Ana Bolena Parte VII – Anulação do casamento de Henrique VIII

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Antes de casar-se com Catarina de Aragão, Henrique VIII havia recebido do Papa, uma bula papal concordando que ele poderia casar-se com a esposa de seu falecido irmão, o Príncipe Arthur. Quando Henrique e Catarina se casaram em junho 1509, ambos eram católicos romanos, assim como todos na Inglaterra, e a pena por heresia era a morte. Após anos de matrimônio e inúmeros abortos, Henrique soube, por volta de 1524 ou 1525, que sua esposa Catarina não daria a luz novamente. Neste momento ele passou a notar a outra filha de Thomas Bolena, a  jovem Ana Bolena. Em 1527, Henrique decidiu pedir ao Papa uma dispensa para casar-se novamente.

No entanto, as crenças da Igreja Católica eram simples e claras. Somente o Papa poderia anular um casamento e como a Igreja sempre acreditou na santidade do matrimônio e da família, um divórcio naquela época, era uma ocorrência razoavelmente rara. Em muitos sentidos, esperavam que as famílias reais da Europa definissem padrões a serem seguidos. Portanto, a crença de Henrique, de que ele deveria ter um divórcio, simplesmente pelo fato de ser o rei da Inglaterra e do País de Gales, não era compartilhada pelo Papado.

Henrique então, usou seus conhecimentos da Bíblia como tentativa de justificar seu pedido de anulação do casamento. Ele usou o Antigo Testamento (Levítico capítulo 20 versículo 21), onde refere-se que:

“Se um homem tomar por mulher a mulher de seu irmão, impureza será; descobrirá a nudez de seu irmão, ficarão sem filhos”.

Henrique argumentou que desde o início, seu casamento com Catarina, havia ido contra as leis de Deus , apesar da bênção papal em 1509. Ele portanto, viveu em pecado, e o Papa deveria anular seu casamento para que ele pudesse corrigir esta situação. Como “Defensor da Fé” – um título concedido a Henrique, pelo seu ataque a obra de Martinho Lutero em 1521, ele acreditava que o problema com sua anulação logo seria resolvido.  Nunca saberemos com clareza, se Henrique realmente acreditou que seu casamento estava aberto a questionamento, se ele apenas estava cobiçando Ana, ou ambos.

Em novembro de 1528, Henrique fez um discurso magistral para nobres ingleses em Bridewell, Londres, explicando que Catarina era nobre e virtuosa e que em outras circunstâncias ele casaria-se com ela de novo. Mas que devido ao que havia ocorrido, ele havia vivido um ”detestável e abominável adultério”. Edward Hall, escreveu sobre o discurso, afirmando que ele foi feito com grande paixão. No entanto, Henrique era um ótimo orador e sabia muito bem como lidar com o público, deixando uma dúvida sobre o quanto ele acreditava em seu discurso.

Há certas dúvidas sobre o Cardeal Wolsey ter dado garantias a Henrique, de que a anulação era simplesmente uma questão de disciplina. Wolsey, como um cardeal, havia também sido nomeado ”Legatus um legere” pelo Papa – que fez dele a figura religiosa mais poderosa efetivamente baseada na Inglaterra. É fácil imaginar a cena de Wolsey convencendo Henrique de que possuía contatos em Roma, algo que o rei gostaria que fosse fácil de obter. Wolsey, é claro, estava disposto a fazer qualquer coisa para agradar seu mestre e decidiu então, usar o argumento de que a bula papal original que sancionou o casamento em 1509 era inválida, e que deveriam salvar um inocente rei da danação eterna, deixando que ele se casasse novamente. O cardeal estava certo de que o Papa iria anular o casamento, pois como ele estava em posição vulnerável, precisaria do apoio de cada monarca cristão – especialmente com o imprevisível avanço dos turcos muçulmanos no Mediterrâneo. Tanto Henrique quanto o Cardeal Wolsey, devem ter achado que sua campanha para a anulação do casamento seria um caso rápido e simples.

Nada ocorreu como o planejado. Não houve solução rápida e o resultado mais imediato seria o fim da influência de Cardeal Wolsey, que foi obrigado a sair de Londres e viver em circunstâncias muito menos favorecidas em York (onde foi o arcebispo). A abordagem em Roma, foi dar ao assunto uma importância teológica, o que explicou o atraso. A chave foi dissecar o que realmente estava escrito no Levítico. O argumento rebatido foi que você realmente não poderia casar-se com a mulher de seu irmão se  ele estivesse vivo. Como Arthur estava morto, isso não seria um problema, e certamente não condenaria o Rei a danação eterna, pois não iria contra a vontade de Deus. Henrique recusou-se a aceitar tal versão, pois ele acreditava que a sua era a correta. Ele reuniu um grande número de teólogos peritos para escrever ensaios que apoiavam seu ponto de vista, sendo eles, bem recompensados por isso. Em contrapartida, foram escritos uma série de ensaios em Roma para apoiar ponto de vista do Papado. No entanto, haviam pessoas na Inglaterra que apoiaram o ponto de vista do Papa, eram eles o bispo de Rochester e o bispo Fisher, que escreveu sete livros em apoio à Catarina, tornando-se seu maior defensor na Inglaterra.

No inverno de 1532, Henrique participou de um evento com o rei da França em Calais, e logo tudo mudaria….

CONTINUA EM…

ANA BOLENA Parte X – O casamento com Henrique VIII.

Fontes:
The refomation.info
History learning site.co.uk

Julgamento sobre o casamento de Henrique VIII e Catarina de Aragão.
Julgamento sobre o casamento de Henrique VIII e Catarina de Aragão.

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5 comentários Adicione o seu

  1. João Mendes Pinto disse:

    Penso que entre os judeus antigos o casamento com a nora após a morte do irmão não só era permitido mas obrigatório, para não a deixar desprotegida. Teologias à parte penso que o importante era a política de Clemente VII. Considerado inicialmente como próximo do rei de Inglaterra, este Papa sofreu mesmo o «saque de Roma» por Carlos de Espanha; no entanto em 1530 fizera-se a paz com a coroação de Carlos como imperador Carlos V e a política pontifícia mudou. Em 1533 quando do casamento de H.VIII com A.B. o Papa não estava em posição de hostilizar os espanhóis e Catarina de Aragão.

    1. tudorbrasil disse:

      O papa encontrou-se em um grande dilema político e para ele ambas as opções poderiam trazer-lhe consequências. Ele optou por ficar ao lado de Catarina, pois não seria nada agradável ir contra o Sacro Imperador… De fato, deve ter sido um dilema e tanto.
      Obrigada por comentar!:)

  2. Rayssa disse:

    Estou reassistindo The Tudors e fiquei com uma dúvida: Foram montados tribunais na Inglaterra para julgar o caso, ou é somente ficção?

    1. Tudor Brasil disse:

      Montaram sim, e preciso por no ar um artigo sobre isso Rayssa, muito bem lembrado!:)

      1. Rayssa disse:

        ok, obrigada (:

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