A doença do suor no período Tudor

ImagemA doença do suor, conhecida no Brasil também como Sudor Anglicus, foi uma doença epidêmica, não conhecida na Inglaterra antes do período Tudor. Ela atraiu a atenção logo no início do reinado de Henrique VII. Tornou-se conhecida alguns dias após seu desembarque em Milford Haven, no dia 07 de agosto de 1485, também há evidências claras de que foi comentada antes da batalha de Bosworth, no dia 22 de agosto. Logo após a chegada de Henrique, em Londres, em 28 de agosto, a capital eclodiu com a enfermidade, causando um alto índice de mortalidade. Esta alarmante doença logo tornou-se conhecida como a doença do suor ou suor maligno. Foi considerada amplamente distinta de qualquer doença ou praga previamente conhecida na Inglaterra, não só pelo sintoma especial que lhe deu o nome, como também por sua rápida e fatal evolução.

Após 1485 até 1507, não ouviu-se mais falar da doença, até que um novo surto ocorreu. O segundo surto foi amplamente mais fatal que o primeiro e cessou como o primeiro. Nenhum sinal da doença foi vista novamente, até que em 1517 um terceiro e muito mais grave surto da epidemia ocorreu. Foi registrada em Oxford e Cambridge, bem como em outras cidades, onde em alguns casos, houve uma perda de até metade da população. Há evidências de que a doença tenha se espalhado para Calais e Antuérpia, porém, fora estes dois locais, ela ficou confinada apenas à Inglaterra.

Em 1558, ocorreu um quarto ciclo da doença, cada vez mais preocupante e severa. Primeiro apareceu em Londres e no final do mês de maio, rapidamente espalhou-se por toda a Inglaterra. Em Londres, a mortalidade foi tão alta, que a corte Tudor foi dissipada e Henrique VIII muitas vezes deixou a cidade por medo da doença. Esta epidemia então espalhou-se pelo continente, aparecendo de repente em Hamburgo e então espalhando-se tão rapidamente que em poucas semanas mais de mil pessoas já haviam morrido. Esta foi mais uma vez a terrível doença do suor, seguindo seu rápido curso destrutivo, durante o qual, causou uma temerosa mortalidade em toda a Europa oriental. França, Itália e os países do sul foram poupados. Espalhou-se de maneira semelhante a cólera, chegando à Suíça em dezembro, e em outros países do norte, como a Dinamarca, Suécia e Noruega. A leste afetou a Lituânia, Polônia e Rússia, e a oeste a Holanda, a menos que de fato a epidemia, que se declarou simultaneamente em Antuérpia e Amsterdam, na manhã do dia 27 de setembro, tenha vindo diretamente da Inglaterra. A doença disseminava caos e morte, e em cada lugar que passava, prevalecia durante um curto período de tempo, geralmente não mais que uma quinzena. Até o final daquele ano, ela já havia desaparecido quase que por completo, exceto no leste da Suíça, onde permaneceria pelo próximo ano. Enfim, o terrível ”suor inglês”, nunca mais apareceria novamente, pelo menos da mesma forma no Continente. A Inglaterra, no entanto, foi destinada a sofrer de mais um surto da doença em 1551, e no que diz respeito a isso, temos a grande vantagem de contar com os relatos de uma testemunha ocular, John Kaye ou Caius, um famoso médico.

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Sintomas:
Os sintomas descrito por Caius, diziam que a doença começava muito de repente, com um sentimento de apreensão, seguido de calafrios (por vezes muitas vezes violentos), tontura, dor de cabeça e fortes dores no pescoço, ombros e membros, com grande prostração. Após a fase do frio, que poderia durar de meia hora a três horas, seguia-se a fase de calor e transpiração. O característico suor, por sua vez eclodia de repente, sem nenhuma causa óbvia. Com o suor derramado, vinha uma nova sensação de calor, seguida de dor de cabeça, delírio, pulso rápido e sede intensa. Palpitações e dores no coração eram sintomas frequentes. Nenhuma erupção na pele foi observada; Caius não fez alusão nenhuma a tal sintoma. Nos estágios mais avançados, houve prostração geral, colapso, ou sonolência extrema, que acreditavam ser fatal, se o paciente cedesse. Como dito anteriormente, a doença foi notavelmente rápida em seu curso, sendo por vezes, até mesmo fatais em duas ou três horas, sendo que alguns pacientes morriam em menos tempo. Mas comumente, era prolongada a um período de 12 a 24 horas, sendo raro sobreviver após esse tempo. Aqueles que sobreviviam por 24 horas eram considerados fora de perigo.

A doença, ao contrário da peste, não foi especialmente fatal para apenas para os pobres, mas sim, como afirma Caius cita, atacou especialmente os mais ricos, bon vivants e pobres ociosos. “Os que possuíam a fatal doença do suor, ou eram homens de riqueza, conforto ou bem-estar, ou os mais pobres, pessoas ociosas, que bebiam cerveja e frequentavam a taverna.”.

Causas:
Alguns atribuíram a doença ao clima Inglês, sua umidade e suas brumas, aos hábitos destemperados do povo inglês, e à terrível falta de limpeza nas ruas e arredores das casas, que foi notada por Erasmus em uma passagem bem conhecida, e sobre o qual Caius é igualmente explícito. Mas temos de concluir que o clima, estação, e modo de vida não eram adequados, separadamente ou em conjunto, para produzir tal doença, embora cada um pudesse ter agido por vezes, como uma das causas predisponentes. A doença do suor, na verdade, para usar a linguagem moderna, foi uma doença infecciosa específica, no mesmo grau da peste, tifo, escarlatina ou malária.

SAIBA COMO ANA BOLENA SUPEROU A DOENÇA E MUITO MAIS, NO ARTIGO: ANA BOLENA E A DOENÇA DO SUOR MALIGNO.

Fontes:
Luminarium: AQUI.

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