A Guerra das Rosas – Uma Visão Geral de suas Causas

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A Guerra dos Primos, mais amplamente conhecida como Guerra das Rosas, foi um conjunto de conflitos civis, ocorrido entre os anos de 1455 à 1487, encabeçando as duas ramificações familiares da Dinastia Plantageneta, os Lancasters e Yorks, a fim de conquistar o trono da Inglaterra. Ela recebeu tal alcunha, anos depois, supostamente segundo os emblemas das duas casas rivais, a rosa branca (York) e vermelha (Lancaster). Sua última batalha foi travada no campo de Bosworth, onde o representante Lancaster, Henrique Tudor, venceu o monarca Yorkista, Ricardo III, tornando-se mais tarde o então, Henrique VII, fundador da celebrada Dinastia Tudor.

Neste artigo, temos a intenção de apontar de modo amplo, as causas gerais, que culminaram em tal famoso conflito da história inglesa. Confiram:

Motivo 1 – Efeitos da Guerra dos Cem Anos (Guerra francesa):
Os ingleses haviam acabado de sofrer sua derrota final na Guerra dos Cem Anos: Maine foi entregue em 1448, a Normandia foi perdida em 1450 e finalmente Bordeaux, em 1453. Eles lutaram por cerca de cem anos, ocuparam a França durante cinco gerações, e finalmente perderam, causando uma grande perturbação para a população. Além disto, os proprietários que perderam suas suas terras francesas, obtiveram uma perda financeira considerável.

Motivo 2 – Problemas financeiros e mudanças sociais:
A Peste Negra – que chegou pela primeira vez na Inglaterra em 1348 – causou enormes perdas na população, que por sua vez causou uma escassez de força de trabalho para cuidar das lavouras. Isto fez com que a inflação agravasse os preços de mão-de-obra e de produtos agrícolas, e em anos de quebra de safra, acabara entrando em períodos de grave fome. Além disto, o número de mortos pela peste, causou uma grande mudança na ordem social; anteriormente, pequenos proprietários de terras poderiam enriquecer e continuar em ascensão. As guerras francesas também haviam comprometido em parte o tesouro real.

Motivo 3 – Terreno e Manutenção:
Desde a queda do feudalismo, o sistema de “Terreno e manutenção” significava que os grandes nobres do reino poderiam invocar senhores menores em seus domínios para vir em lutar ao seu lado, sob uma única bandeira. Estes, juntamente com os soldados de carreira, viraram mercenários após as campanhas francesas; isto significava que os nobres poderiam juntar grandes exércitos para si, tão ou mais facilmente que o rei. Quando lutar contra um inimigo comum durante um século já não era mais uma opção, talvez fosse apenas uma questão de tempo até que os grandes guerreiros começassem a lutar entre si.

Motivo 4 – Problema Dinástico:
Após a liderança do rei Henrique V, “a flor da cavalaria” e o “Espelho de todos os reis cristãos,” o fraco e plácido Henrique VI foi uma grande decepção. Somerset e Suffolk, favoritos do rei, eram quase universalmente odiados por seu poder excessivo e imprudente empunhando do mesmo. Muitos dos nobres, incluindo Ricardo de York – que havia sido substituído na França por Somerset – também guardava ressentimentos e rancores pessoais contra os ministros de Henrique, por desprezo e falta de favoritismos.

Suffolk suportou o peso da virada sobre as perdas na França (apesar de serem, em grande parte devido à incapacidade de Somerset). Ele foi caçado sob forjada acusação de traição e exilado pelo Parlamento. Finalmente, ele foi assassinado a bordo do navio que transportá-lo-ia para fora da Inglaterra. Henrique VI foi incapaz de efetuar um governo central forte, alienando muitos de seus senhores poderosos por seu apoio incondicional a Somerset. Henrique VI acabou perturbando ainda mais a população, que por sua vez, desejava que Somerset fosse embora, ao ignorar seu pedido para que ele também fosse exilado. Uma paz provisória existiu durante alguns anos (1450-1453), pois os nobres poderiam contentar-se com o fato de que Henrique VI deveria morrer sem um herdeiro. Eles tinham um forte sucessor, Ricardo, Duque de York. Somerset, e toda a linha dos Beaufort, tinham sido excluídos pelo parlamento, da sucessão de Henrique IV, em 1407.

Ricardo de York era a única pessoa que possuía uma legítima descendência masculina ininterrupta do rei Eduardo, um Plantageneta. Ele era, em realidade, herdeiro do soberano reinante, caso as reivindicações do sexo masculino ou feminino, fossem interrompidas.

O nascimento de um herdeiro em 1453, complicou os assuntos. Naquele momento, se o rei fosse morresse ou ficasse incapacitado, o reino cairia nas mãos de um jovem príncipe, provavelmente regido por Somerset. Em 1453, o rei Henrique VI, de fato, tornou-se incapacitado; ele sofria de graves perturbações mentais, beirando a imbecilidade. Ele sequer sabia que possuía um herdeiro. Deste modo, York assumiu como Lord Protetor, mas quando o rei recuperou sua sanidade, um ano depois, Somerset foi restaurado ao poder, e os Yorkistas foram expulsos. E assim, seguiu-se a primeira batalha na Guerra das Rosas: A Primeira Batalha de St. Albans, em 1455.

Fontes:
Artigo originalmente escrito por Anniina Jokinen para o site iluminarium.org.

yorktudorroses

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2 comentários Adicione o seu

  1. Rayssa disse:

    Muito bom!
    Estou tentando me atualizar, muitos artigos imperdíveis.

    1. tudorbrasil disse:

      Que bom que gostou Rayssa, senti sua falta por aqui! =)

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