filho mais novo Guildford Dudley, com Jane, garantindo, assim, a influência dos Dudleys no trono inglês. Três dias depois Eduardo morreu, em 06 de julho de 1553 e Lady Jane Grey foi proclamada rainha. O golpe, no entanto, falhou. Maria juntou-se a uma rebelião reivindicando seu direito ao trono inglês. A luta foi forte e bem-sucedida, ela reconquistou seu trono e foi proclamada Rainha no dia 19 de julho, em Londres. Cinco dias depois, Northumberland foi preso e depois executado.

CONTINUA…

FONTES:

elizabethi.org: AQUI.

Affair entre a jovem Lady Elizabeth e Thomas Seymour retratado no filme Young Bess de 1953.
Affair entre a jovem Lady Elizabeth e Thomas Seymour retratado no filme Young Bess de 1953.
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