A relação Elizabeth I com sua mãe Ana Bolena – Parte I.

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Geneviève Bujold e Amanda Jane Smythe no papel de Ana Bolena e a jovem Elizabeth no filme Ana dos Mil Dias.

É costume afirmar que não sabe-se como a Rainha Elizabeth I sentia-se a respeito de sua mãe, Ana Bolena. É ainda amplamente mencionado, que registros dizem que a soberana falou de sua mãe apenas duas vezes em toda a sua vida. No entanto, temos que levar em conta que quando Ana Bolena foi executada, sua filha Elizabeth possuía apenas dois anos e 8 meses de idade.

Deste modo, é pertinente levantarmos o questionamento sobre como Elizabeth I sentia-se a respeito de sua mãe, ou qual opinião tinha sobre ela. Além disto, devemos examinar como a monarca administrou seus sentimentos sobre seu pai, uma vez que este, havia mandado executá-la.

Utilizando uma surpreendente gama de evidências contemporâneas e conjectura baseada em fatos do período, chegamos à algumas descobertas bastante interessantes.
O que foi descoberto, poderá ser lido à seguir nesta série de 3 artigos postados aqui na página.

A Rainha Ana e sua filha:
A pequenina Elizabeth Tudor, passou pouco tempo na presença de sua mãe. Como era costume entre as famílias Reais do século XVI, Elizabeth foi amamentada por uma ama de leite e raramente viu sua mãe. Ainda assim, Ana Bolena e Henrique VIII visitavam sua filha sempre que suas rígidas agendas permitiam, e Ana manteve uma fervorosa correspondência com aqueles a quem havia confiado os cuidados de Elizabeth. Uma vez que muitos dos registros pessoais da rainha Ana Bolena sobreviveram, sabemos que ela teve um grande cuidado planejando o guarda-roupa de sua filha, selecionando pessoalmente os tecidos e cortes para a jovem. Se Ana e Elizabeth tivessem tido mais tempo juntas, estas duas mulheres de temperamentos fortes, sem dúvida nutririam uma estreita ligação.

Apesar do fato de Henrique VIII ter feito o possível para desposar sua outrora amante, Ana Bolena, a realidade é que em seu terceiro ano de casamento, sua paixão por ela foi rápida e assustadoramente desaparecendo. As qualidades que Henrique VIII apreciava em Ana no início de seu relacionamento, passaram a irritá-lo com o passar do tempo. A Rainha Ana havia sido informada que o conselho Real de seu marido, questionou membros de sua própria família, e o cancelamento para a viagem em casal rumo à Calais era iminente. Ana decidiu então confrontar o marido sobre os rumores de que ele estava descontente com ela. Ela devia sentir que seu tempo estava esgotando-se e pediu ao marido em nome de sua filha. O reformador religioso Alesius, estava presente na trágica ocasião, no domingo, 30 de abril, e mais tarde re-contou a curiosa história para Elizabeth I, dizendo:

“Ai de mim, eu nunca vou esquecer a tristeza que senti quando vi a piedosa Rainha, sua mais religiosa mãe, levando-lhe ainda bebê em seus braços e rogando ao Rei, seu mais sereno pai, no Palácio de Greenwich, com a janela aberta na qual ele estava olhando para o pátio, e entregou-lhe a ele. As faces e gestos dele, mostravam claramente que (o rei) estava com raiva. ” (citado por Denny)

Antes de Ana ser aprisionada na Torre, ela cuidou do bem-estar de sua filha. Apenas quatro dias antes da agora infame Justa do primeiro dia de Maio, Ana confiou ao capelão da família Bolena, Matthew Parker, o bem-estar espiritual de sua filha. Matthew Parker cumpriria este dever e como gratidão, Elizabeth recompensou-o por sua lealdade à ela e sua mãe, tornando-o Arcebispo de Canterbury. (Weir, Alison)

Parker guardou muitas cartas e documentos de Ana e sua família antes de sua queda; é mais provável que ele os tenha (os documentos e cartas) confiado à Rainha Elizabeth algum tempo depois, em 1558. Estes documentos, provavelmente, ajudariam muito Elizabeth a compreender e conhecer um pouco mais de sua mãe, que mal havia conhecido. Outro amigo da família Bolena, Thomas Cranmer, escreveu uma longa carta ao rei Henrique VIII em nome de Ana, na esperança de que ele lhe desse algum tempo. Ainda assim, as palavras de Cranmer na carta estão fortemente guardadas, pois ele sabia melhor que ninguém, ir contra a justiça do Rei. Após isto, foi nomeada a Cranmer, a tarefa de assegurar a anulação do matrimônio do Rei com a Rainha, Ana morreria então, executada sob acusação de adultério (Denny, Joan).

Há evidências de que Ana pudesse ter sido levada à acreditar – pelo menos por um curto período de tempo – de que ela e sua filha seriam autorizadas a ir para exílio em algum país protestante no Continente, com a condição de que jamais retornasse à Inglaterra. Cranmer provavelmente alimentou informações falsas para Ana, na tentativa de levá-la a cooperar com a anulação. O guarda da Torre, Mestre Kingston, informou após a reunião de Cranmer com Ana, “Este dia no jantar, a rainha disse que deveria ir para um convento, na esperança de viver” (Weir, Alison). Mas como sabemos, isso não iria acontecer…

Após a queda de Ana Bolena:

Após a execução de Ana, a Corte estava consumada com as calúnias contra ela, e tendo em conta os crimes pelos quais ela havia condenada, questões relativas à paternidade de sua filha estavam circulando. Lady Margaret Bryan, dama de companhia e Kat Champernowne, governanta de Elizabeth, sem dúvidas a protegeram o melhor que puderam com o que havia acontecido, levando em conta sua tenra idade.

Margaret Bourchier, Lady Bryan (meia-irmã de Elizabeth Howard, mãe de Ana Bolena) e Katherine Champernowne, foram recrutadas por Ana para cuidar de Elizabeth. As mulheres cuidaram da jovem, da melhor forma que podiam, dado a falta de interesse do Rei com os cuidados e educação de sua filha.

Champernowne tornou-se um tipo de figura materna para Elizabeth, cuidando e servindo a futura Rainha até o dia em que morreria, no ano de 1565; podemos supor que tudo o que Champernowne achava de Ana Bolena, ela teria compartilhado, seja propositadamente ou inadvertidamente com Elizabeth, apesar de Henrique VIII ter proibido qualquer um de comentar com Elizabeth sobre sua mãe.

Não sabe-se quando ou como Elizabeth descobriu que sua mãe havia sido executada por ordem de seu pai, mas sabemos que ela reconheceu a mudança em seu status pelo modo como as pessoas dirigiam-se à ela. Logo após a morte de sua mãe, Elizabeth comentou: ”Como pode ontem chamarem-me de Lady Princess e hoje de Lady Elizabeth?”

Alison Weir conjectura que Elizabeth provavelmente descobriu o que realmente aconteceu com sua mãe ao longo do tempo, tendo inicialmente, por ser criança, apenas escutado uma versão simplificada dos fatos, e conforme foi crescendo, alguns contavam-lhe meias verdades quando questionava a versão que lhe fora passada. Esperamos que ela não tenha descoberto a natureza da morte de sua mãe, quando hospedou-se em Hunsdon House com sua meio-irmã, Lady Maria Tudor; Lady Kingston visitou Lady Mary em 26 de maio de 1536, provavelmente para dar-lhe um relato em primeira mão da morte de Ana.

No entanto, descobrir, a “crescente incidência de seu status de bastarda, deve ter causado o surgimento de angústias, inseguranças duradouras, e certamente afetado seu desenvolvimento emocional”. – Alison Weir.

A maioria dos historiadores concordam que a morte de sua mãe pelas mãos de seu pai, juntamente com os outros destinos trágicos de mulheres de sua família nas mãos de homens, foi uma das principais razões que fizeram Elizabeth I resolver nunca se casar. Ao longo da vida, o favorito de Elizabeth, Robert Dudley, Conde de Leicester, recordaria mais tarde, sua amiga Elizabeth declarando aos 8 anos de idade a frase: ”Eu nunca vou me casar!”. A jovem Elizabeth havia experimentado um trauma induzido por sua família, e estava tentando a seu modo, proteger-se de tudo isso em uma idade jovem e vulnerável.

CONTINUA…

Natalie Dormer como Ana Bolena na série The Tudors.
Natalie Dormer como Ana Bolena na série The Tudors.

 

FONTES:
Being Bess: AQUI.

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