Thomas More

ImagemImagemNome: Thomas More
Nascimento: 7 de Fevereiro de 1478
Trabalhos notáveis: Utopia
Morte: 6 de Julho de 1535
Beatificação: 1886 por Papa Leão XIII
Canonização: 19 de maio de 1935 por Papa Pio XI


Início da Vida:
Thomas nasceu em Milk Street, Londres no dia 7 de fevereiro de 1478, filho de Sir John More, um advogado bem sucedido e sua esposa Agnes Graunger. Ele foi educado em St Anthony school, considerada uma das escolas inglesas mais bem sucedidas na época. Após alguns anos, em meados de 1490, ele serviu John Morton, Arcebispo de Canterbury e Lord Chanceler da Inglaterra. Morton era um grande entusiasta a respeito dos novos ensinos da renascença, vendo no jovem Thomas um enorme potencial, ele nomeou-o para um lugar na Universidade de Oxford, onde iniciou seus estudos. Ele recebeu uma educação clássica em Oxford, sendo aluno de Thomas Linacre e Grocyn William, e tornando-se hábil em grego e latim. No ano de 1494, após apenas dois anos, Thomas deixou Oxford por insistência de seu pai, a fim de iniciar sua formação jurídica em Londres, onde permanecera até 1502.

De acordo com Erasmo de Rotterdam, teólogo e amigo de More, ele abandonou a carreira jurídica para tornar-se monge. Nos anos de 1503 e 1504 ele viveu em um mosteiro fora dos muros de Londres, ingressando em tais exercícios espirituais praticados por eles. No entanto, mesmo nutrindo uma profunda admiração por este caminho de vida, More seguiu um novo rumo casando-se e sendo eleito para o parlamento no ano de 1504. Apesar de não ter sido monge, Thomas levaria certos hábitos para o resto de sua vida, tais como o uso de silício e auto flagelo.


Família:
No ano de 1505, Thomas casou-se com Jane Colt. Ela era quase dez anos mais nova que More e segundo ele, quieta e bem-humorada. More teve interesse em dar a sua esposa uma educação melhor do que ela havia recebido em casa, tornando-se seu tutor pessoal nas áreas de música e literatura. Eles tiveram 4 filhos: Margaret, Elizabeth, Cecília, e John. Jane morreu em 1511 e More casou-se novamente, desta vez com Alice Middleton, uma rica viúva. More e Alice não tiveram filhos juntos, embora ele tenha assumido sua filha de um casamento anterior. More tornou-se o guardião de Anne Cresacre, que mais tarde casaria-se com seu filho John More. Thomas foi descrito como um pai carinhoso que sempre escrevia cartas para seus filhos quando estava em viagens de negócios. Ele sempre acreditou e defendeu que as mulheres possuíam o mesmo intelectual masculino, algo de compreensão rara na época, por isso, a educação dada aos seus filhos era a mesma, sem distinções.

Retrato da família de Thomas More c. 1594 - Por Hans Holbein o Jovem.
Retrato da família de Thomas More c. 1594 – Por Hans Holbein o Jovem.

Política:
Conforme visto acima, no ano de 1504, More foi eleito para o parlamento à fim de representar Great Yarmouth e mais tarde em 1510, Londres. Em meados de 1510, More serviu como um dos dois xerifes da cidade de Londres, posição de grande prestígio e responsabilidade, rendendo-lhe a reputação de honesto e eficaz servidor público. Em 1514, mesmo ano em que foi apontado como conselheiro privado, More tornou-se Mestre de pedidos. Após a realização de uma missão diplomática para Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano em 1521, acompanhando Thomas Wolsey para Calais e Bruges, More foi condecorado sub-tesoureiro do Tesouro real.

Thomas conseguiu mais destaque e influência no governo quando ocupou o cargo de secretário e conselheiro pessoal do rei Henrique VIII, acolhendo diplomatas estrangeiros, elaborando documentos oficiais, e servindo como um elo entre o Rei e o Chanceler Thomas Wolsey, Arcebispo e Cardeal de York. Em 1523, ele foi eleito como Knight of the Shire e presidente da Câmara dos Comuns. Serviu também como Alto administrador nas Universidades de Oxford e Cambridge. Em 1525 tornou-se Chanceler do Ducado de Lancaster, posição que implicava no controle administrativo e judicial de grande parte do norte da Inglaterra.

Após a queda de Wolsey em 1529, More conseguiu o cargo de chanceler da Inglaterra. Ele despachou casos com rapidez sem precedentes. Totalmente dedicado a Henrique e a prerrogativa real, Thomas inicialmente colaborou com a nova política do Rei, denunciando Wolsey no Parlamento e juntando-se a opinião dos teólogos em Oxford e Cambridge, que o casamento de Henrique com Catarina havia sido ilegal. Porém quando Henrique passou a negar a autoridade papal, os escrúpulos de More cresceram.


More e a Reforma:
More via a Reforma Protestante como heresia, e apoiou a Igreja Católica. Acreditando na teologia e nas leis eclesiásticas da Igreja, More viu no chamada de Martinho Lutero para destruir a Igreja Católica, um chamado à guerra. Suas primeiras ações contra a Reforma foram, auxiliar Wolsey na prevenção contra a importação de livros luteranos para a Inglaterra, espionar e investigar supostos protestantes.

Após a morte de More, circularam rumores a respeito de maus tratos a hereges durante seu período como Lord Chanceler. John Foxe, famoso puritano protestante inglês, foi um dos responsáveis pela disseminação destes boatos, em sua obra ”o livro dos mártires”, ele o acusa de maus tratos, violência e tortura em seus interrogatórios. Thomas admitiu que chegou a aprisionar hereges em sua casa, mas sempre negou veementemente qualquer tipo de maus tratos. A opinião de historiadores a respeito da posição de More sobre a reforma, é controversa e divergente. O que pode ser afirmado é que como católico devoto, More sempre foi contra os propósitos da reforma.


Julgamento:
No ano de 1530, More recusou-se a assinar uma carta escrita por clérigos e aristocratas ingleses que pediam ao Papa (Clemente VII) a anulação do casamento de Henrique VIII e sua então esposa, Catarina de Aragão. Ele alegava que tal pedido era uma heresia. Henrique solidificou sua negação quanto o controle do papado na Inglaterra, passando o estatuto da Praemunine, que proibia apelos à cúria romana na Inglaterra. More tentou demitir-se de seu cargo ao perceber a posição isolada na qual encontrava-se, pois teria de fazer um juramento declarando que o Rei, era o Chefe supremo da Igreja na Inglaterra. More optou por recusar-se a fazer o juramento e por sua grande influência e amizade com o rei, conseguiu manter-se seguro por determinado tempo, consequentemente não sendo demitido de seu cargo. Porém, com o tempo e sua forte resistência, seu apoio na corte foi rapidamente desaparecendo, foi então que no ano de 1532, após pedir afastamento de seu cargo (alegando doença), o rei enfim concedeu seu pedido.

Em 1533, More recusou-se a comparecer na coroação da nova esposa do rei, Ana Bolena. Tal ato não foi interpretado como traição, afinal ele já havia anteriormente, assinado documentos reconhecendo-a como rainha e desejando felicidade ao casal, porém o rei interpretou como uma afronta contra Ana, e resolveu agir.

No dia 13 de abril de 1534, More foi então, convidado a comparecer perante uma comissão real, a fim de jurar fidelidade à Lei de Sucessão parlamentar. More aceitou declarar Ana Bolena como legítima rainha da Inglaterra, porém, recusou-se a fazer o juramento de supremacia da Coroa entre o reino e a igreja na Inglaterra, também recusando-se a defender a anulação de Henrique de Catarina. Neste momento, os inimigos de More, possuíam provas o suficiente para fazê-lo ser preso por traição. More foi então aprisionado na Torre de Londres, recusando-se sempre a fazer o juramento.

Em 1 de Julho de 1535, More foi julgado e condenado culpado de alta traição por negar a validade da lei de sucessão. More acreditou que enquanto não negasse explicitamente que o Rei era o chefe supremo da Igreja (Ato de Supremacia), não poderia ser condenado, recusando-se a responder qualquer pergunta sobre o assunto.

Porém More foi julgado culpado sob a seguinte lei de traição de 1534:

”…Se qualquer pessoa(s), após o primeiro dia do próximo mês de fevereiro, maliciosamente em vontade ou desejo, por palavras ou escrita, ou por ofício imaginar, inventar, praticar, ou tentar qualquer dano corporal contra a pessoa do rei, rainha ou seus herdeiros aparentes, ou privar qualquer um deles de sua dignidade, título ou nome de suas propriedades reais …Que então esta(s) pessoa(s) por ofender(em)…deve(m) ter ou sofrer(em) tais dores de morte ou outras penas, como é consentido em casos de alta traição.”

More foi condenado a ser enforcado, arrastado e esquartejado, punição comum designada a traidores que não faziam parte da realeza, mas o rei optou por decapitação. Ele foi executado no dia 6 de Julho de 1535. Ele declarou que ”morreu sendo um bom servo do rei, mas a Deus em primeiro lugar.”

O corpo de Thomas foi enterrado em St Peter ad Vincula em uma cova sem marcação, enquanto sua cabeça foi fixada em uma estaca e colocada na London Bridge por um mês, para servir de exemplo, conforme o costume para traidores. Margaret Roper, sua filha, resgatou (possivelmente através de suborno ou favores) a cabeça de seu pai, antes que fosse atirada ao Tâmisa.


Canonização:
More foi canonizado em 19 de Maio de 1935 pelo Papa Pio XI, tendo antes sido beatificado pelo Papa Leão XIII, no ano de 1886; seu dia é comemorado em 09 de julho. Após uma série de reformas pós-Vaticano II, seu dia de festa foi alterado para 22 de Junho e seu nome foi adicionado ao calendário católico de santos em 1970.


Bibliografia:
Biography: AQUI.
English History: AQUI.
Luminarium: AQUI.

Margaret  Roper, filha de Thomas More, recuperando a cabeça de seu pai.
Margaret Roper, filha de Thomas More, recuperando a cabeça de seu pai.
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