Febre Puerperal no Período Tudor

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Peste negra, pragas, doença do suor. Estas palavras remontam-nos a séculos de desespero, onde a morte era um companheiro que vivia lado a lado, apenas espreitando um momento de fraqueza.

No período Tudor as doenças e pragas eram mais comuns do que imaginamos. Elas atingiam inúmeras pessoas, assim como seus entes queridos. Mas quando nos aprofundamos nas doenças que as mulheres do século XVI sofriam, há uma morte que causava um especial e profundo temor entre elas: a febre puerperal, também conhecida como febre de parto e mais tarde, a Praga dos Médicos.

A medicina Medieval e Tudor era centrada tanto em torno da astrologia, quanto da crença comum de que a saúde e doença mantinham-se em equilíbrio ou desequilíbrio de quatro ”humores” de fluidos corporais: O sangue, a bílis negra, a bílis amarela e fleuma. Portanto, o degustar e aspirar de sangue ou urina, eram maneiras comuns para diagnosticar ou tratar doenças. Embora pareça absurdo nos dias de hoje, esse tipo de tratamento medicinal reinou por quase 2000 anos, desde os tempos greco-romanos. Segundo pesquisas, apenas 10-15% das pessoas do período Tudor chegavam ao seu quadragésimo aniversário. As causas mais comuns de doenças que levavam à morte? Geralmente a falta de saneamento básico.

Décadas antes da teoria dos germes ser implantada e validada no final do século XIX, o médico húngaro Ignác Semmelweis observou que as mulheres que davam à luz em casa, tinham uma menor incidência de febre puerperal do que aquelas que davam à luz em hospitais. Estatísticas mostram que, “entre 1831 e 1843 apenas 10 entre 10.000 mães morriam de febre puerperal quando davam à luz em casa, enquanto 600 entre as 10 mil morriam nas enfermarias de hospitais”. As mulheres mais ricas, que possuíam fácil acesso aos médicos, sofriam de febre puerperal com maior frequência do que as que utilizavam os serviços de parteiras.

Em 1795, Dr. Alexander Gordon escreveu: “É desagradável para mim declarar que o meu meio foi o responsável por levar esta infecção a um grande número de mulheres”. Embora atualmente esta não seja mais a realidade, a verdade é que os médicos do século XVI, transmitiam a doença para as mães por não desinfetarem as mãos e ferramentas entre um paciente e outro.

Esta doença era muitas vezes transmitida via germes de médicos ou parteiras que, infectavam as mães fazendo um parto após o outro sem a devida higienização de seus aparelhos. Elas eram infectadas na maioria das vezes com o que hoje é conhecido como estafilococos, que espalhavam-se no revestimento do útero. Semmelweis descobriu que a utilização de um anti-séptico antes da higienização dos aparelhos auxiliaria no parto e diminuiria a incidência da doença em pelo menos 90%, podendo atingir os 99%, mas os resultados foram profundamente rejeitados. As mulheres infectadas não tinham antibióticos para interromper os sintomas da doença uma vez que eles se iniciavam: febre, calafrios, sintomas gripais, fortes dores de cabeça, distensão do abdômen, e ocasionalmente a perda da sanidade, pouco antes da morte.

Conforme mencionado acima, este tipo de doença não fazia distinção de classes, podendo afetar tanto os ricos quanto os mais pobres, porém, devido ao maior auxílio médico para as classes superiores, o número de pessoas nobres, ricas ou da realeza que eram afetadas, consequentemente eram maiores. Em realidade, o medo da febre puerperal é frequentemente citado quando se discute a relutância de Elizabeth I em casar e ter filhos. Na era Tudor, Elizabeth de York, mãe de Henrique VIII, morreu de febre puerperal assim como as duas esposas de seu filho: Jane Seymour e Catarina Parr – embora esta última tenha sido no parto do filho de seu último marido, Thomas Seymour. A descrição da agonia no leito de morte de Parr, talvez tenha sido um dos registros mais arrepiantes do século, mais até do que muitas decapitações.

Apesar de Semmelweis ter sido chacota entre a comunidade de médicos por sua implicação de que eles próprios eram os transmissores da doença, a ciência e a medicina moderna prevaleceram. Hoje, no mundo desenvolvido, a incidência de doenças de parto diminuíram suas proporções para quase nulas. As mulheres não precisam mais temer que o próprio ato de levar a vida adiante, possa acabar por causar sua própria morte.

Vitimas Tudor da febre puerperal: Elizabeth de York, Jane Seymour, Catarina Parr.
Vitimas Tudor da febre puerperal: Elizabeth de York, Jane Seymour e Catarina Parr.

FONTES:

Sandra Byrd.com: AQUI.

Artigo original extraído dos seguintes registros:

The Doctors’ Plague: Germs, Childbed Fever, and the Strange Story of Ignac Semmelweis, Sherwin B Nuland, WW Norton, 2004

Oliver Wendell Homes: The Contagiousness of Puerperal Fever

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2 comentários Adicione o seu

  1. Vanessa disse:

    Que texto perfeito e que boas informações,este site está de parabéns, mais uma vez, por trazer conteúdo de muita relevância para nós que somos seguidores, amoooooo

    1. Tudor Brasil disse:

      Que bom que gostou Vanessa. Ficamos muito felizes! ❤
      A intenção é sempre essa, trazer cada vez mais conteúdo para os nossos leitores!:)

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